segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Desejo 2014

Psicólogo sonha em transformar Campo Grande na cidade da leitura

Mariana Lopes e Viviane Oliveira


Para a pessoa levar o livro é de graça, só precisa se comprometer a ler e a passar para frente. (Foto: Cleber Gellio)


Para a pessoa levar o livro é de graça, só precisa se comprometer a ler e a passar para frente. (Foto: Cleber Gellio)


“Escolha um livro, não paga nada, o único pagamento é a leitura”. É com essa frase que o psicólogo Ronilço Guerreiro, 37 anos, chama a atenção das pessoas que passam pelo Calçadão da Barão, em Campo Grande.
Como ele próprio define, é um marketing do bem para incentivar a leitura entre os cidadãos campo-grandenses. “Quero fazer daqui a cidade da leitura”, declara Ronilço, sem medo de a ideia parecer utópica ou não.
Todos os sábados de manhã ele está lá, no Centro da Capital, com os livros espalhados pela calçada e um cavalete anunciando a distribuição de títulos dos mais variados.
Mas não é simplesmente pegar os livros e levar para casa. Ronilço faz a pessoa se comprometer em disseminar a proposta do projeto. “Para a pessoa levar o livro é de graça, só precisa se comprometer a ler e a passar para frente”, explica o psicólogo.
Algumas pessoas até se espantam com a proposta de Ronilço, mas há quem se encante com a ideia de levar a cultura e o conhecimento a todos os cantos da cidade.
Estudante de Pedagogia, Nabiha Lima, 24 anos, não deixou passar a oportunidade de pegar um livro para levar para casa. Adepta da boa leitura, ela gostou muito da proposta do projeto e se comprometeu em passar a ideia para frente.
“A leitura precisa de propaganda, é muito importante que seja incentivada, principalmente com as crianças, pois até nas escolas falta incentivo pra leitura”, comenta Nabiha.
Ronilço montou o projeto Livros Carentes há 1 ano e meio. Neste tempo, construiu uma gibiteca, no Jardim Oracílio, que hoje conta com 25 mil títulos. E o sonho do psicólogo tomou proporções tão grandes, que ele já apresentou a ideia até no programa da Regina Casé, na Globo.

Acesso a informacao

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Bom dia, boas leituras e amanhã é sexta! Pode abrir o sorrisão!

Flores para encantar e Feliz Natal

A Viciados em Livros revela as 3 etapas do processo!



Viciados em Livros revela as 3 etapas do processo!

8 coisas que você não sabe sobre as obras infantis

 3 de maio de 2012

Você é do tipo que adora saber detalhes da vida de escritores e curiosidades sobre personagens famosos? Então preste atenção neste post: ele reúne 8 fatos bacanas que você provavelmente ainda não tinha ouvido falar sobre o mundo das obras infantis. Tem desde referências mais antigas, como a história de Peter Pan, quanto ícones de gerações mais novinhas, como Harry Potter. Confira a lista e conte pra gente quais curiosidades você descobriu aqui:
8. Harry Potter
Essa nem é tão inusitada, afinal estamos falando de magia e bruxos: o padre Gabriele Amorth, antigo chefe de exorcismo do Vaticano, já anunciou por aí que a obra de J.K. Rowling é uma ode ao demônio. E fica melhor: para ele, a obra é tão diabólica quanto… praticar ioga. “Isso tudo leva ao diabo”, afirmou.
7. George, o Curioso (Curious George)
Se você não convive com crianças pequenas, pode nunca ter ouvido falar do filme e das série de livros e TV “George, o Curioso”. A obra faz um baita sucesso no mundo inteiro. Os responsáveis por tal sucesso são Hans Augusto Rey e Margret Rey: ele ilustra, ela escreve. Em junho de 1940, o casal precisou fugir dos nazistas em Paris usando bicicletas. O manuscrito do primeiro livro estava na bagagem e sobreviveu à fuga.
6. Moranguinho e Ursinhos Carinhosos
Antes de aparecerem em livros, desenhos animados e bonequinhos, a personagem Moranguinho e os carismáticos Ursinhos Carinhosos foram criados apenas para serem usados em cartões. Tipo aquele que era comum enviar para o amigo em período de recuperação depois da cirurgia do siso ou para a tia que não te vê desde que você era um bebezinho.
5. Peter Pan
Essa é boa: em 1929, J.M. Barrie, mais conhecido como o cara que criou o Peter Pan, doou os direitos autorais do personagem para o Hospital Infantil Great Ormond Street, em Londres. Ocopyright expirou em 2007, mas um acordo permitiu que o hospital continue a receber pelas apresentações do Peter Pan em palcos do Reino Unido.
4. Ziraldo
Durante a ditadura militar, o escritor e jornalista brasileiro Ziraldo realizou um intenso trabalho contra o regime vigente. Ele foi um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, por exemplo. Por essas e outras atividades, foi preso e levado para o Forte de Copacabana por ser um ‘elemento perigoso’. Agora, vem um detalhe menos conhecido: em 2008, o autor do clássico “O Menino Maluquinho” foi indenizado com mais de R$ 1 milhão pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos prejuízos causados por toda essa perseguição política durante a ditadura.
3. Pokémon
Se você ficou ligado nos noticiários em 1997, já sabe que Pokémon não é só um desenho inocente. Naquele ano, 658 crianças japonesas foram parar no hospital depois de um episódio particularmente ‘intenso’ de Pokémon. Ele causou acessos de vômitos, tonturas e até convulsões…
2. Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland)
Parece brincadeira, mas o livro “Alice no país das maravilhas” foi proibido na província de Hunan, na China, por conter animais agindo no mesmo nível de complexidade que os seres humanos. O censor e general Ho Chien acreditava que isso era uma ofensa à inteligência do homem. “Ursos, leões e outras feras não podem usar a linguagem humana. Atribuir a eles tamanho poder é um insulto à raça humana”, afirmou Ho Chien em 1931.
1. Barney
“Amo você/Você me ama/Somos uma família feliz”. É assim que começa a música mais conhecida daquele famoso dinossauro roxo, o Barney. Você já deve até ter escutado alguma vez. O que você não sabe é que essa é uma das músicas mais usadas em interrogatórios para fazer os prisioneiros de Guantánamo falarem. Então, quer torturar alguém?

