segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Confira os benefícios da leitura diária

leitura13232Entenda por que você deve ler todos os dias

A leitura deveria ser um hábito diário na vida dos cidadãos, nem que seja por apenas alguns minutos. Segundo pesquisas internacionais, ao separar 6 minutos do seu dia para a leitura, os benefícios da prática, a longo prazo, tendem a ser muito grandes. A seguir, confira quais as vantagens da leitura e comece agora mesmo:
1 – Potencializa sua saúde
Há redução nos níveis de estresse, relaxa os músculos e ainda melhor o seu estado de espírito. Unindo todos esses benefícios, a leitura frequente fará com que você tenha uma saúde melhor, podendo até desenvolver suas atividades cotidianas com mais facilidade.
2 – É benéfico para a sociedade
Pessoas que tem a leitura como um hábito diário tendem a ser mais conectadas com causas sociais. A maior parte dos voluntários de instituições e das pessoas que fazem doações financeiras têm o costume de ler.
3 – Aumento da criatividade
A criatividade é um grande diferencial no mercado de trabalho hoje em dia. Por isso, quanto mais você lê, mais aprende sobre novos assuntos. Ela é essencial para o cotidiano de diversas profissões, seja no momento de criar um novo produto ou de encontrar a melhor solução para um problema.
4 – Você potencializa seu grau de instrução
Além de aprender sobre novos assuntos, você passa a escrever e se comunicar melhor. Você também passa a ser uma pessoa que sabe conversar sobre questões presentes em várias esferas.
5 – Você irá refletir mais
Alguns dos textos que você ler podem provocar grande estranhamento e, consequentemente, fazer com que você pense sobre o assunto abordado. Assim, quanto maior for a quantidade de textos que você entrar em contato, aprenderá mais sobre diversos assuntos e poderá aumentar seu senso crítico sobre novos temas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"

O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário

LUÍS ANTÔNIO GIRON, DE MILÃO

PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

O escritor e semiólogo Umberto Eco vive com sua mulher em um apartamento duplo no segundo e terceiro andar de um prédio antigo, de frente para o palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Hakuri Murakami instalasse sua casa no sopé do monte Fuji, ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. "Acordo todo dia com a Renascença", diz Eco, referindo-se à enorme fortificação do século XV. O castelo deve também abrir os portões pela manhã com uma sensação parecida, pois diante dele vive o intelectual e o romancista mais famoso da Itália.
Um dos andares da residência de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha abriga aquilo que ele chama de "ala das ciências banidas", como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo, magia e bruxaria. Ali, em um cômodo pequeno, estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística de um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a igreja católica e o rabino de Roma: aquela porque Eco satirizava os jesuítas ("são maçons de saia", diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini), este porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX - como o Protocolo dos sábios do Sião - poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, como autor do ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Mesmo aos 80 anos, que completa em 5 de janeiro, parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com Época durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou - o suspense erudito -, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É de pasmar, mas o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições - e até gostando de ler livros... pelo iPad que comprou durante sua última turnê americana.

ÉPOCA - Como o senhor se sente, completando 80 anos?
Umberto Eco -
 Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turnês de lançamento de O cemitério de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcursão pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o braço. Estou com tendinite de tanto dar autógrafos em livros. 
ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco -
 Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 
ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
Eco -
 A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento. 

http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/12/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.htmlÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?
ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco -
 Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. 
Eco - Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar. 

