terça-feira, 30 de junho de 2015

Bibliotech: a primeira biblioteca pública dos EUA sem livros impressos

Todas as 10 mil obras estão disponíveis em formato digital

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Para quem não tem acesso à rede, pode visitar a sede física da Bibliotech
Foto: Divulgação

RIO – A primeira biblioteca pública totalmente digital dos EUA foi aberta recentemente no condado de Bexar County, no estado do Texas. Agora, todos os 1,7 milhões de habitantes da região podem acessar gratuitamente o acervo com cerca de 10 mil obras. Melhor, para ter acesso aos livros não é necessário se locomover até o prédio físico da biblioteca, basta acessar a internet.
O projeto Bibliotech foi desenvolvido pelo juiz Nelson Wolff, um amante da literatura e colecionador de obras raras, também responsável por levar ao condado uma biblioteca com livros impressos de US$ 38 milhões na década de 1990. A nova empreitada custou apenas US$ 2,4 milhões.
- Eu olho hoje para aquela biblioteca e fico orgulhoso, mas penso: o que vamos fazer com ela? - disse Wolff sobre sua antiga obra, em entrevista ao site CNet.
O prédio físico da Bibliotech se localiza na cidade de San Antonio. Para funcionar durante 8 horas diárias, a biblioteca tem apenas duas funcionárias, as jovens Ashley Eklof e Catarina Velasquez.
- Nós podemos focar nas necessidades da comunidade e não temos que lidar com os processos físicos dos livros – explicou Ashley.
Para ter acesso ao acervo, os moradores do condado podem se registrar on-line e baixar os títulos em seus próprios tablets e computadores. Caso a pessoa não tenha acesso à internet ou precise de leitores, pode se dirigir à sede física da biblioteca.
Estão à disposição da população 800 e-readers, sendo 200 especiais para crianças, 48 computadores, 10 laptops e 40 tablets. Os leitores podem ser emprestados por duas semanas e eles já vão carregados com as obras escolhidas. Caso não sejam devolvidos no prazo, o usuário recebe multa diária de US$ 1 até o 14º dia. A partir de então, o aparelho é dado como perdido e a multa de US$ 150 é adicionada à conta.
A duração do empréstimo dos livros digitais é de 14 dias, mesmo que baixados no leitor próprio do usuário. A partir desse período, a obra é excluída do software utilizado para a distribuição e leitura.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/bibliotech-primeira-biblioteca-publica-dos-eua-sem-livros-impressos-10889318#ixzz3eZr9CZnY 
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sexta-feira, 26 de junho de 2015

22 livros escritos por mulheres que todo homem deveria ler

Andréa Martinelli - Brasil Post - 01/12/2014

Pare um minuto do seu dia e olhe fixamente para a sua estante de livros.

Quantas autoras mulheres você consegue contar?

Vamos te dar alguns segundos para isso:

Se você tem mais de uma escritora em sua coleção particular já é um bom sinal.

A maioria não se importa se um livro é ou não escrito por uma mulher.

Talvez por isso o papel das mulheres na literatura ainda seja tímido e, muitas vezes, classificado apenas como literatura "feminina" (lembra-se das Sabrinas e Júlias nas bancas?); enquanto livros escritos por homens não são tomados como "masculinos".

Uma pesquisa divulgada pela editora Alpaca em maio deste ano, aponta que 50% das pessoas leem cerca de 10 livros por ano e cerca de “1 a 2 livros” ou de “3 a 5 livros” escritos por mulheres. Se você quiser ler a pesquisa completa, é só clicar aqui.

O portal VIDA (Women in Literary Arts), que verifica a presença numérica das mulheres na literatura, comprova que há uma divisão entre a presença dos gêneros nos principais jornais do mundo, em que as mulheres representam um número muito menor entre as autoras de obras resenhadas.

Para tocar nessa ferida, o projeto "Read Woman 2014", da escritora Joanna Walsh, ganhou proporção mundial neste ano e até uma hashtag e um Tumblr em português foram divulgados: #leiamulheres2014. E ela tem apenas uma intenção:

Quer que mulheres sejam (mais) lidas. E nós também!

A editoria Outra Medida, do Brasil Post e que está presente em todas as edições do Huffington Post, tomou os homens como tema principal recentemente. Aproveitando este gancho, eis aqui uma seleção de livros escritos por mulheres que todo homem precisa ler (ou pelo menos deveria) . Mas se você não é homem e ainda não conhece ou ainda não leu algumas delas, esta é a sua chance.
Veja a lista neste link.
http://www.brasilpost.com.br/2014/12/01/homem-livros-mulher_n_6227606.htmlhttp://www.brasilpost.com.br/2014/12/01/homem-livros-mulher_n_6227606.html

O que está por trás do sucesso dos livros de colorir?

Modismo ou não, as publicações escancaram uma tendência que veio para ficar e representa oportunidades para empreendedores: a busca das pessoas por atividades relaxantes