Como transformar a ida à biblioteca em um passeio inesquecível?

Saiba aproveitar a ida à biblioteca, despertando a curiosidade natural do seu filho por livros, seja qual for a idade

11/07/2013 16:34
Texto Marion Frank

Foto: Claudia Marianno
Foto: Biblioteca
Deixe seu filho tocar e escolher os livros na biblioteca
Quanto mais cedo melhor. A primeira biblioteca que Loretto conheceu foi a da sua escola, a EMEF Desembargador Amorim Lima, em São Paulo. "Ele ficou encantado", postou a mãe, Marcia Carini, no You Tube, sobre a experiência do ano passado. Por sinal, o vídeo com o depoimento de Loretto é de enorme popularidade. Pudera. Entre outros comentários, o menino de oito anos, aluno do 2º ano do Fundamental I, assombra ao confessar que "... adoro livro velho... Livro é muito fascinante, é a coisa que a gente mais aprende na vida!".

BibliotecasEspecial Biblioteca 
Matérias especiais para que você saiba tudo sobre biblioteca e como aproveitar melhor seus momentos de leitura


A paixão de Loretto vem de berço, melhor, de peito: em outro "post", Marcia revela o hábito de ler, em voz alta, textos de Simone de Beauvoir enquanto amamentava o filho. Um luxo. Mas o fascínio de uma criança pelo mundo dos livros pode ser estimulado de inúmeras maneiras - desde a primeira ida à biblioteca ao lado dos pais, por exemplo. Visita que pode transmitir a ideia de ser a biblioteca um ambiente vinculado ao prazer - e não apenas ao estudo.


A seguir, dicas de como os pais podem tornar inesquecível a ida à biblioteca ao lado dos filhos, independentemente da idade.
Para ler, clique nos itens abaixo:
.É proibido proibir na visita à biblioteca. Exemplo: permita ao seu filho ‘tocar’ no livro que está na prateleira, se ele se sentir atraído. "É preciso desmistificar o livro para torná-lo prazeroso", diz Sueli Nemen Rocha, diretora da Biblioteca Monteiro Lobato, em São Paulo. "E isso só vai acontecer, se os pais agirem com leveza, evitando comentários do tipo, ‘não, não faça isso!’, ‘não, não pode mexer!’, o que só serve para afastar a criança..." Claro, bom senso faz parte desse jogo - ninguém está livre para balançar a estante cheia de livros até cair...Mas a prioridade número 1, em relação aos pais, deve ser a de adotar uma atitude desenvolta. Como? "As crianças gostam de pegar vários livros de uma vez só - é a ansiedade pelo novo, reação que não precisa de jeito algum ser reprimida pela família", recomenda Sueli.
2. Se os pais não conhecem a biblioteca, melhor pedir ajuda a quem trabalha ali dentro para conseguir se localizar entre os livros.
3. Aumente a curiosidade infantil, selecionando livros de temas que você saber ser de interesse.
4. Dê liberdade para o seu filho expressar gostos, preferências.
5. Livro não é chato - chato, mesmo, somos nós!
6. Para despertar o gosto da leitura, vale indicar os gibis, na biblioteca.
O acervo da biblioteca está organizado segundo critérios, o que explica, por exemplo, a disposição de livros de um único assunto em prateleiras agrupadas em uma mesma área. "Uma biblioteca não é um amontoado de livros, mas sim um lugar de organização da informação", enfatiza Fernanda de Lima Passamai Perez, da Escola da Vila. Para tirar proveito da ‘ordem’ estabelecida, vale primeiro se informar com quem é especialista no assunto, o bibliotecário. Ou, na ausência dele, com o funcionário que vive a rotina da biblioteca. Assim, você saberá o que fazer para encontrar o livro do seu filho.