ÉPOCA - O senhor já está pensando em um novo romance depois de O cemitério de Praga?
Eco -
 Vamos com calma. Mal publiquei um e você já quer outro. Estou sem tempo para ficção no momento. Na verdade, vou me ocupar agora de minha autobiografia intelectual. Fui convidado por uma instituição americana, Library of Living Philosophers, para elaborar meu percurso filosófico. Fiquei contente com o convite, porque passo a fazer parte de um projeto que inclui John Dewey, Jean-Paul Sartre e Richard Rorty - embora eu não seja filósofo. Desde 1939, o instituto convida um pensador vivo para narrar seu percurso intelectual em um livro. O volume traz então ensaios de vários especialistas sobre os diversos aspectos da obra do convidado. No final, o convidado responde às dúvidas e críticas levantadas. O desafio é sistematizar de uma forma lógica tudo o que já fiz...
ÉPOCA - Como lidar com tamanha variedade de caminhos?
Eco -
 Estou começando com meu interesse constante desde o começo da carreira pela Idade Média e pelos romances de Alessandro Manzoni. Depois vieram a Semiótica, a teoria da comunicação, a filosofia da linguagem. E há o lado banido, o da teoria ocultista, que sempre me fascinou. Tanto que tenho uma biblioteca só do assunto. Adoro a questão do falso. E foi recolhendo montes de teorias esquisitas que cheguei à ideia de escrever O cemitério de Praga.
ÉPOCA - Entre essas teorias, destaca-se a mais célebre das falsificações, O protocolo dos sábios de Sião. Por que o senhor se debruçou sobre um documento tão revoltante para fazer ficção?
Eco - 
Eu queria investigar como os europeus civilizados se esforçaram em construir inimigos invisíveis no século XIX. E o inimigo sempre figura como uma espécie de monstro: tem de ser repugnante, feio e malcheiroso. De alguma forma, o que causa repulsa no inimigo é algo que faz parte de nós. Foi essa ambivalência que persegui em O cemitério de Praga. Nada mais exemplar que a elaboração das teorias antissemitas, que viriam a desembocar no nazismo do século XX. Em pesquisas, em arquivos e na internet, constatei que o antissemitismo tem origem religiosa, deriva para o discurso de esquerda e, finalmente, dá uma guinada à direita para se tornar a prioridade da ideologia nacional-socialista. Começou na Idade Média a partir de uma visão cristã e religiosa. Os judeus eram estigmatizados como os assassinos de Jesus. Essa visão chegou ao ápice com Lutero. Ele pregava que os judeus fossem banidos. Os jesuítas também tiveram seu papel. No século XIX, os judeus, aparentemente integrados à Europa, começaram a ser satanizados por sua riqueza. A família de banqueiros Rotschild, estabelecida em Paris, virou um alvo do rancor social e dos pregadores socialistas. Descobri os textos de Léo Taxil, discípulo do socialista utópico Fourier. Ele inaugurou uma série de teorias sobre a conspiração judaica e capitalista internacional que resultaria em Os protocolos dos sábios do Sião, texto forjado em 1897 pela polícia secreta do czar Nicolau II. 
ÉPOCA - O senhor considera os Procotolos uma das fontes do nazismo?
Eco -
 Sem dúvida. Adolf Hitler, em sua autobiografia, Minha luta, dava como legítimo o texto dosProtocolos. Hitler tomou como verdadeira uma falsificação das mais grosseiras, e essa mentira constitui um dos fundamentos do nazismo. A raiz do antissemitismo vem de muito antes, de uma construção do inimigo, que partiu de delírios e paranoias.
ÉPOCA - O personagem de O cemitério de Praga, Simone Simonini, parece concentrar todos os preconceitos e delírios europeus do século XIX. Ele é ao mesmo tempo antissemita, anticlerical, anticapitalicas e antissocialista. Como surgiu na sua mente alguém tão abominável?
Eco -
 Os críticos disseram que Simonini é o personagem mais horroroso da literatura de todos os tempos, e devo concordar com eles. Ele também é muito divertido. Seus excessos estão ali para provocar riso e revolta. No romance, Simonini é a única figura fictícia. Guarda todos os preconceitos e fantasias sobre um inimigo que jamais conhece. E se desdobra em várias personalidades: durante o dia, atua como tabelião falsificador de documentos; à noite, traveste-se em falso padre jesuíta e sai atrás de aventuras sinistras. Acaba virando joguete dos monarquistas, que se opõem à unificação da Itália, e, por fim, dos russos. Imaginei Simonini como um dos autores de Os protocolos dos sábios do Sião. 
ÉPOCA - A falsificação sobre falsificações permitida pela ficção tornou o livro controverso. Ele tem provocado reações negativas. O senhor gosta de lidar com polêmicas? 
Eco - A recepção tem sido positiva. O livro tem feito sucesso sem precisar de polêmicas. Quando foi lançado na Itália, ele gerou alguma discussão. O L'osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, publicou um artigo condenando os ataques do livro aos jesuítas. Não respondi, porque sou conhecido como um intelectual anticlerical - e já havia discutido com a igreja católica no tempo de O nome da rosa, quando me acusaram de atacar a igreja. O rabino de Roma leu O cemitério de Praga e advertiu em um pronunciamento que as teorias contidas no livro poderiam se tornar novamente populares a partir da obra. Respondi a ele que não havia esse perigo. Ao contrário, se Simonini serve para alguma coisa, é para provocar nossa indignação.
ÉPOCA - Além de falsário, Simonini se revela um gourmet. Ao longo do livro, o senhor joga listas e listas de receitas as mais extravagantes, que Simonini comenta com volúpia. O senhor gosta de gastronomia?
Eco -
 Eu sou MacDonald's! Nunca me incomodei com detalhes de comida. Pesquisei receitas antigas com um objetivo preciso: causar repugnância no leitor. A gastronomia é um dado negativo na composição do personagem. Quando Simonini discorre sobre pratos esquisitos, o leitor deve sentir o estômago revirado.