Por Roberta Moraes, do Mundo do Marketing | 24/06/2015

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

Febre entre os adultos que buscam atividades para aliviar o estresse, os livros de colorir se transformaram na salvação do mercado editorial neste ano e abriram oportunidades para muitos outros negócios. Disponibilizado há cerca de sete meses no Brasil, esse tipo de publicação vem registrando números volumosos de venda. O segmento deve movimentar cerca de R$ 50 milhões em livrarias e bancas de todo o país, de acordo com projeções da Dinap, responsável pela distribuição de 60 títulos de 10 grandes editoras. Nos últimos dois meses, a livraria Saraiva, por exemplo, registrou aumento de 57% nas vendas de livros na área de Artes, seção que integra as publicações interativas. A categoria, que em 2014 representava 3% nas vendas de varejo, hoje registra 5%.
Se a moda veio para ficar, só o tempo dirá, mas o sucesso dessas publicações reforça a chegada de um movimento muito maior criado pela necessidade das pessoas colocarem o pé no freio e se dedicarem mais a atividades off-line. Essa tendência foi o que motivou a Sextante a colocar no mercado nacional o livro Jardim Secreto no fim de novembro de 2014, o primeiro a chegar por aqui. A editora resolveu apostar na publicação após registrar o sucesso do livro Atenção Plena, que trata sobre uma linha da meditação desvinculada de qualquer religião e que consiste em estar aberto à experiência presente. Atenta ao movimento que reforça esse propósito do relaxamento, a empresa apresentou aos clientes o livro de desenhos com tiragem inicial de 15 mil exemplares, considerando que seria um número alto para a realidade brasileira. Mas o resultado foi surpreendente.
Com projeção de vender 100 mil unidades em um ano, a companhia já registrou a comercialização de 750 mil exemplares desde o lançamento. A editora conta ainda com outros títulos que estão tendo desempenhos semelhantes. A expectativa é de que o sucesso continue. “É uma moda que tende a ficar, talvez com menos força daqui a algum tempo, mas sempre mantendo este tipo de proposta. As pessoas estão sempre buscando coisas novas, por isso, é possível que apareçam outros tipos de passatempo. As empresas, agora, devem buscar outras iniciativas que possam oferecer para as pessoas esse relaxamento que todos estão em busca”, comenta Eliana Formiga, Coordenadora do Curso de Design da ESPM-Rio, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Oportunidade de novos negócios
Não são apenas editoras, bancas e livrarias que estão lucrando com essas publicações. Alguns empreendedores conseguiram enxergar uma oportunidade para seus negócios e se aproveitam da nova febre editorial. A Papel & Estilo, por exemplo, se inspirou nos desenhos para colocar no mercado convites ilustrados. O modelo pode ser aproveitado para qualquer tipo de evento, mas a novidade agradou principalmente as noivas que estão sempre em busca de inovações para os casamentos.
Os convites ilustrados foram lançados em maio, época em que acontecem inúmeros eventos destinados a eventos matrimoniais, e em menos de um mês a empresa registrou cerca de 30 pedidos feitos por casais dos quatro cantos do país. O item custa R$ 39,90 a unidade e acompanha uma caixa personalizável e lápis de cor, permitindo que a brincadeira comece no momento da entrega. Além de estimular a criatividade, esses modelos criam uma interação entre os convidados e o evento antes mesmo dele acontecer. Além de proporcionar momentos de relaxamento com pintura, os desenhos podem ser compartilhados nas redes sociais com a hashtag criada exclusivamente para a festa, possibilitando que cada convidado veja o desenho do outro.
O investimento na novidade gerou muito mais do que lucro para a Papel & Estilo. “As vendas superaram as nossas expectativas, mas a exposição da nossa marca foi o que mais surpreendeu durante este mês. Desde que lançamos esse convite já fomos procurados por diversos veículos que querem saber um pouco mais da nossa iniciativa. A mídia que gerou é ainda mais surpreendente do que a própria venda”, reconhece Fernando Toríbio, Diretor de Marketing da Papel & Estilo, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Organizadores personalizados
Os livros de colorir reúnem um público apaixonado e, em geral, quem compra uma publicação acaba adquirindo muitas outras. Para facilitar o acondicionamento, a artesã Juliana Claudino desenvolveu um organizador exclusivo para que o kit, livro e lápis, fique junto. A criação foi pensada, inicialmente, como opção de presente para o Dia das Mães, já que, após se aventurar nas ilustrações, ela resolveu dar uma edição de “O Jardim Secreto” para a própria mãe. O presente ganhou um vídeo, que foi parar no Facebook. A partir daí, o sucesso foi imediato, afinal, a rede social conta com um grupo fechado com quase 40 mil integrantes e outro aberto com mais de 11 mil participantes destinados apenas para quem quer trocar experiências com os desenhos e lápis de cor.
Atuando com artesanato há seis anos, Juliana é professora de customização de chinelos, mas no último mês os organizadores de livros de colorir se tornaram sua principal fonte de renda. Após desenvolver a concepção da bolsa, que levou quase um dia, a profissional, agora, leva cerca de três horas para produzir cada unidade, que custa R$ 85,00. A maleta tem o formato similar a uma pasta, aberta por um zíper, e no interior conta com diversos bolsos que permitem o armazenamento de caixas de canetinhas e lápis para colorir, além de compartimentos adequados para a inclusão de lápis avulsos e bolso interno com capacidade para até três livros.
As redes sociais se tornaram o principal canal de divulgação dos produtos, que são produzidos em Limeira, interior de São Paulo. “Antes de desenvolver as bolsas, comecei a participar dos grupos para pegar modelos, dicas de pintura e interagir com as outras pessoas que também têm esse hobby. Logo depois que criei os organizadores, passei a divulgá-los nesses mesmos grupos e também no Instagram, sempre utilizando a hashtag com o nome dessas publicações. A estratégia tem dado muito certo e consigo chamar a atenção de clientes que querem guardar seus livros e transportá-los com facilidade. Tenho atendido pessoas de todo o país”, comemora a artesã Juliana Claudino, Proprietária da Jully Arts, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Momento para relaxar
O trabalho da artesã gera o interesse imediato daqueles que encontraram nos desenhos uma maneira de se esquivar dos estímulos sensoriais a que a sociedade cada vez mais conectada está exposta. A escolha pela atividade manual mostra um retorno que essa geração, que teve que se reinventar no ambiente online, faz ao optar por hobbies que os deixem desconectados. Relaxamento, aumento na concentração, da coordenação motora e diminuição da ansiedade são alguns dos benefícios elencados pelos adeptos.
Utilizada como terapia ocupacional, a dedicação à pintura está transformando a realidade de muitos usuários. “Minha vida mudou depois que passei a colorir os livros, até o sono melhorou. Fico mais concentrada e relaxada. Inclusive a minha pressão arterial está mais controlada. E o melhor de tudo é que, enquanto estou pintado, fico livre das telas do telefone e do computador, o que é um alívio já que passo o dia inteiro conectada”, comemora a jornalista Célia Serafim, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Na família Serafim, a paixão pelos livros de colorir está sendo repassado entre os parentes. Tudo começou com a cunhada da jornalista, que além de ter que dividir suas publicações com a filha, resolveu presentear a sogra com uma publicação. E foi pegando os desenhos da mãe que Célia passou a ter contato com os desenhos impressos. Desde então, ela já investiu cerca de R$ 200,00 comprando os livros e lápis de cor. “Minha mãe brigava porque eu pegava os desenhos dela para colorir. Ela é cadeirante e a experiência com os desenhos foi excelente para melhorar a coordenação motora. Atualmente, estou pintando três livros com temas diferentes e já comprei outros dois para a minha coleção”, finaliza Célia Serafim.

13 livros infantis para ensinar direitos humanos às crianças

Andréa Martinelli - Brasil Post - 23/05/2015

"Você conhece a Malala?"

"Sim. Minha professora de história me contou que ela é muito importante"

Um adulto fez a pergunta acima e quem respondeu foi uma menina de sete anos, enquanto esperava na fila para autografar seu livro novo. O título? Nada de histórias pré-fabricadas sobre príncipes e princesas, mas a de uma das vozes mais importantes contra a opressão feminina no mundo: Malala Yousafzai.