Seu filho gosta de dromedário? E de imagens da natureza? Então, leve isso em consideração, tornando esses temas o objetivo da pesquisa a ser feita na biblioteca: com a ajuda prévia de quem trabalha ali dentro, saiba em que prateleiras se encontram os livros relacionados aos assuntos em questão. "Às vezes, os temas de interesse não fazem parte de um único livro, mas sim de vários, daí ser necessário fazer uma pesquisa cruzada para encontrar os que realmente podem interessar à pesquisa", detalha Sueli. Outra razão para pedir ajudar ao bibliotecário.
Se for à biblioteca na companhia de uma criança não tão pequena (ou jovem), saiba manter a atitude descontraída, leve. Incentive a que ela (ou ele) escolha o que deseja ler. E evite comentários do tipo ‘ah!, você não vai perder tempo com essa leitura, isso é bobagem, certo?’. A razão é simples: "Pais devem dar liberdade para que os filhos vão atrás de suas leituras favoritas ou das que despertam a atenção, ainda mais quando estão em contato com universo da biblioteca", alerta Sueli. Só assim o encantamento pelos livros será total - ao contrário da proibição, que vai afastar por completo.
É preciso ajudar a criança (ou o jovem) a encontrar os livros que serão motivos de prazer. Aqui, a participação do bibliotecário é fundamental, orientando os pais a usar o bom senso (e o conhecimento que têm sobre a personalidade dos filhos) para alcançar a melhor seleção de títulos. "Mas a comunicação só vai de fato acontecer, se o próprio bibliotecário assumir uma postura diferente daquela ainda hoje associada ao seu trabalho... Quem trabalha em biblioteca com a cara fechada, ranzinza, tem seus dias contados!", garante Sueli, da Biblioteca Monteiro Lobato. Porque será com criatividade e bom humor que pais e funcionários vão conseguir estimular a criança (e o jovem) a gastar horas dentro de uma biblioteca. "As crianças adoram livros, até os dez anos não há problema nesse contato, depois é que começa o afastamento...", comenta a diretora Ana Elisa. "Meu filho adolescente, por exemplo, não gosta de ler, mas ele ama quando leio para ele - o que pode talvez servir de exemplo para outros pais."
"Incentivar a atividade de ler, usando gibis e histórias de quadrinhos povoados de heróis que estão aí, na mídia, não é atitude recriminatória, ao contrário...", considera Sueli, da Monteiro Lobato, Aliás, na biblioteca sob sua direção, onde há gibiteca bem fornida, há inúmeras alternativas de leitura, caso da programação de conversas com escritores, que exerce atração sobre os jovens. "Por aqui já se apresentou o escritor Alessandro Buzo, ele é da periferia e o adolescente se identifica na hora com o tema...", confirma Sueli. Modo eficiente de estimular a garotada a frequentar essa biblioteca do centro paulistano.

Momentos importantes



Brasília, DF - 13/12/2013 - Hotel Nacional - Almoço




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nós em Brasília - 12/12/2013 - Hotel Nacional

Momento depressão

O uso de ereaders em bibliotecas




por Liliana Giusti Serra | Revolução Ebook

Muitas bibliotecas estão recebendo solicitações de usuários e gestores para que incluam 
e-books em seus acervos. Quando isto ocorre, muitos bibliotecários acreditam que o primeiro passo a ser dado é a aquisição de e-readers ou tablets. Ter este entendimento é tão irreal quanto imaginar que para iniciar um projeto de biblioteca digital deve-se adquirir primeiramente um scanner! A utilização de dispositivos de leitura em bibliotecas pode representar benefícios, porém não deve ser enxergado como uma política para inclusão destes recursos em bibliotecas. 