ÉPOCA - Qual o sentido de escrever romances hoje em dia? O que o atrai no gênero?
Eco -
 Faz todo o sentido escrever ficção. Não vejo como fazer hoje narrativa experimental, como James Joyce fez com Finnegan's Wake, para mim a fronteira final da experimentação. Houve um recuo para a narrativa linear e clássica. Comecei a escrever ficção nesse contexto de restauração da narratividade, chamado de pós-modernismo. Sou considerado um autor pós-moderno, e concordo com isso. Vasculho as formas e artifícios do romance tradicional. Só que procuro introduzir temas que possam intrigar o leitor: a teoria da comédia perdida de Aristóteles em O nome da rosa; as conspirações maçônicas em O pêndulo de Foucault; a imaginação medieval em Baudolino; a memória e os quadrinhos em A misteriosa chama; a construção do antissemitismo em O cemitério de Praga. O romance é a realização maior da narratividade. E a narratividade conserva o mito arcaico, base de nossa cultura. Contar uma história que emocione e transforme quem a absorve é algo que se passa com a mãe e seu filho, o romancista e seu leitor, o cineasta e seu espectador. A força da narrativa é mais efetiva do que qualquer tecnologia.
ÉPOCA - Philip Roth disse que a literatura morreu. Qual a sua opinião sobre os apocalípticos que preveem a morte da literatura?
Eco -
 Philip Roth é um grande escritor. A contar com ele, a literatura não vai morrer tão cedo. Ele publica um romance por ano, e sempre de boa qualidade. Não me parece que nem o romance nem ele pretendem interromper a carreira (risos).
ÉPOCA - Mas por que hoje não aparecem romancistas do porte de Liev Tolstói e Gustave Flaubert?
Eco -
 Talvez porque ainda não os descobrimos. Nada acontece imediatamente na literatura. É preciso esperar um pouco. Devem certamente existir Tolstóis e Flauberts por aí. E têm surgido ótimos ficcionistas em toda parte.
ÉPOCA - Como o senhor analisa a literatura contemporânea?
Eco - 
Há bons autores medianos na Itália. Nada de genial, mas têm saído livros interessantes de autores bastante promissores. Hoje existe o thriller italiano, com os romances de suspense de Andrea Camilleri e seus discípulos. No entanto, um signo do abalo econômico italiano é que não é mais possível um romancista viver de sua obra literária, como fazia (Alberto) Moravia. Hoje romance virou uma atividade diletante. É diferente do que ocorre nos Estados Unidos, aindaum polo emissor de ótima ficção e da profissionalização dos escritores. Além dos livros de Roth, adorei ler Liberdade, de Jonathan Franzen, um romance de corte clássico e repleto de referências culturais. A França, infelizmente, experimenta uma certa decadência literária, e nada de bom apareceu nos últimos tempos. O mesmo parece se passar com a América Latina. Já vão longe os tempos do realismo fantástico de García Márquez e Jorge Luis Borges. Nada tem vindo de lá que me pareça digno de nota.
ÉPOCA - E a literatura brasileira? Que impressões o senhor tem do Brasil? O país lhe parece mais interessante hoje do que há 30 anos?
Eco -
 O Brasil é um país incrivelmente dinâmico. Visitei o Brasil há muito tempo, agora acompanho de longe as notícias sobre o país. A primeira vez foi em 1966. Foi quando visitei terreiros de umbanda e candomblé - e mais tarde usei essa experiência em um capítulo de O pêndulo de Foucault para descrever um ritual de candomblé. Quando voltei em 1978, tudo já havia mudado, as cidades já não pareciam as mesmas. Imagino que hoje em dia o Brasil esteja completamente transformado. Não tenho acompanhado nada do que se faz por lá em literatura. Eu era amigo do poeta Haroldo de Campos, um grande erudito e tradutor. Gostaria de voltar, tenho muitos convites, mas agora ando muito ocupado... comigo mesmo.
ÉPOCA - O senhor foi o criador do suspense erudito. O modelo é ainda válido?
Eco -
 Em O nome da Rosa, consegui juntar erudição e romance de suspense. Inventei o investigador-frade William de Baskerville, baseado em Sherlock Holmes de Conan Dolyle, um bibliotecário cego inspirado em Jorge Luis Borges, e fui muito criticado porque Jorge de Burgos, o personagem, revela-se um vilão. De qualquer forma, o livro foi um sucesso e ajudou a criar um tipo de literatura que vejo com bons olhos Sim, há muita coisa boa sendo feita. Gosto de (Arturo) Pérez-Reverte, com seus livros de fantasia que lembram os romances de aventura de Alexandre Dumas e Emilio Salgari que eu lia quando menino.
ÉPOCA - Lendo seus seguidores, como Dan Brown, o senhor às vezes não se arrepende de ter criado o suspense erudito?
Eco -
 Às vezes, sim! (risos) O Dan Brown me irrita porque ele parece um personagem inventado por mim. Em vez de ele compreender que as teorias conspiratórias são falsas, Brown as assume como verdadeiras, ficando ao lado do personagem, sem questionar nada. É o que ele faz em O Código Da Vinci. É o mesmo contexto de O pêndulo de Foucault. Mas ele parece ter adotado a história para simplificá-la. Isso provoca ondas de mistificação. Há leitores que acreditam em tudo o que Dan Brown escreve - e não posso condená-los.
ÉPOCA - O que vem antes na sua obra, a teoria ou a ficção?
Eco -
 Não há um caminho único. Eu tanto posso escrever um romance a partir de uma pesquisa ou um ensaio que eu tenha feito. Foi o caso de O pêndulo de Foucault, que nasceu de uma teoria. Baudolino resultou de ideias que elaborei em torno da falsificação. Ou vice-versa. Depois de escrever O cemitério de Praga, me veio a ideia de elaborar uma teoria, que resultou no livroCostruire il Nemico (Construir o Inimigo, lançado em maio de 2011). E nada impede que uma teoria nascida de uma obra de ficção redunde em outra ficção.

ÉPOCA - Quando escreve, o senhor tem um método ou uma superstição?
Eco -
 Não tenho nenhum método. Não sou com Alberto Moravia, que acordava às 8h, trabalhava até o meio-dia, almoçava, e depois voltava para a escrivaninha. Escrevo ficção sempre que me dá prazer, sem observar horários e metodologias. Adoro escrever por escrever, em qualquer meio, do lápis ao computador. Quando elaboro textos acadêmicos ou ensaio, preciso me concentrar, mas não o faço por método.
ÉPOCA - Como o senhor analisa a crise econômica italiana? Existe uma crise moral que acompanha o processo de decadência cultural? A Itália vai acabar?
Eco -
 Não sou economista para responder à pergunta. Não sei por que vocês jornalistas estão sempre fazendo perguntas (risos). Talvez porque eu tenha sido um crítico do governo Silvio Berlusconi nesses anos todos, nos meus artigos de jornal, não é mesmo? Bom, a Itália vive uma crise econômica sem precedentes. Nos anos Berlusconi, desde 2001, os italianos viveram uma fantasia, que conduziu à decadência moral. Os pais sonhavam com que as filhas frequentassem as orgias de Berlusconi para assim se tornarem estrela da televisão. Isso tinha de parar, acho que agora todos se deram conta dos excessos. A Itália continua a existir, apesar de Berlusconi.
ÉPOCA - O senhor está confiante com a junção Merkozy (Nicolas Sarkozy e Angela Merkel) e a ascensão dos tecnocratas, como Mario Monti como primeiro ministro da Itália?
Eco -
 Se não há outra forma de governar a zona do Euro, o que fazer? Merkel tem o encargo, mas também sofre pressões em seu país, para que deixe de apoiar países em dificuldades. A ascensão de Monti marca a chegada dos tecnocratas ao poder. E de fato é hora de tomar medidas duras e impopulares que só tecnocratas como Monti, que não se preocupa com eleição, podem tomar, como o corte nas aposentadorias e outros privilégios.
ÉPOCA - O que o senhor faz no tempo livre?
Eco -
 Coleciono livros e ouço música pela internet. Tenho encontrado ótimas rádios virtuais. Estou encantado com uma emissora que só transmite música coral. Eu toco flauta doce (mostra cinco flautas de variados tamanhos), mas não tenho tido tempo para praticar. Gosto de brincar com meus netos, uma menina e um menino.
ÉPOCA - Os 80 anos também são uma ocasião para pensar na cidade natal. Como é sua ligação com Alessandria?
Eco -
 Não é difícil voltar para lá, porque Alessandria fica a uns 100 quilômetros de Milão. Aliás foi um dos motivos que escolhi morar por aqui: é perto de Bolonha e de Alessandria. Quando volto, sou recebido como uma celebridade. Eu e o chapéu Borsalino, somos produção de Alessandria! Reencontro velhos amigos no clube da cidade, sou homenageado, bato muito papo. Não tenho mais parentes próximos. É sempre emocionante.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Quais são os escritores mais ricos do mundo?