Escrito pela jornalista Adriana Carranca, Malala - A menina que queria ir para a escola (Companhia das Letrinhas, R$ 29,90), inaugura um novo gênero que foi batizado de "livro-reportagem para crianças". Carranca viajou até o vale do Swat, no Paquistão, e conta de forma didática como era a vida da menina que ficou conhecida por defender o direito à educação, sofreu um atentado por isso, e sobreviveu para contar. Hoje Malala é ativista na ONU e dona de um prêmio Nobel da Paz.

"Ali havia príncipes, guerreiros, rainhas. Havia os vilões, que eram os homens barbudos das montanhas. Tinha o sonho da menina que queria ser alguém, mas não pela via do casamento. Tudo isso em um vale que parecia encantado. Fui percebendo como tudo seria interessante para as crianças", disse Adriana para O Globo.

Além de Malala, outros títulos publicados colaboram para que a discussão sobre direitos humanos no dia a dia com as crianças se torne frequente -- com histórias que vão muuuuuuito além dos contos de fadas e histórias para dormir. Aqui estão 13 deles para você escolher:

Malala - A menina que queria ir para a escola
No primeiro livro-reportagem destinado ao público infantil, a jornalista Adriana Carranca relata às crianças a história da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, baleada por membros do Talibã aos catorze anos por defender a educação feminina. Na obra, a repórter traz suas percepções sobre o vale do Swat, a história da região e a definição dos termos mais importantes para entender a vida desta menina tão corajosa. (Companhia das Letrinhas, R$ 29,90)
A esperança é uma menina que vende frutas
Viajando de trem para uma cidade grande, uma garota sobe em seu beliche, silenciosa mas com olhos que parecem dizer muitas coisas, e permanece ali, sem comida e companhia. É com essa recordação que Amrita Das inicia este livro, resultado de uma oficina de texto e ilustração que cursou em Chennai, na Índia. Como uma das mais importantes representantes da arte folclórica indiana chamada Mithila, a artista aproveita este espaço para falar sobre as dificuldades de uma infância pobre, a vida das mulheres na Índia, a luta pela liberdade em uma sociedade patriarcal, entre outros assuntos que, de uma forma ou de outra, dizem respeito a todos nós. Através de belas palavras e imagens, ela apresenta a sua história e dissemina um pouco da esperança que parece acompanhar sua arte. (Companhia das Letrinhas, R$ 29,90)

O que é a Liberdade?
Para muitos, o passarinho é um símbolo da liberdade. Mas será que ele se sente livre mesmo? E afinal, o que é a liberdade? Foi pensando nesse conceito tão difícil de compreender que Renata Bueno escreveu este livro recheado de diálogos curiosos entre um passarinho e personagens como um lápis, um camaleão, um espelho, um mágico... As respostas poéticas de cada um deles sobre o que é a tal da liberdade vão fazer tanto o passarinho quanto os leitores perceberem que essa sensação pode ser diferente para cada um de nós — e nem por isso menos autêntica. (Companhia das Letrinhas, R$ 34,90)
Flicts
Em Flicts, Ziraldo conta a história de um mundo que é feito de cores, mas nenhuma é Flicts. Uma cor rara, frágil, triste, que procurou em vão por um amigo. Abandonada, Flicts olhou para longe, para o alto, e subiu, e teve que sumir, para finalmente encontrar-se. (Melhoramentos, R$ 41,00)
Acompanhando meu pincel
Ao percorrer as delicadas e vibrantes ilustrações nas páginas deste livro, o leitor fica conhecendo a história de como a sua autora, a indiana Dulari Devi, se tornou uma artista. Nascida em uma família pobre, de tradição pescadora, ela precisou trabalhar na infância, ajudando a mãe na plantação de arroz, cuidando dos irmãos mais novos em casa, fazendo trabalhos domésticos para os vizinhos. O que mais gostava de fazer, no entanto, era parar no caminho para ver as outras crianças brincarem (Martins Fontes, R$ 32,50)
A diaba e sua filha
Todos os dias, ao anoitecer, uma diaba de pele escura, olhos brilhantes e roupas muito limpas sai pelas ruas da cidade, batendo de porta em porta, em busca de sua filha perdida. Prestes a ajudá-la, as pessoas reparam que ela tem cascos negros e delicados no lugar dos pés e imediatamente a expulsam de suas casas, apagando as luzes até que se afaste. Ao narrar esse conto de mistério, antes uma alegoria sobre nossos próprios medos e preconceitos, a autora coloca bem e mal, humanidade e demônios, nós e os outros na mesma página, nos desafiando a buscar qualquer traço de humanidade dentro de nós mesmos. (Cosac Naify, R$ 29,90)
A Bela Desadormecida
Quando Belinha nasceu, seus pais deram uma grande festa e chamaram todo o mundo, menos a bruxa. Mas ela compareceu mesmo sem convite e levou como presente uma maldição: ao completar catorze anos, Belinha seria picada no dedo e, nesse instante, ela e todos os que estivessem por perto dormiriam um século. Os pais de Bela passaram catorze anos evitando que a filha se aproximasse de objetos pontudos ou cortantes. Mas o que aconteceu quando chegou o dia tão temido? É para esse momento que converge toda a emoção da história. O desenlace, como se verá, é adequado à época em que Belinha vive: ela é uma menina da metrópole, mora num apartamento e gosta de rock. As ilustrações, que têm um colorido pouco habitual nos livros infantis, colaboram para que nada seja adocicado nessa Belinha que desadormece, ainda que nela se espelhe a doçura dos contos de fada. (Companhia das Letrinhas, R$ 34,00)
A História de Júlia - E sua sombra de menino
Os pais de Júlia a criticam muito, sempre dizendo que ela se parece com um menino, no jeito, nas rouaps etc. Numa manhã, a garota percebe que sua sombra adquire o formato de um garoto, repetindo todos os seus gestos. Júlia se sente triste e acaba questionando sua própria identidade. (Editora Scipione, R$ 34,90)
É tudo família!
Davi tem um três-quartos-de-pai que ele adora. Carla e Maurício têm duas mães e dois pais. Carolina está muito triste e não quer ter outra mãe. Paula ganha duas festas por ano: a de aniversário e a de dia da chegada. O pai de Maurício chama-o de pituquinho. Lucinha tem a voz igualzinha à da mãe. Porém, todos têm algo em comum: pertencem a uma família, e toda família é única! (L&PM Editores, R$ 31,50)
O nascimento de Celestine
O nascimento de Celestine ocupa um lugar especial na obra da artista belga Gabrielle Vincent (1928-2000), criadora da série de álbuns ilustrados Ernest e Celestine, que conta com admiradores em todo o mundo - e já inspirou um longa-metragem de animação de mesmo nome, finalista do Oscar 2014. Neste livro de imagens, com delicadas ilustrações a pincel e tinta sépia, a autora narra a história de como Ernest, um urso solitário e de bom coração, encontrou a ratinha Celestine - e de como ambos se tornaram companheiros inseparáveis. Um clássico sensível e comovente, que praticamente dispensa as palavras, e toca direto o coração do leitor. (Editora 34, R$ 49,00)
O mundo no black power de Tay'o
Tayó é uma princesinha que chega em forma de espelho para que outras princesinhas se mirem, se reconheçam e cresçam, cumprindo a única missão que nos foi dada, ao virmos viver neste planeta: a de sermos felizes. (Peirópolis, R$ 34,00)
Um outro país para Azzi
A partir do olhar da menina Azzi, este livro retrata uma família do Oriente Médio, que se vê obrigada a fugir quando a guerra começa a afetar sua rotina. “Às vezes, o barulho das metralhadoras nos helicópteros era tão alto que as galinhas ficavam assustadas e paravam de botar ovos”, conta a protagonista, nessa narrativa ricamente ilustrada, revelando sua perspectiva da aproximação do conflito. (O Pulo do Gato, R$ 42,10)
Crianças como você
Celina, do Brasil, Ji-Koo, da Coréia do Sul, Houda, do Marrocos, Meena, da Índa, Esta, da Tanzânia... Crianças de verdade falam e escrevem sobre sua vida e seu jeito de ser. Surpreendente e emocionante, este livro é um marco. Ele faz uma viagem pelas diferentes culturas do mundo e mostra o cotidiano das crianças nos mais variados países. Editado em associação com o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Editora Ática, R$ 42,50)