Ao adquirir dispositivos de leitura, a biblioteca fará aquisição de conteúdo – que será armazenado nestes equipamentos – e os emprestará aos usuários. Há poucos anos alguns editores chegaram a sugerir que as bibliotecas oferecessem e-books através de empréstimo de e-readers. Esta sugestão é polêmica, pois os altos custos envolvidos na compra de equipamentos e sua oferta aos usuários representam um risco. Considerando-se a má utilização, depreciação, manutenção, obsolescência, risco de perda, roubo e demais danos, a adoção desta prática não se mostra vantajosa às bibliotecas, sem considerar, inclusive, que não é permitida a carga indiscriminada dos livros nos dispositivos móveis. 

Um dispositivo de leitura armazena grande quantidade de obras. Quando o leitor retira um equipamento ele não está levando apenas uma obra, mas um conjunto delas. Adquirir conteúdo e replica-lo em diversos dispositivos não é uma postura interessante, pois não representa variedade de obras. É como se a biblioteca possuísse diversos exemplares da mesma obra, porém reunidos em um único aparelho. 

É necessário pontuar também que ao incluir estes recursos aos acervos, tanto a equipe da biblioteca quanto os usuários devem receber uma capacitação mínima de utilização dos dispositivos, caso contrário não saberão operar os equipamentos, identificar os recursos disponíveis e realizar a leitura. 

Algumas experiências de utilização destes recursos são interessantes, porém antes de comprar dispositivos, existem alguns detalhes que devem ser analisados: 

1) Escolha do equipamento: e-reader ou tablet? Ambos permitem a leitura de livros eletrônicos, porém são equipamentos distintos. A escolha do equipamento, modelo e marca influencia o tipo de publicação que poderá ser adquirida, assim como as funcionalidades existentes. Por possuírem tecnologia e recursos diferentes, a biblioteca deve ter clareza das vantagens e desvantagens na escolha do tipo de dispositivo. De acordo com o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia, de Cunha & Cavalcanti (2008), e-readers são leitores de livro eletrônico. Já a Wikipedia os define como pequeno aparelho que tem como função principal mostrar em uma tela o conteúdo de livros digitais e outros tipos de mídia digital. Tablets são computadores móveis, operados por tela sensível a toque (touch screen). São dispositivos de uso pessoal em formato de prancheta, que podem ser utilizados para navegação na internet, visualização de fotos, jogos ou para leitura de jornais, revistas e livros. Os e-books serão baixados nos dispositivos e a leitura deverá ser realizada por eles, sem opção de visualizar os e-books em outros equipamentos como computadores ou smartphones. Não é possível transferir um livro digital de um equipamento para outro; 

2) Formatos dos arquivos: é necessário identificar os formatos de arquivos compatíveis com os dispositivos de leitura, caso contrário pode-se adquirir um equipamento que não suporte alguns formatos, impedindo a leitura. O Kindle utiliza-se de formato proprietário AZW, porém é compatível com arquivos em PDF e ePub. Publicações adquiridas na Amazon apenas podem ser lidas por aparelhos Kindle ou em tablets, desde que instalada a APP da loja virtual. A maioria dos equipamentos suporta os formatos PDF e ePub; 

3) Conteúdo oferecido: A biblioteca deve estabelecer critérios sobre distribuição do conteúdo incluído em cada dispositivo para otimizar o empréstimo do equipamento. Recomenda-se que sejam definidos temas por dispositivo, assim as chances de mais obras serem consultadas pelos mesmos usuários são maiores. 

É interessante conhecer algumas iniciativas de empréstimo de e-readers realizadas por bibliotecas nos Estados Unidos, Brasil e Espanha. 

Biblioteca Pública River Forest (Illinois, EUA) recebeu doação de três Kindles em 2008 e investiu US$ 180,00 em compra de conteúdo, definindo três categorias: ficção, não ficção e mistério/suspense. Os dispositivos foram catalogados pelas categorias e disponibilizados para consulta pelo OPAC. As obras presentes em cada equipamento não foram descritas num primeiro momento (poderiam ter sido inseridas em nota de conteúdo). O objetivo do projeto não era tanto identificar quais obras eram lidas, mas oferecer a experiência de leitura digital do usuário. Ao retirar um e-reader emprestado, o usuário selecionava a categoria do dispositivo que desejava e fazia empréstimo do equipamento. Os Kindles eram emprestados com um carregador de baterias e uma capa em couro para transporte e proteção. Antes de finalizar o processo de empréstimo, os usuários recebiam capacitação sobre como utilizar o Kindle. Os equipamentos eram bloqueados para impedir que os conteúdos fossem apagados ou que novas obras fossem adquiridas. Os e-readers eram emprestados por três semanas, sem possibilidade de renovação. Este serviço foi oferecido apenas à comunidade registrada na biblioteca, não estando disponível para empréstimo entre bibliotecas (EEB). Os bibliotecários não sabiam quais obras eram lidas, se total ou parcialmente. Com este fato não era possível identificar as obras mais lidas, identificar o perfil do usuário ou acompanhar detalhes do projeto, uma vez que apenas a categoria do e-reader era registrado. Os bibliotecários também não prepararam pesquisas sobre opinião dos usuários sobre a experiência, quando estes faziam a devolução. Os Kindles mostraram-se bem resistentes com a circulação e poucos problemas foram reportados. 