por Fabio Laudonioescritores-ricos

ILUSTRA Marcos de Lima

1. J.K. Rowling
FORTUNA US$ 1 bilhão
PRINCIPAIS OBRAS Harry Potter
Apenas em 2011, Rowling doou o equivalente a US$ 160 milhões à caridade. Atualmente, a escritora foca em obras policiais, assinadas como "Robert Galbraith". As últimas foram O Chamado do Cuco,O Bicho-da-Seda e Career of Evil (ainda não lançado no Brasil). Uma de suas raras extravagâncias como bilionária foi comprar uma mansão do século 19, no condado de Perthshire, na Escócia

2. Paulo Coelho
FORTUNA US$ 500 milhões
PRINCIPAIS OBRAS O Alquimista e Brida
Quem disse que não haveria um brasileiro na lista? Seus livros já venderammais de 165 milhões de cópias pelo mundo todo (e alguns viraram filmes). O Alquimista foi traduzido para 80 idiomas. Coelho já adquiriu imóveis na Suíça, na França e nos Emirados Árabes, mas é o apartamento em Copacabana, de frente para o mar, que ele considera seu verdadeiro lar

3. Stephen King
FORTUNA US$ 400 milhões
PRINCIPAIS OBRAS Carrie, A Estranha e O Iluminado
Ao todo, King vendeu 350 milhões de livros em mais de 40 países e levoumais de 50 prêmios. Várias de suas obras foram adaptadas para o cinema e interpretadas por grandes estrelas de Hollywood. Em 2012, publicou um artigo em que criticava outros multimilionários por avareza e até se dispunha a pagar mais impostos

4. James Patterson
FORTUNA US$ 390 milhões
PRINCIPAIS OBRAS O Dia da Caça, 4 de Julho e Fogo Cruzado
Autor de séries de suspense, não escreve a maioria dos próprios livros. Em vez disso, cria a história, caracteriza os personagens e, assumidamente, dá a um "co-autor" o trabalho de escrever tudo. Em 2005, criou o Page Turner Awards, para premiar pessoas e instituições que promovessem a leitura

5. Danielle Steel
FORTUNA US$ 375 milhões
PRINCIPAIS OBRAS O Baile e Cinco Dias em Paris
Especialista em dramas e suspenses românticos, ela já vendeu mais de 650 milhões de cópias. Assim como as de King, muitas de suas obras viraram filmes, como O Anel de Noivado e Agora e Sempre. Uma de suas fundações de caridade foi criada em homenagem ao filho Nick Traina, que sofria de transtorno bipolar e dependência química e cometeu suicídio em 1997

6. Nora Roberts
FORTUNA US$ 340 milhões
PRINCIPAIS OBRAS Segredos e Conspiração Mortal
É uma verdadeira máquina: já lançou mais de 200 títulos, o que lhe garantiu a honra de ser a primeira mulher a ingressar no Hall da Fama dos Escritores Românticos dos EUA. Seu nome apareceu na lista de mais vendidos do jornal The New York Times por 861 semanas! Seus projetos pessoais incluem a compra de um hotel histórico em Maryland, para restauração

7. Tom Clancy
FORTUNA US$ 300 milhões
PRINCIPAIS OBRAS Jogos Patrióticos e Caçada ao Outubro Vermelho
É conhecido por ter criado o "tecno-thriller", gênero que funde ação, aventura militar, ficção científica, realismo social e espionagem. Falecido em 2013, era apaixonado por carros da Mercedes, relógios Rolex e games. Sua marca foi licenciada para vários jogos de sucesso, como Rainbow SixGhost Recon e Splinter Cell

8. John Grisham
FORTUNA US$ 200 milhões
PRINCIPAIS OBRAS A FirmaA Confissão e Tempo de Matar
Começou a carreira escrevendo no tempo livre, enquanto trabalhava como advogado. Carregou a paixão jurídica para as tramas, que quase sempre giram em torno de advogados, réus, testemunhas e juízes. Já vendeu 300 milhões de cópias, o suficiente para viver com tranquilidade em uma fazenda com uma mansão vitoriana, no estado de Mississippi

9. Jackie Collins
FORTUNA US$ 180 milhões
PRINCIPAIS OBRAS O Mundo Está Cheio de Homens Casados e Marcada pela Sorte
Muito antes de 50 Tons de Cinza, essa inglesa já faturava alto com obras românticas e picantes. Sua estreia, O Mundo Está Cheio de Homens Casados, de 1968, foi banida na África do Sul e na Austrália, pelo conteúdo erótico. Ela já vendeumais de 500 milhões de livros e seu maior hobby é visitar países exóticos

10. Dean Koontz
FORTUNA US$ 145 milhões
PRINCIPAIS OBRAS VelocidadeO Guardião e a trilogia Frankenstein
Trabalhou como assistente social e como professor de inglês até o dia em que sua esposa, Gerda, lhe fez uma proposta: ela o sustentaria por cinco anos para que ele pudesse perseguir seu sonho de se tornar escritor. Hoje, já passou dos 450 milhões de exemplares vendidos e o casal continua junto: Gerda administra a carreira do marido

FONTES EXAME, SUPERINTERESSANTE, ForbesBilanReadKiddoReadiG JovemG1,Celebrity Net WorthListas Literárias e Livraria Cultura

Referências no catálogo

VIDA BIBLIOTECÁRIA - 72 - Referências no catálogo[Fevereiro/2016]

(Fernando Modesto)

EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS OU COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (COINFO)? UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Camila Araújo dos Santos
http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=959


[Fevereiro/2016]


“[...] O amor às bibliotecas, como a maioria dos amores, deve ser aprendido. Ninguém que pise pela primeira vez num aposento repleto de livros saberá instintivamente como se comportar, nem o que se espera, o que se promete e o que é permitido” (1).