Teoria das cores aplicada as artes manuais

http://www.revistaartesanato.com.br/wp-content/uploads/2015/06/infografico-teoria-cores.jpg
Como Usar a Teoria das Cores no Artesanato
Você já parou para pensar como as cores escolhidas para o seu artesanato podem fazer toda a diferença em seu resultado final? As cores, quando aplicadas de forma harmoniosa, tem o poder de agregar valor ao seu trabalho manual e de deixá-lo com uma aparência muito mais bonita.
Você sabe quais são as combinações de cores perfeitas para o seu artesanato? Para te ensinar como escolher corretamente as cores dos seus trabalhos manuais, nós preparamos um infográfico com o intuito de te mostrar como a Teoria das Cores pode ser usada de uma forma positiva e eficaz em seu artesanato.
Não importa que tipo de arte ou material você utilize, esse conceito é fundamental para você! Então estude tudo e anote cada detalhe.
Clique na imagem abaixo para uma visualização maior.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

BIBLIOTECAS, ARQUIVOS E MUSEUS: lugares do passado?

É voz corrente, quando se fala dos arquivos, bibliotecas e museus, serem eles espaços em que se guardam as antiguidades; espaços em que se preserva o passado. Há até uma frase constantemente empregada: “Lugar de velharia é museu”. Lógico que essa frase tem variantes, mas a ideia, o motivo para o qual é empregada é sempre o mesmo, ou seja, a identificação do museu como algo vinculado ao antigo, ao passado.

As bibliotecas, assim como os arquivos, têm o pó, cheiro desagradável, penumbra, funcionários velhos, antiguidade e outras coisas mais agregadas à suas imagens. A morte perambula por esses sítios, a ponto de conhecermos inúmeras histórias sobrenaturais que têm como palco, por exemplo, as bibliotecas.

Nos romances de Stephen King é recorrente a biblioteca como cenário. Basta lembrarmos de “It” e de “O policial da biblioteca”, são livros que conheço desse autor e que lidam com o terror tendo como foco a biblioteca ou o bibliotecário. No caso de “O policial da biblioteca”, o livro é dedicado aos bibliotecários de uma biblioteca americana.

Em Londrina, recordo-me de uma matéria publicada em um dos jornais da cidade, o “Jornal de Londrina”, com histórias contadas por funcionários e usuários da biblioteca pública da cidade.

Relatos de sons de correntes se arrastando ou sendo arrastadas, portas que se fecham sozinhas, murmúrios de vozes desconhecidas e sem que se detecte o local de onde são geradas. Essas e outas tantas situações são relatadas e fazem parte do imaginário da sociedade sobre as bibliotecas. Interessante que esses fatos ocorrem, quase sempre, durante a noite e quando a pessoa que os presencia está sozinha.

Tenho uma amiga que diz que, mesmo sem nunca ter presenciado nada, não gostava de ficar sozinha em uma determinada biblioteca universitária, pois a sensação que lhe dava era a de que as estantes e os livros guardados ali a atacariam, cairiam sobre ela e a afogariam.

O trabalho rotineiro, o silêncio obrigatório e imposto pelos funcionários da biblioteca, vinculam-se com a lentidão do tempo, com o passar do tempo diferenciado daquele que ocorre fora das paredes da biblioteca, do museu, do arquivo. Seria o passado tentando se manter ou mantido no tic-tac sonolento e repetitivo dos relógios que esses locais insistem em expor nos lugares mais altos das paredes, com o sentido de alerta para os horários de funcionamento ou como ferramenta de domínio, como evidência do inexorável passar do tempo?

Apesar da concepção de antiguidade, de passado e até mesmo de morte, parece-me que essas ideias vinculadas aos equipamentos informacionais são falsas. Não somos espaços do antigo, do passado, da morte, ao contrário, nossas ações e fazeres devem apontar para tornar o passado presente, tornar o passado vivo.

O conhecimento e a informação dão-se na relação, não existem estanques, não existem antes da relação com o sujeito. Aliás, defendo que o próprio conhecimento existe na relação. Somos produtos dos conhecimentos de outros e de nossos próprios conhecimentos, mas se fazendo na relação. A partir desse pensamento, tanto a biblioteca como o arquivo e o museu não existem apenas entre suas paredes, não existem apenas na disposição de conhecimentos passados. Sempre precisarão da relação com o presente, da relação com o pensar de hoje, da relação com a cultura de agora, com a cultura local.

Nossas concepções, hoje, não surgiram de um estalo nem são frutos de geração espontânea; também não são resultados naturais de um desenvolvimento humano que não permite mudanças ou do que muitos entendem por destino. O que vivemos hoje é fruto de embates e lutas de interesses, de desejos, de poder, de domínio. O que vivemos hoje é resultado dessas lutas. Delas, os mais fortes, os dominantes saíram vitoriosos.

Arquivos, bibliotecas e museus relacionam o passado e o presente, tornam viva a história. Para nós não deve existir, isoladamente, passado e presente. Para nós, vida e morte se integram. Para nós o novo é o antigo modificado, transformado, mas um antigo real, concreto. Esses espaços são mediadores entre passado e presente, morte e vida, antigo e novo.