O projeto agradou a comunidade por permitir aos usuários o contato com publicações eletrônicas. Desta forma o usuário poderia ter a experiência da leitura digital sem a necessidade de investir na compra de um equipamento. No início do programa formou-se longa fila de reservas, comprovando o interesse da comunidade em experimentar a leitura de e-books. Atualmente a página da biblioteca não faz destaque do serviço, porém os equipamentos estão descritos e disponíveis no OPAC. Não é possível precisar a quantidade de dispositivos existentes no acervo, porém foram identificados diversos modelos de Kindles (Fire, Fire HD, Touch 3G etc.) no catálogo. Observa-se que as obras existentes nos equipamentos estão descritas atualmente. Curiosamente os equipamentos identificados no OPAC estavam todos disponíveis, o que pode representar que o interesse dos usuários é menor pelo projeto ou então, que a biblioteca dispõe de outras ofertas de acesso aos e-books (assinaturas, aquisição perpétua, PDA etc.). Ainda pode-se deduzir que muitos dos usuários optaram por adquirir seus próprios dispositivos ou então que a leitura digital não encontrou a aderência imaginada. 

Biblioteca de São Paulo oferece dispositivos de leitura a seus usuários desde sua inauguração, em 2010. Eles possuem quatro equipamentos Kindle, com conteúdo igual em todos os equipamentos, prevalecendo obras em domínio público, de literatura nacional. Conteúdos parciais (capítulos) de obras protegidas por direitos autorais e literatura estrangeira também estão disponíveis. Os aparelhos não são oferecidos para empréstimo domiciliar, sendo seu uso restrito ao espaço da biblioteca. Os Kindles ficam expostos em suportes e os leitores podem utiliza-los. Segundo a equipe contatada, os aparelhos suscitaram maior interesse no inicio do projeto, porém atualmente poucos usuários utilizam os equipamentos ou fazem leituras completas dos e-books disponíveis. Os equipamentos servem para atender a curiosidade da comunidade usuária em relação à experiência da leitura digital, não sendo identificadas solicitações para empréstimo domiciliar ou sugestão de novos conteúdos. O manuseio dos equipamentos é semelhante ao que ocorre em lojas, onde os aparelhos estão fixos e podem ser consultados, porém não permitem o mesmo contato que é feito quando podem ser manuseados livremente. 

As bibliotecas públicas da Espanha adquiriram equipamentos e inseriram conteúdo de obras em domínio público, prioritariamente literatura internacional, com obras de Oscar Wilde, Cervantes, Shakespeare entre outros. Os usuários espanhóis podem levar os equipamentos para casa, por períodos de 15 a 45 dias. O projeto, iniciado em 2011, contou com investimento de 130 mil euros, com a compra de 750 e-readers, oferecendo o serviço para todas as 54 bibliotecas públicas do país. 

Como é possível observar nos projetos apresentados, os usuários demonstram interesse em ler e-readers e a biblioteca mostra-se como um espaço convidativo para esta oferta. Por outro lado, os investimentos e riscos são altos e a escolha e utilização dos conteúdos é complexa, com dois casos de instituições que optaram por dispor apenas obras em domínio público. Nota-se também que o uso e interesse dos usuários tende a diminuir com o passar do tempo, por motivos que não foram mensurados (ou pelo menos divulgados em relatos de experiências). 

O importante é ressaltar que comprar e disponibilizar e-readers não pode ser identificado como uma política de uso de e-books em bibliotecas. Leitura digital e e-books em bibliotecas são situações distintas. Recomenda-se, apenas, cautela e clareza de critérios no momento de adquirir dispositivos de leitura, evitando investimentos equivocados ou limitações de aplicação.

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Modelos de negócios para bibliotecas: aquisição perpétua & ebooks

Inclusão de E-books em bibliotecas: uma discussão necessária

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