Quando Ana entrou pela primeira vez em uma biblioteca organizada e estruturada para emprestar um livro, sentiu-se sem rumo: sabia que ali havia um “vasto mar” de conhecimento, porém não sabia “navegar por entre as estantes” para ter acesso a ele. Faltava-lhe a “bússola” para que fosse direcionada ao encontro do que necessitava, uma vez que não tinha noção alguma do que significavam aqueles números nas etiquetas dos livros, como também não sabia que os livros eram organizados nas estantes por áreas do conhecimento. Ana estava tão ansiosa para “desbravar” a biblioteca - era uma apaixonada por livros e leitura - que não se atentou a um detalhe: no balcão havia um material que continha instruções sobre como manejar os recursos da biblioteca. Neste material, havia diversas instruções, dentre as quais a de que era oferecido um curso de treinamento ao usuário cujo objetivo era desenvolver habilidades de uso específico da biblioteca e seus recursos. Como Ana ainda não havia participado deste curso, buscou informar-se com o bibliotecário sobre a organização da biblioteca e seu layout.

A personagem Ana sou eu e, tenho certeza, muitos de vocês que estão lendo este texto: somos e / ou fomos Ana. Reflita sobre a primeira vez em que você entrou em uma biblioteca organizada: você se sentiu “perdido”? Eu me senti, pois somente na universidade tive acesso à uma biblioteca em que haviam bibliotecários atuando e com acervo aberto e organizado (e eu deveria me perder diante de tanta organização? Sem dúvida! Não sabia que o conhecimento era organizado por áreas, nunca havia pesquisado em um catálogo, não tive contato com um bibliotecário e Cutter e Dewey eram pessoas desconhecidas). Anterior a esta experiência, só na biblioteca da minha cidade, cujo relato está em nosso primeiro bate-papo. Mas, afinal, porque eu falei tudo isso? Porque pretendo mostrar a diferença entre a educação de usuários e a competência em informação (CoInfo), práticas compreendidas como sinônimas na área.

Ambas, educação de usuários e CoInfo, são ações educacionais que buscam desenvolver nos usuários competências e habilidades em relação ao universo informacional. Porém, a primeira restringe-se ao ambiente da biblioteca e a segunda extrapola “os muros” dela.

A educação de usuários pode ser compreendida como “[...] o processo pelo qual o usuário interioriza comportamentos adequados com relação ao uso da biblioteca e desenvolve habilidades de interação permanente com os sistemas de informação” (2) e que perpassa pelas seguintes ações:

ü  Formação: aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de atitudes e habilidades de acordo com o tipo de usuário da biblioteca - docente, discente, pesquisador, etc.;
ü  Treinamento: ações e / ou estratégias para desenvolver determinadas habilidades no usuário por desconhecer situações específicas de uso da biblioteca e de seus recursos informacionais, envolvendo o conjunto e meios necessários para tal;
ü  Instrução: descrição rigorosa de procedimentos acompanhada de pormenores, para que o usuário consiga manejar eficientemente os recursos informacionais da biblioteca;
ü  Orientação: ação de esclarecer ao usuário sobre a organização da biblioteca, “layout” e serviços oferecidos. Tem um sentido mais amplo do que a instrução;
ü  Ensino: processo formal e intencional voltado para o usuário cujo objetivo é propiciar condições para seu desempenho efetivo em relação ao uso da biblioteca e dos recursos informacionais;
ü  Aprendizagem: aquisição de novo comportamento e / ou modificação de atitude do usuário frente ao uso da biblioteca e dos recursos informacionais, mediante a assimilação do que foi ensinado por meio de orientação ou instrução (2).

Podemos ver que é uma prática voltada para o desenvolvimento de habilidades referentes ao uso da biblioteca e seus recursos informacionais, que mediante orientação e instrução, ensina o usuário a pesquisar no catálogo da biblioteca, a encontrar livros nas prateleiras, a compreender a forma que a biblioteca funciona e é organizada e quais serviços ela oferece.

Já a CoInfo, além de considerar as habilidades de uso da biblioteca e de seus recursos, desenvolve/aprimora competências, capacidades, habilidades e atitudes relacionadas ao vasto campo de informações disponibilizado em diversas fontes como a internet, jornais, livros, revistas, redes sociais, salas de discussões, bases de dados, etc. Possui como princípio o uso inteligente, crítico, reflexivo, criativo, responsável, ético e efetivo da informação para a transformação do conhecimento, resolução de problemas e exercício da cidadania em um aprender contínuo ao longo da vida. São nestes “quesitos” que ela se diferencia da educação de usuários.

A CoInfo proporciona uma mudança de conduta nas formas de gestão da informação e do conhecimento, pois a partir da mobilização e articulação destes, a pessoa é capaz de compreender e refletir sobre a complexidade das situações de seu entorno. É pelo desenvolvimento/aprimoramento da CoInfo que o sujeito assume o papel de um leitor crítico habilitado a realizar uma “leitura de mundo” aprofundada.