 Sobre Oswaldo Francisco de Almeida Júnior

POR UMA BIBLIOTECONOMIA SOCIALISTA

As bibliotecas, historicamente, tiveram o papel de preservadoras do conhecimento produzido pelo homem. Mas, duas características nesse papel devem ser destacadas: 1) a preservação deu-se a partir de documentos tangíveis, palpáveis, concretos, materiais. A oralidade, por exemplo, foi desconsiderada, uma vez que não era passível de ser registrada, armazenada e recuperada quantas vezes necessária. A solução encontrada foi a de se registrar em documentos o conteúdo veiculado oralmente; 2) o conhecimento preservado era – e continua sendo – oriundo das classes dominantes, seja nos aspectos políticos, econômicos, culturais etc.

Os derrotados, os vencidos, seja nas lutas em corpo, nas guerras, seja nos embates de ideias, concepções, interesses e poder, não deixaram marcas, rastros, legados e heranças formalmente preservados. Uma das formas de se manter um poder é não permitir que a cultura dos outros esteja presente, visível. Assim, todo o conhecimento preservado pelas bibliotecas representa, veicula e reproduz interesses e necessidades dos que se apoderaram dos mecanismos e instâncias da sociedade. Isso permite a essa classe a imposição de concepções que atendem unicamente a formas de sua manutenção no poder.

As bibliotecas públicas, abertas a todos e financiadas integralmente pelo Estado, continuam atuando dentro dessa perspectiva, ou seja, preservando o conhecimento das classes dominantes. É notória a sua relação com os excludentes. Para sobreviver, essas bibliotecas firmaram um pacto tácito com os excludentes. Passam, no entanto, a ilusão de que atendem e estão voltadas para todos. Os Manifestos defendem, no âmbito do discurso, uma biblioteca pública democrática, aberta e servindo a todos. A realidade é completamente diferente. As ações desenvolvidas pelas bibliotecas públicas estão voltadas para a veiculação e disseminação de um olhar do mundo que interessa aos excludentes.

As propostas ditas inovadoras apenas envolvem as bibliotecas com uma capa mais bonita, embora mantenham intacta a base teórica de sustentação dessas bibliotecas. Uma tinta embeleza as paredes, mas a essência continua a mesma. As ações integram novos suportes, mas permanecem preservando e veiculando o conhecimento das elites.

As bibliotecas públicas, dentro da visão tradicional, não estão preocupadas com o conteúdo dos materiais, mas apenas com a oferta de acesso físico a eles. Nessa perspectiva, ler é bom independente do conteúdo, independente do que está sendo veiculado.

Essa postura vincula-se mais ao consumo do que à produção de informações; vincula-se mais à reprodução do que à transformação. Vale o quanto se lê e não a qualidade do que se lê. Bom leitor é aquele que lê muitos livros por ano.

Informação e leitura não são sinônimas.

A biblioteca pública privilegia o indivíduo e não o coletivo. Passa-se a ideia de que a cultura e o conhecimento são adquiridos de forma isolada, individualizada. Defendo que o conhecimento é construído individualmente, mas sempre na relação do sujeito com o mundo, com a natureza e com os outros. Na biblioteca os usuários são obrigados a permanecer em silêncio, exigido constante e insistentemente. Por que isso? Individualiza-se, com essa atitude – e mais, com o entendimento da qual ela tem origem – a relação com o conhecimento. A biblioteca desloca-se, afasta-se quando exige silêncio em um mundo barulhento; exige leitura, quando a tônica do mundo atual é a conversa, em todo o tempo e lugar, via celular.

Trabalhando com o consumo, privilegiando o individualismo, a biblioteca pública (e vários outros tipos de bibliotecas) se perfila com as bases de sustentação do capitalismo. A biblioteca é, em essência, hoje, produto do capitalismo.

Nas revoluções populares que ocorreram em determinados lugares do mundo, logo após elas, a saúde se modifica, adequando-se às novas bases de sustentação das políticas públicas; por seu lado, o mesmo ocorre com a educação; em igual medida, com a moradia, o entretenimento, o saneamento básico etc. Todos esses segmentos sofrem profundas mudanças claramente visíveis. Mas, em relação às bibliotecas, as revoluções populares em nada alteram o fazer delas. Antes da revolução as bibliotecas eram de uma forma, atuavam de uma forma; depois da revolução elas permanecem atuando da mesma maneira.

As bases conceituais, presentes na Biblioteconomia, determinam a concepção de que a biblioteca existe isolada da sociedade; seus acervos não atendem a interesses específicos, localizados, mas procuram apenas preservar um conhecimento que parece transcendente, muito acima das causas mundanas que determinaram as revoluções, as transformações.

A Biblioteconomia também é, em essência, hoje, fruto do capitalismo.

As bibliotecas consideram-se neutras, como o são (acreditam os bibliotecários) o conhecimento, a informação. Sendo neutras, as mudanças sociais não as afetam; sendo o conhecimento neutro, as informações neutras, não precisam ele e elas serem analisados, estudados, questionados. Os conflitos existem apenas pelo bom ou mau uso, que faz o homem, do conhecimento e das informações. Este e estas são bons em si mesmos.

Quantos textos conhecemos que falam e estudam uma “documentação popular”? Eu, particularmente, conheço apenas um, produzido nos anos de 1980. E pior: fruto de reflexões não oriundas da Biblioteconomia.

Precisamos repensar as bibliotecas e a Biblioteconomia. E precisamos repensá-las agora.

Por que não repensarmos as bibliotecas e a Biblioteconomia a partir de um ponto de vista socialista, uma Biblioteconomia Socialista?

(Estou montando um grupo de pesquisa para estudar essa possibilidade. Vou continuar postando alguns textos sobre isso aqui em minha coluna).