A pessoa competente em informação consegue:


O sujeito reconhece sua necessidade de informação quando percebe por que e de qual informação precisa, de qual, quanta e que tipo de informação requer e as limitações para consegui-la (tempo, acesso, formato, atualidade, etc.). Compreende onde e quais recursos informacionais estão disponíveis para sua exploração, como pode acessá-los e quando é apropriado utilizá-los. Identifica a informação relevante e de qualidade a partir da exploração de diversos meios contidos em fontes variadas (índices dos livros, pesquisas avançadas em bases de dados, etc.). Avalia as informações pela sua autenticidade, veracidade, correção, atualidade e valor. Reconhece a manipulação e distorção das informações a partir de sua criticidade (pensamento crítico). Compara as informações recuperadas para saber se há necessidade de realizar uma nova busca por mais informação. Compreende as questões referentes ao plágio, à propriedade intelectual e, por isso, comunica de forma responsável, ética e legal as informações recuperadas (3).

Dito o exposto, quer dizer que a educação de usuários não se configura como uma ação educacional importante? De forma alguma! Geralmente é por meio da interação e mediação entre usuário, profissional, recursos e as informações contidas neles que a pessoa, de forma primária, compreende a complexidade que envolve o universo informacional.

Por este fato é que apontamos ser coerente escrutinar sobre essas ações educacionais, já que cada uma possui peculiaridades próprias e, por isso, retratam práticas distintas. Enquanto a educação de usuários ensina a pessoa a usar um determinado equipamento informacional e seus recursos, a CoInfo transita numa esfera de transversalidade de áreas, conteúdos e de ambientes, como também caminha pela flexibilidade e dinamicidade de aplicação e adaptação em contextos vários, por isso é transdisciplinar. Conduz a trilhas de aprendizados diversos, pois integra-se com as particularidades do ambiente ao qual está inserida.

A CoInfo é flexível quanto às especificidades de cada área, uma vez que a necessidade de atualização de saberes, resolução de problemas, trabalho colaborativo, formação de opiniões, enfrentamento de incertezas, compreensão do status quo e tomadas de decisões assertivas são condições sine qua non a todos os sujeitos em distintos campos de atuação.

Para que a CoInfo se torne uma prática educativa institucionalizada, é basilar que os profissionais da informação a reconheçam como tal e a compreendam como uma ação transformadora na mobilização e articulação da informação para a geração de conhecimento significativo pelos sujeitos.

O profissional da informação tem, por legitimidade, o dever de despertar na sociedade o entendimento do conceito, filosofia e prática que permeiam a CoInfo, pois ele é o principal conhecedor das formas, estruturas e complexidades que envolvem o uso da informação de qualidade para a transformação do conhecimento. É ele quem deve ser a “bússola” que irá nortear as pessoas para a valorização de uma cultura da informação e da CoInfo.

É recomendável que o profissional da informação seja o principal promotor, sensibilizador e mediador da CoInfo no diálogo com a comunidade e ambiente em que está inserido - seja em bibliotecas, arquivos museus, empresas, etc. -, pois só desta forma terá condições de implantar e institucionalizar programas de desenvolvimento/aprimoramento da CoInfo. 

Dito o exposto, trataremos em nosso próximo bate-papo sobre questões relacionadas à qualidade da informação, à diferença entre os conceitos de competência, capacidade, habilidade e atitude que constituem a CoInfo, bem como sua estruturação em programas de desenvolvimento/aprimoramento. Até mais!

Referências

(1) MANGUEL, Alberto. A biblioteca à noite. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

(2) BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Educação de usuários de bibliotecas
universitárias: da conceituação e sistematização ao estabelecimento de diretrizes.
1989. 107f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) – Escola de
Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989.

(3) ABELL, Angela. et al. Alfabetización en información: la definición de CILIP (UK). Boletín de Asociación Andaluza de Bibliotecarios, n. 77, p. 79-84, 2004.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

100 sites de pesquisa acadêmica que você deveria conhecer


Olá, pessoal!
Quando você precisa de material acadêmico para fazer algum trabalho, você sabe onde procurar?
Pois saiba que existem inúmeros sites com um infinito material sobre todo tipo de assunto. E para ajudar nesse momento que disponibilizamos nada menos que 100 sites de pesquisa acadêmica que você deveria conhecer.
São textos, documentos, resenhas, artigos, áudios, vídeos e tudo o que você precisa para fazer uma pesquisa acadêmica completa. E além de tudo, é ainda mais conhecimento ao alcance de um clique.
Dentre tantas opções, destacamos 4 delas:
Este site é muito interessante. Nele você pode pesquisar por todo tipo de línguas e linguagens do mundo com enciclopédia de referências de todas as palavras conhecidas dos idiomas ainda existentes. A busca é dividida por países, mapas, nome da língua ou até uma palavra conhecida.
Você sabia que no Brasil, por exemplo, foram listadas 238 linguagens? São 5 linguagens instituídas, 29 se desenvolvendo, 26 em uso, 57 com problemas e 99 linguagens morrendo.
Tudo o que você precisa para fazer uma pesquisa científica, escrever um artigo, uma monografia, dissertação ou apenas para ler e enriquecer seu conhecimento acerca de temas dessa área, você encontra aqui. É como um Google científico com buscas por documentos, autores e grupos.
Todo assunto relacionado à literatura científica está nesta Biblioteca Digital de Pesquisa Científica.
O The Virtual Learning Resoucers Center (Centro de Recursos para o Aprendizado Digital) tem uma busca do Google personalizada com milhares dos melhores sites acadêmicos selecionados por professores e profissionais de bibliotecas do mundo inteiro para atender às necessidades de educadores e alunos.
Professor: encontre planos de aulas, sugestões, materiais, apresentações e muito mais. Estudante: ache apostilas, textos, dicas de estudos, planilhas e tudo o que você precisa para facilitar sua vida na escola.
Este site de buscas da Microsoft oferece acesso a mais de 38 milhões de publicações acadêmicas com imagens, gráficos e outros tipos de recursos. A pesquisa pode ser feita por autor, publicação, textos, conferências, palavras-chave e organizações.
Tá curioso? Então, confira a lista completa abaixo, salve esses sites nos seus favoritos e mãos à obra! Todas as páginas são em inglês.
100 sites de pesquisa acadêmica
Livros e Jornais
  • Google Scholar: encontre todo tipo de material didático.
  • Google Books: pesquise um índice de livros do mundo inteiro, com várias opções gratuitas.
  • WorldCat: itens de 10 mil bibliotecas como livros, DVDs, CDs e artigos.
  • Open Library: encontre livros clássicos, e-Books e todo tipo de material gratuito. Você pode indicar textos para o site.
  • Directory of Open Access Journals: ache textos de alta qualidade.
  • Scirus: exclusivo para informações científicas. São mais de 460 milhões de materiais da área.
  • Jurn: resultados de pesquisa de mais de 4 mil jornais escolares gratuitos sobre artes e humanidades.
  • SpringerLink: publicações digitais, protocolos e livros sobre todo assunto possível.
  • Vadlo: repositório de pesquisas científicas.
  • Online Journals Search Engine: ferramenta de pesquisa científica poderosa em que você pode achar jornais, artigos, reportagens e livros científicos.
  • Bioline International: para publicações científicas; feita por cientistas de maneira colaborativa.
  • HighBeam Research: pesquise com vários tipos de filtros e ferramentas.
Negócios e Economia
negocios-e-economia
  • Research Papers in Economics: pesquisa em economia e ciências relacionadas. Artigos, livros e até softwares com mais de 1,2 milhões de resultados.
  • Virtual Library Labour History: esta biblioteca oferece conteúdo histórico sobre economia, negócios e muito mais.
  • EconLit: acesse todo tipo de material de mais de 120 anos de literatura sobre economia mundial de 1886 a 1968.
  • National Bureau of Economic Research: tenha acesso a grandes ferramentas na pesquisa sobre economia.
  • BPubs: tenha acesso a publicações sobre negócios e mercado em uma ferramenta de busca especializada.
  • DailyStocks: site para monitorar ações de mercado.
  • Inomics: economistas vão adorar este site com recursos que incluem empregos, cursos e conferências.
  • EDGAR Search: sistema de pesquisa eletrônica com documentos e textos sobre investimento.
  • Corporate Information: perfeito para empresas de pesquisa.
História
historia
  • Library of Anglo-American Culture and History: guia histórico da Biblioteca Anglo-Americana de Cultura e História.
  • Internet Modern History Sourcebook: milhares de materiais sobre história moderna.
  • American History Online: encontre coleções de materiais históricos digitais.
  • David Rumsey Historical Map Collection: mais de 30 mil imagens históricas que podem ser buscadas por palavra-chave.
  • HistoryBuff: arquivo de jornais históricos online e biblioteca de referência.
  • Genesis: excelentes materiais sobre a história da mulher.
  • Fold3: tenha acesso a um grande arquivo histórico militar com registros originais e memoriais.
  • Internet Ancient History Sourcebook: bom lugar para pesquisar sobre a origem humana com textos completos sobre antigas civilizações como Mesopotâmia e Roma, além da origem cristã.
  • History and Politics Out Loud: pesquise registros importantes da história do mundo, principalmente material político em áudio.
  • History Engine: ferramenta colaborativa para educação em que os alunos aprendem história ao pesquisar, escrever e publicar artigos, criando uma grande coleção de textos sobre a história dos EUA que podem ser buscados por outros alunos.
  • Digital History: banco de dados digital histórico da Universidade de Houston com links para textos e todo tipo de material educacional sobre história.
Ciências Sociais
ciências-sociais
  • WikiArt: acesso livre a artigos sobre arqueologia.
  • Anthropology Review Database: banco de dados com resenhas e vários outros materiais sobre antropologia.
  • Behavioral Brain Science Archive: extenso arquivo para pesquisa sobre artigos de ciência do cérebro e psicologia.
  • SocioSite: site feito pela Universidade de Amsterdã  com material de assunto sociológico incluindo ativismo, cultura, paz e racismo.
  • Psycline: localizador de artigos e textos sobre psicologia e ciências sociais.
  • Social Sciences Citation Index: site pago, mas que vale a pena devido à riqueza e relevância dos artigos apresentados na pesquisa.
  • Ethnologue: pesquise por todo tipo de línguas e linguagens do mundo com enciclopédia de referências de todas as palavras conhecidas dos idiomas ainda existentes.
  • Political Information: ferramenta de busca sobre política com mais de 5 mil sites cuidadosamente escolhidos.
  • The SocioWeb: guia para todo tipo de material sociológico que possa ser encontrado na internet.
  • Encyclopedia of Psychology: informações básicas ou não, traduzidas para o inglês sobre carreiras na psicologia, organizações, publicações, pessoas e história.