 Sobre Oswaldo Francisco de Almeida Júnior

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Fórum de Bibliotecários do Rio de Janeiro

A Biblioteconomia Escolar foi tema da sua quinta edição



http://biblioo.info/forum-de-bibliotecarios-do-rio-de-janeiro/

No estado do Rio, apenas 18% das escolas possuem bibliotecas. Em muitas destas, além da falta de espaço, há também a falta de um bibliotecário atuando. E quando há espaço este geralmente é transformado em espaços de leitura os quais, infelizmente, são pouco utilizados pelos professores das instituições. As informações foram transmitidas durante o 5º Fórum de Bibliotecários do Rio de Janeiro, cujo tema era a biblioteca escolar, realizado na Câmara Municipal de Niterói, município da região metropolitana do Rio, no dia 17 de abril. O evento foi uma realização do Conselho Regional de Biblioteconomia 7ª região (CRB7), em parceria com a Prefeitura de Niterói e Conselho Municipal de Cultura de Niterói (CMCN).
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
De acordo com os palestrantes, há carência de recursos financeiros e humanos neste espaços. Daniela Spudeit, coordenadora do curso de Licenciatura em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRI) e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que existe em torno de 188 mil escolas ativas, conforme o Censo Escolar de 2014, sendo que em 2011 tínhamos apenas 16.332 Bibliotecáriosregistrados nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, o que equivale a 8% da necessidade. Além disso, Spudeit mencionou que o bibliotecário que atua em instituições de ensino precisa fazer um trabalho interdisciplinar em conjunto com pedagogos e outros profissionais na escola para promover sempre a educação e a cultura.
Para Helba Oliveira, professora da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), especialista em Docência do Ensino Superior e bibliotecária do Arquivo Nacional, estes profissionais (bibliotecários e pedagogos) devem estar preparados para dar auxílio às crianças especiais, isto é, a biblioteca escolar deve ser acessível e inclusiva. Oliveira defendeu que, além dos alunos, a biblioteca escolar deve atender aos professores para uma formação continuada e aos pais, pois estes devem incentivar os filhos ao hábito da leitura.
Mariza Russo, professora do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBG/FACC/UFRJ) e doutora em Engenharia de Produção, pela COPPE/UFRJ, explicou que devido à carência de bibliotecas públicas, a biblioteca escolar deveria atuar como biblioteca comunitária, isto é, atender a todos da comunidade, sem distinção de raça, cor, religião, como previsto pela UNESCO, incentivando e transformando o ser humano. “As bibliotecas mudam vidas”, disse ela.
Apesar de ter tido pouca divulgação, fazendo com que muitos bibliotecários não conseguissem se planejar para comparecer, o evento teve um significativo número de participantes, dentre os quais estavam bibliotecários, docentes da área, estudantes (graduação e pós- graduandos) e outros profissionais da educação, como professores e pedagogos.
Previsto na programação do evento, os parlamentares, deputados estaduais Marcelo Freixo e Waldeck Carneiro, entre outros, não compareceram, o que foi justificada pelo presidente do CRB-7, professor Marcos Miranda, como uma falha de comunicação entre os organizadores e os parlamentares.
A Lei da Biblioteca Escolar e sua implementação
A Lei da Biblioteca Escolar (Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010), que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País, sancionada no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi bastante debatida. A lei, cujo prazo de aplicação vai até o ano de 2020, encontra dificuldades em sua implementação, sobretudo em função da carência de profissionais da área, conforme destacou o presidente do CRB7 e a Prof.ª Mariza Russo (CBG/FACC/UFRJ).
Em função desta carência, houve a criação de cursos à distância, como o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que iniciará suas atividades em 2016. Além, disso, existe o curso de Licenciatura em Biblioteconomia, reiniciado em 2010 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que tem como objetivo contribuir para a formação de profissionais habilitados para atuar nas escolas em conjunto com professores e bibliotecários para proporcionar uma educação de maior qualidade e desenvolver atividades que visem a formação de competências informacionais nos alunos.
Também foi colocado pelo representante do CRB7 que se faz necessário um planejamento emergencial para as bibliotecas do estado do Rio de Janeiro, devendo se colocar minutas da pauta biblioteca escolar nos 32 municípios da unidade federativa. Além disso, Miranda mencionou a necessidade de se ter uma Especialização em Biblioteca Escolar para qualificar profissionais e de criar um repositório com trabalhos na área. Ainda neste debate, foi colocada a ausência do profissional no Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), instituído em 2006 por iniciativa dos Ministérios da Cultura e da Educação do país.
As experiências com a biblioteca escolar
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
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Segundo Cilene Oliveira, da Gerência de Mídia-Educação da Prefeitura do Rio, em 2011 as bibliotecas da capital fluminense tornaram-se híbridas, virando biblioteca escolar e pública ao mesmo tempo (decreto municipal n. 33.444 de 01 de março de 2011). Cilene mencionou que a Prefeitura está transformando as bibliotecas em extensão da escola e que houve a necessidade de reforma física e estrutural. De acordo com ela, houve aquisição de acervo novo, como o de periódicos (jornais, gibis, entre outros) e também de computadores (Biblioteca ProInfo).
A bibliotecária e professora citou a necessidade de uma formação continuada e que estão sendo realizadas reuniões mensais, visitas técnicas a outras instituições e cursos em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). “Ainda temos muitos desafios”, disse ela. Dentre os desafios apontados por Cilene estão a questão salarial e de acervo, bem como a aquisição de um sistema para informatizar as bibliotecas.