  • Anthropological Index Online: pesquisa em mais de 4 mil periódicos da Biblioteca do Museu de Antropologia Britânico, assim como filmes do Instituto Royal de Antropologia.
  • Social Science Research Network: grande variedade de artigos sobre ciências sociais de fontes especializadas.
Ciências
ciências
  • WorldWideScience: mostra excelentes resultados na pesquisa de ciências e até em bancos de dados específicos.
  • SciCentral: as melhores fontes sobre ciências com pesquisas de literatura, banco de dados e outros recursos para achar o que precisa. (Este site deixou de exibir o conteúdo. Atualizado em 10/12/2015)
  • CERN Document Server: esta organização de pesquisa nuclear disponibiliza um grande diretório com experimentos, arquivos, artigos, livros e apresentações de seu acervo.
  • SciSeek: ferramenta de pesquisa científica com o melhor que a internet pode oferecer.
  • Chem BioFinder: tudo sobre química, incluindo propriedades e reações.
  • Biology Browser: encontre pesquisas, recursos e informações na área de Biologia.
  • Athenus: autoridade em ciência e engenharia na web.
  • Strategian: encontre informações de qualidade em todas as áreas da ciência como livros completos, jornais, revistas e muito mais.
  • Science.gov: neste portal da ciência feito pelo governo norte americano, você pode pesquisas em mais de 50 bancos de dados e 2100 sites selecionados de 12 agências federais.
  • Analytical Sciences Digital Library: ache recursos educacionais na área de ciências com uma grande variedade de formatos e aplicações.
Matemática e Tecnologia
matemática-e-tecnologia
  • Math WebSearch: neste site você pode fazer uma busca por números e fórmulas, além de textos. (Este site deixou de exibir o conteúdo. Atualizado em 03/12/2015)
  • MathGuide: encontre diversas fontes de informação sobre matemática.
  • Citebase: recurso para achar materiais de matemática e tecnologia, entre outros assuntos.
  • ZMATH Online Database: milhões de resultados de milhares de artigos sobre matemática desde 1826.
  • CiteSeerX: através deste site você tem acesso à Biblioteca Digital de Pesquisa Científica.
  • Current Index to Statistics: índice bibliográfico com publicações sobre estatística, probabilidade e áreas correlatas. (Este site deixou de exibir o conteúdo. Atualizado em 03/12/2015)
  • Inspec: banco de dados feito para cientistas e engenheiros pelo Instituto de Engenharia e Tecnologia. São mais de 13 milhões de resultados na busca por física e engenharia..
  • The Collection of Computer Science Bibliographies: mais de 3 milhões de referências em artigos, textos, jornais e relatórios técnicos de ciências.
Bancos de Dados e Arquivos
banco-de-dados-arquivo
  • NASA Historical Archive: explore a história espacial neste arquivo da NASA.
  • Smithsonian Institution Research Information System: tenha acesso a recursos do Instituto Smithsonian através do exclusivo sistema de pesquisas.
  • The British Library Catalogues & Collections: explore a Biblioteca Britânica e todo seu material catalogado tanto impresso quanto digital.
  • Library of Congress: acervo da Biblioteca do Congresso norte-americano; acesso a documentos, fotos históricas e incríveis coleções digitais.
  • CIA World Factbook: a agência de inteligência dos EUA oferece muita informação de referência mundial como história, pessoas, governos, economias e muito mais.
  • Catalog of U.S. Government Publications: pesquise o catálogo de publicações do governo dos EUA para achar textos históricos e atuais.
  • National Archives: acesse os Arquivos Nacionais e pesquise documentos históricos, com informações do governo e muito mais.
  • Archives Hub: encontre o melhor do que a Grã-Bretanha tem para oferecer nestes arquivos de mais de 200 instituições britânicas.
  • arXiv e-Print Archive: arquivos da Universidade Cornell e acesso a materiais de matemática, ciências e assuntos relativos.
  • Archivenet: iniciativa do Centro Histórico Overijssel, o site facilita a busca de arquivos em holandês.
  • National Agricultural Library: serviço do Departamento de Agricultura norte-americano com todo tipo de informação relacionada a agricultura.
  • State Legislative Websites Directory: use este banco de dados para achar informações de legislaturas sobre todos os estados americanos.
  • OpenDOAR: busque por pesquisas acadêmicas gratuitas.
Geral
geral
  • Mamma: a mãe das ferramentas de pesquisa a reunir os melhores recursos da web. (Este site deixou de exibir o conteúdo. Atualizado em 08/12/2015)
  • Dogpile: encontre o melhor das maiores ferramentas de busca com resultados do Google, Yahoo! e and Bing.
  • MetaCrawler: pesquisa ferramentas de pesquisa com resultados do Google, Yahoo! e Bing.
  • iSEEK Education: ferramenta de pesquisa destinada a especialmente a estudantes, professores, administradores e tutores.
  • RefSeek: mais de 1 bilhão de documentos, sites livros, artigos, jornais sobre qualquer assunto.
  • Internet Public Library: encontre materiais diversos divididos por temas.
  • Digital Library of the Commons Repository: encontre literatura do mundo inteiro incluindo acesso gratuito a textos, artigos e dissertações.
  • Google Correlate: permite encontrar pesquisas que se relacionam com dados da vida real.
  • Virtual LRC: tem uma busca do Google personalizada só com o melhor dos sites acadêmicos. O material é disponibilizado apenas por professores e profissionais da área.
  • Academic Index: este diretório foi criado só para estudantes. As indicações deste site são de professores, bibliotecários e profissionais da educação.
  • OAIster: ache milhões de recursos digitais de milhares de contribuintes, com acesso livre.
  • Infomine: ferramenta incrível para encontrar recursos digitais educativos, principalmente em ciências.
  • Microsoft Academic Search: oferece acesso a mais de 38 milhões de publicações com imagens, gráficos e outros tipos de recursos.
  • Wolfram|Alpha: este site não só acha links, mas responde perguntas, analisa e gera relatórios.
  • BUBL LINK: catálogo baseado no Dewey Decimal system. (Este site deixou de exibir o conteúdo. Atualizado em 03/12/2015)
Referências
Outros
  • Artcyclopedia: encontre tudo o que você precisa sobre arte em mais de 160 mil links e quase 3 mil sites.
  • Lexis: encontre material confiável e autorizado neste site.
  • Education Resources Information Center: registros bibliográficos sobre literatura educativa.
  • PubMed: site da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA onde você encontra textos e artigos completos sobre medicina. São mais de 19 milhões disponíveis.
  • MedlinePlus: serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA com ferramenta de busca e dicionário para materiais cuidadosamente escolhidos sobre saúde.
  • Circumpolar Health Bibliographic Database: banco de dados com mais de 6 mil registros relacionado à saúde humana na região do círculo polar.
Ufa! Não é por falta de pesquisa acadêmica que você não vai fazer algum trabalho acadêmico. É conhecimento a dar e vender, aproveite!
Até mais!