A bibliotecária Rachel Polycarpo da Silva, responsável pela Biblioteca Flor de Papel da Superintendência de Documentação da Universidade Federal Fluminense (SDC/UFF) afirmou que das 26 bibliotecas que compõem a rede, duas são bibliotecas escolares: a Flor de Papel e a Monteiro Lobato. Segundo ela, a Biblioteca Flor de Papel é fruto de um projeto de extensão universitária entre as áreas de Biblioteconomia, Letras e outros cursos. Atendendo ao público pré-infantil da creche universitária, a biblioteca está adequada ao acesso das crianças aos livros e a literatura infantil, conforme destaca a bibliotecária.
Raquel lembrou o direito à liberdade de expressão previsto na Convenção dos Direitos das Crianças (Decreto no 99.710, de 21 de novembro de 1990), segundo o qual “esse direito incluirá a liberdade de procurar, receber e divulgar informações e ideias de todo tipo, independentemente de fronteiras, de forma oral, escrita ou impressa, por meio das artes ou por qualquer outro meio escolhido pela criança.”
Rachel enfatizou que a criança é uma usuária de informação, inclusive mais que o adulto, pois tudo para ela é informação, estando na fase de descobrir o mundo. A bibliotecária destacou algumas atividades da Flor de Papel, como o Varal do Livro, cujo objetivo é dinamizar o acervo; o Hospital do Livro, voltado à educação de usuários; a Fábrica de Palavras, que incentiva a ampliação do vocabulário; o Mural de Autores, onde os autores são apresentados aos leitores, entre outras.
A equipe da biblioteca preserva a formação continuada e a participação em mesas redondas sobre as bibliotecas e a educação infantil, conforme ressaltou Raquel. Segundo ela, muitos resultados foram observados desde a criação do projeto, como a alfabetização de algumas crianças, concluída ou em processo. Além disso, as crianças passam a gostar de ler e de ter a prática de ir à biblioteca, compreendendo esta como um espaço de criação.  Durante a sua explanação, Rachel apresentou cada membro da equipe e afirmou que é impossível trabalhar com uma equipe reduzida.
O bibliotecário Marcelo Marques de Oliveira, representante da Fundação Municipal de Niterói, mencionou a importância de recomendações acerca das Bibliotecas Escolares no estado do Rio de Janeiro a partir da Carta de Niterói (Documento propositivo aprovado durante o I Fórum Nacional de Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde em 2012), ressaltando a importância de políticas públicas para as bibliotecas públicas, escolares e comunitárias do município. Durante sua apresentação, mencionou a obra clássica da área “Miséria da biblioteca escolar” (editora Cortez, 1995), escrita pelo hoje deputado estadual Waldeck Carneiro.
Alan Cruz de Souza, bibliotecário responsável pela Biblioteca Professor Aloysio Jorge do Rio Barbosa do Colégio Pedro II, unidade Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, disse em seu relato que a biblioteca, quando assumida por ele, não era frequentada e o acervo era composto inicialmente pela doação da esposa do professor a qual a Biblioteca homenageia com o seu nome. Para que a biblioteca passasse a ser utilizada, segundo ele, houve a mudança do layout da mesma que ganhou um varal no qual os periódicos que chegam à instituição são exibidos e mudança de algumas “regras das bibliotecas” como “Aqui pode conversar”, “Não é proibido o uso do celular” etc.
Para aquisição de acervo, a Biblioteca fez uma parceria com a Fundação Dorina Nowill, que doa livros especiais e acessíveis. A instituição também fez parceria de empréstimo com o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB/RJ). Algumas atividades realizadas pela biblioteca são: 1) proteção de tela dos computadores com capas de livros e resenhas com seus respectivos números de chamada, dinamizando a informação; 2) criação da exposição “O livro além das páginas”, onde são exibidos livros que inspiraram músicas, filmes, peças de teatro, histórias em quadrinhos (HQs), assim como HQs que viraram filmes e 3) Cine Biblio, atividade em pareceria com um professor, onde é exibido um filme com temática histórica e, após a sessão, são apresentados livros com a mesma temática.
Na biblioteca foi criada a seção ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), IME (Instituto Militar de Engenharia), ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e concursos voltados, principalmente, para alunos do 3º ano do Ensino Médio. O bibliotecário também criou listas de sugestões para a aquisição de livros através do Google Docs o que, segundo ele, está tendo uma boa receptividade por parte dos alunos e do colegiado.
Conforme destacou Alan, o Colégio Pedro II, unidade Duque de Caxias, localiza-se numa região que possui muita necessidade informacional, atendendo não só alunos da unidade, como também alunos da Baixada Fluminense como um todo. O bibliotecário mencionou a necessidade de um trabalho em equipe, pois sozinho, o profissional não dá conta.
Quanto às “Reflexões e Recomendações acerca das Bibliotecas Escolares no Estado do Rio de Janeiro: A Carta de Niterói”, proposta inicial do evento, ficou acertado com CRB7 que será promovido outro encontro com a participação de outros membros da sociedade como sindicato dos professores e a presença de parlamentares.
Ficou evidente que muitos desafios a categoria terá que enfrentar não sozinha, mas buscando ajudas e parcerias, seja com entidades e com outros profissionais da educação. Ao que parece, muitas vezes a Biblioteconomia Escolar não é vista como atrativa devido à questão salarial e a falta de recurso humano, financeiro etc., mas que é um campo onde o bibliotecário é essencial, mostrando a sua importância dentro da instituição com projetos e atividades que estimulem a participação dos alunos.
Caso como as Bibliotecas Flor de Papel e do Colégio Pedro II – Unidade Duque de Caxias, mostram exemplos de atividades criativas e possíveis para serem trabalhadas em unidades de informação de instituições de ensino com alunos de todas as idades, da creche ao Ensino Médio.
Durante o evento houve ainda homenageou 16 bibliotecários escolares e populares.

100 anos de Biblioteconomia no Brasil

O bibliotecário precisa conhecer sua própria história


http://biblioo.info/100-anos-de-biblioteconomia-no-brasil-2/


No dia 12 de abril de 1915 iniciou-se as aulas do primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil. Cem anos depois, é um bom momento para se falar sobre a história dessa disciplina. Um famoso historiador inglês, Eric Hobsbawm, escreveu em seu livroSobre História (Cia das Letas, 1998): “Eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrario, digamos, de um físico nuclear, não pudesse, pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode”.

Hobsbawm estava falando do uso político, ideológico, da história, que é a matéria-prima para as ideologias nacionalistas, étnicas ou fundamentalistas, seja essa história embasada em fatos ou resgatada de algum passado mítico.
A história é um encadeamento de fatos, acontecimentos ao longo do tempo, fatos que são ao mesmo tempo causa e consequência, tudo o que acontece ajuda a determinar o que virá a seguir, podemos pensar na história como uma grande rede, sendo os fatos os nós da rede, tudo entrelaçado entre si, dando significado, mas também nos prendendo e nos determinando.
A História é a base na qual surgem as nações, ideologias e as áreas do conhecimento. Já as profissões surgem de uma necessidade específica de dada sociedade, mas é o movimento daquela ocupação ao longo do tempo que lhe dá corpo e a pode-lhes transformar em algo a mais, e todas as pesquisas, estudos e lutas desses profissionais é que tornam a profissão, seja lá qual for, no que é no mundo de hoje e podem torná-la uma ciência, como foi com a Biblioteconomia.
Jonathas de Carvalho, no livro Uma análise sobre a identidade da Biblioteconomia: perspectivas históricas e objetos de estudo(Edição do Autor, 2012), nos diz: “Mesmo diante das dificuldades é necessário a abordagem acerca da história da Biblioteconomia, a fim de compreender a sua identidade”. Ou seja, para nós bibliotecários entendermos a nós mesmos, por qual razão estamos aqui fazendo o que fazemos e nas condições que estamos, precisamos entender nossa história.
Aí começa o problema. Um duplo problema, na verdade. Temos uma baixa produção acadêmica sobre a nossa história, que por sua vez está ligada a outro problema que é a pouca importância que damos para isso. Sobretudo nas faculdades em geral, temos matérias nas grades do curso com nomes como Introdução ou Fundamentos à/da Ciência da Informação, ou à/da Biblioteconomia, que nos dão uma história factual, pouco mais que datas e acontecimentos marcantes, pouco relacionados entre si e com o momento histórico da época.
Podemos citar pouquíssimos autores nacionais que tratam direta ou indiretamente com essa questão nas décadas recentes. Inclusive alguns têm livros bases para essa discussão. Vou citar dois: Francisco das Chagas de Souza e César Augusto Castro. Ambos fundamentais para essa discussão, mas para uma área que tem agora 100 anos desde o surgimento do primeiro curso de Biblioteconomia, existem muitas questões ainda a serem discutidas.
No entanto, isso não nos interessa no dia-a-dia. Nós bibliotecários reclamamos de nosso presente, de nosso pouco reconhecimento na sociedade e olhamos para o futuro, ora com esperança, ora com temor; esperamos que o deus-maquina, com as novas técnicas e tecnologias, no ajude ou nos destrua. Só que não adianta olhar para o futuro e torcer que este resolva os problemas do presente. Temos que, na verdade, olhar para trás e ver o que nós fizemos.
Portanto, cabe aqui um pequeno resumo. Considero o ponto de partida da Biblioteconomia, tal qual existe hoje, a criação do curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional, em 1911, que só formou sua primeira turma em 1915. Essa data é interessante, pois o Brasil recebia um enorme fluxo de imigrantes, um grande número de fábricas nacionais começava a ser criado e o mundo passava pela Primeira Guerra Mundial.
Em função disso, pergunto: que influencias, se é que houve, esses fatos tiveram para a criação do curso? Esse curso visava o preparo de profissionais para trabalharem na Biblioteca Nacional, e eles deveriam ser pessoas eruditas, amantes dos livros e recebiam no curso o modelo francês de Biblioteconomia, da École dês Chartes.
Em São Paulo, o Mackenzie passa a ministrar um curso de Biblioteconomia com uma nova visão, seguindo o modelo norte-americano. Isso no ano de 1929. Temos aí um novo momento mundial: os Estados Unidos da América desponta como liderança mundial, e é o ano da crise mundial, ventos de mudança sopram no Brasil na década de 1920 com a Semana de Arte Moderna, movimento tenentista, guerras civis, organização maior dos trabalhadores, criação do PCB, elementos que levam a Revolução de 30.
O curso em São Paulo migra do Mackenzie para o Departamento de Cultura de São Paulo e de lá para a Escola Livre de Sociologia e Política, em 1940, estando lá até os dias atuais e graças a incentivos americanos, como a Fundação Rockefeller que preparou, apoiou e disseminou o modelo norte-americano, de São Paulo para todo o país.
Aqui cabe explicar quem eram esses primeiros bibliotecários, para entender suas lutas e visões, tanto os de São Paulo, como os do Rio de Janeiro. Eram a elite intelectual e financeira do país. Portanto, os rumos da área estavam ligados as suas visões de mundo. Em O ensino de Biblioteconomia no contexto brasileiro (EDUFSC, 2009), Francisco das Chagas de Souza nos mostra quem eram os interessados e que encabeçavam o curso:
“Mais uma vez, um curso de Biblioteconomia criado no país, dentro de um contexto sócio-político-econômico resultante de mudanças profundas veio a significar uma mudança de trajetória da Biblioteconomia no país, deixando patente a sua vinculação a classe dominante. Desde a ideia até os alunos, o curso, salvo raras particularidades, era projeto da elite, como toda a Biblioteconomia brasileira dos anos 1940 e 1950 próximos.”
Consolidado o curso de Biblioteconomia, no molde norte-americano, os bibliotecários se organizaram para lutar pelos seus direitos. Nos anos de 1954 e 1958 conseguiram o reconhecimento da profissão e em 1962 a lei na qual nos agarramos com unhas e dentes até hoje. Lutas que ocorreram para impedir que outros profissionais entrassem numa área que consideramos nossa, isso na época em que a industrialização no Brasil seguia em ritmo acelerado, o que demandava profissionais especializados, inclusive na área de organização documental.
Da consolidação da Biblioteconomia no Brasil, até o momento em que se lê esse texto, o bibliotecário discute sua formação, seu papel na sociedade, o seu ser e fazer. Nós fazemos isso a um bocado de tempo, sendo que os que começaram isso eram de uma classe abastada, lutando por seus direitos e visões de mundo.
Não estou com isso negando a importância deles, pelo contrário, nós não lembramos, mas eles devem ser lembrados: Rubens Borba de Moraes (que pelo menos ganhou uma biografia), Dorothy Gropp, Adelpha Figueiredo, Bastos Tigre, Laura Russo (fiquei espantando quando uma colega minha de estagio tinha que fazer um trabalho sobre ela e nada achava) e tantos outros. Lembrar-se deles não para enaltecê-los, e sim para entender seus papeis que determinaram nosso presente, seus avanços e limites.
Assim como precisamos nos lembrar e entender o papel que teve as associações e organizações dos bibliotecários, como a primeira criada e famosa Associação Paulista de Bibliotecários (APB). O que a APB fez? Pelo que ela lutou? Procurou alguma integração entre o profissional e a sociedade?
Olhamos para o futuro, no entanto, de lá não teremos nenhuma resposta. Só o passado pode responder as perguntas do presente, não como um guia para o futuro, mas como uma lição que devemos aprender. O passado não é um oráculo, mas um determinante do futuro. Temos muito que aprender com nossa história e um trabalho hercúleo para desenterrá-la dos escombros do passado e trazê-la à luz do presente, para enfim dizer: “somos isso e fizemos tais cousas que nos levaram ao agora”.
Por fim, termino com Hobsbawm e a esperança que essa pequena defesa pelo menos nos faça pensar de onde viemos como ciência e como classe profissional:
“A postura que adotamos com respeito ao passado, quais as relações entre passado, presente e futuro não são apenas questões de interesse vital para todos: são indispensáveis. (…) Não podemos deixar de aprender com isso, pois é o que a experiência significa. Podemos aprender coisas erradas – e, positivamente, é o que fazemos com frequência -, mas se não aprendermos, ou não temos nenhuma oportunidade de aprender, ou nos recusamos a aprender de algum passado algo que é relevante ao nosso proposito, somos, no limite, mentalmente anormais.”
Para Eric Hobsbawm, a reflexão sistemática sobre o objeto e os objetivos da narrativa historiográfica não se distingue da própria escrita da história. Cada parágrafo de sua obra traz implícita a força de suas convicções e a consciência aguda das responsabilidades que envolvem a tarefa do historiador. Nestes ensaios da maturidade, muitos deles ainda inéditos, Hobsbawm ocupa-se mais diretamente das armadilhas e métodos da disciplina que o consagrou como um dos observadores privilegiados do mundo moderno. A riqueza de seu longo e bem-sucedido percurso intelectual, voltado para o estudo das relações entre passado, presente e futuro, espelha-se na amplitude e importância das questões abordadas nesta coletânea