segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Em um relacionamento sério

Bibliotecas de escolas públicas apresentam precariedades

Bibliotecas de escolas públicas apresentam precariedades

30.09.2013

Acervo reduzido e desatualizado, além da falta de bibliotecários são deficiências desses espaços

A proposta de criação e manutenção de bibliotecas em todas as escolas públicas da Educação Básica federal, estadual e municipal - prevista no Projeto de Lei (PL) da Câmara Nº 28/2012 e em tramitação no Senado - trouxe à tona a precária situação de funcionamento desses espaços essenciais ao processo de alfabetização e letramento dos alunos. Basta ressaltar que na rede municipal de Fortaleza essas unidades são denominadas de salas de leiturapor contarem, via de regra, com acervos reduzidos ou desatualizados e não disporem de um profissional habilitado ao seu funcionamento.

Alunos da Escola João Nogueira Jucá participam de atividades de leitura Foto: Helosa Araújo
Embora tenha repercutido positivamente entre educadores de Fortaleza, o PL suscitou, ainda, outros questionamentos, tais como quanto à indefinição da destinação de recursos para a sua implementação e por permitir a atuação, nesses espaços, não apenas dos bibliotecários mas também de professores “readaptados”, ou seja aqueles que apresentam problemas de saúde e estão fora de sala de aula.

Sobre essa possibilidade, a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 3ª Região CE/PI, Maria Herbênia Gurgel Costa, lembra que o bibliotecário detém o conhecimento para organizar e dinamizar acervos. “Esse profissional está qualificado com competência para tratar e disseminar a informação de forma ordenada”, frisou Herbênia Gurgel, que é ainda diretora da Biblioteca Pública Municipal Dolor Barreira.

Favorável “a todo e qualquer projeto que represente incentivo à leitura”, o ex-presidente do Conselho Estadual de Educação e professor aposentado do curso de Letras das universidades Federal e Estadual do Ceará, Marcondes Rosa, contudo declara-se a favor da utilização nas bibliotecas do “professor readaptado”. Para ele, esse profissional, pelo menos em tese, tem mais condições de ajudar os alunos. “A simples presença de um professor nesses ambientes é capaz de causar um elo maior do estudante com a leitura e facilitar a compreensão de textos”, frisa.

Também para a diretora da Faculdade de Educação da UFC, a pedagoga Maria Isabel Filgueiras Lima Ciasca, o teor do PL é relevante. O livro, adiantou, é um bem com um tempo de vida útil, que pode ser menor ou maior conforme o modo de usá-lo. “A faixa etária mais novinha reduz esse tempo, devido à forma de manuseio. Então, é necessário mais investimentos para renovar e manter as bibliotecas”.

Isabel Ciasca cita seus temores acerca das condições que serão oferecidas pelo governo para a implantação das bibliotecas na rede pública. “Não haverá técnicos, no caso bibliotecários, em número suficiente para viabilizar o projeto no prazo previsto”, alertou, adiantando ser necessário definir de onde virão os recursos para a criação e manutenção dessas bibliotecas.

ENTREVISTA

A inexistência de profissional qualificado leva à inoperância

Maria Herbênia Gurgel CostaPresidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 3ª Região CE/PI

Qual a opinião da senhora sobre o Projeto de Lei Nº 28/2012?
O relator, senador Cássio Cunha Lima, apresentou substitutivo ao projeto que prevê a contratação de bibliotecários ou profissionais de educação em bibliotecas escolares públicas e privadas. Estudos demonstram que uma das principais causas da inoperância das bibliotecas nas escolas é a inexistência de profissional qualificado, ou seja, bibliotecário, para coordenar as suas atividades e responsabilizar-se pelo seus funcionamentos. Aspecto que, por contraste, denuncia a fragilidade da presença do professor readaptado, ou outros funcionários das escolas (até auxiliares de serviços), à frente das bibliotecas das escolas, já que a estes faltam habilidades e conhecimentos técnicos específicos para o exercício das atividades projetadas.

Existe alguma outra legislação ou proposta de legislação prevendo a existência de bibliotecas nas escolas da rede pública?

Em março de 2010, a sanção da Lei Nº 12.244, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas escolares, garantiu um direito inalienável, ou seja, que até o ano de 2020 todas as instituições do País, públicas e privadas, deverão ter bibliotecas, com prazo máximo de dez anos respeitada a profissão de bibliotecário.

E a rede privada como fica?

A rede privada fica, igualmente, contemplada pela Lei Nº 12.244. 

A cidade de Fortaleza e o interior cearense têm bibliotecários em número suficiente para colocar em funcionamento bibliotecas em todas as escolas da rede pública, como prevê o PL Nº 28/2012?

O Conselho Federal de Biblioteconomia, cuja missão é ser agente de excelência na promoção e fortalecimento das ações do profissional de biblioteconomia, promoverá um curso à distância, para formar técnicos em biblioteconomia, com edital lançado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e chancela das universidades públicas federais e estaduais, com previsão de início para o segundo semestre de 2014. Mantendo a proposta de acompanhamento e supervisão do bibliotecário. Desta feita, busca-se suprir as necessidades e exigências do mercado. Em biblioteca, bibliotecário!

PMF só tem sala de leitura

Em Fortaleza, atualmente, as 300 escolas existentes na rede municipal (280 patrimoniais, 13 anexos e sete especiais) contam com salas de leituras, mas não com bibliotecas, admitiu o coordenador de Articulação da Comunidade e Gestão Escolar, João Lúcio Alcântara.

"Nas salas de leituras, temos livros e buscamos estimular o gosto do aluno por leitura", disse, também elogiando a proposta do PL Nº 28/2012. "Por determinação do secretário de Educação do Município, Ivo Gomes, estamos fazendo levantamento para transformar essas salas em bibliotecas", frisou, adiantando que isso deve acontecer no início do próximo ano letivo.

Informou, ainda, que na atual gestão, essa secretaria criou uma Assessoria Técnica de Gestão de Livros e Conteúdos Digitais, com o objetivo de fazer um levantamento para "revitalizar e resignificar esses espaços destinados às salas de leitura".

"Claro que é fundamental ao processo de aprendizagem a existência de bibliotecas nas escolas", ponderou, explicando que após a alfabetização, vem qualificação da leitura e a compreensão de textos. Sobre denúncias de servidores da Escola Irmã Simas, que preferiram não se identificar, dando conta de que o secretário Ivo Gomes colocou nas salas de aula professores com problemas de saúde, sobretudo relacionados à voz, e por isso não conseguem fazer leituras e contação de histórias com os alunos, João Lúcio Alcântara justificou que o remanejamento aconteceu porque a rede municipal tinha carência de professores nas salas de aulas.

Também admitiu a defasagem no acervo e a necessidade de bibliotecários nesses ambientes. "O Município estuda rever a questão, tanto é que falamos que não temos bibliotecas, mas sim salas de aula", citou.

Centros multimeios

Na rede estadual, todas as escolas contam com um centro de multimeios, formado pelos espaços da biblioteca, sala de leitura, vídeo e laboratório de informática, informou a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), através de sua assessoria de imprensa. Contudo, professores da rede estadual questionam a informação. Na Escola Nogueira Jucá, visitada pela reportagem, uma educadora considerou que a unidade tem sala de leitura, apenas.

O centro multimeios gerencia o processo de leitura, empréstimos de livros, revistas, periódicos e demais mídias para alunos, professores e funcionários, adianta a assessoria da Seduc.

ENQUETE

Você utiliza esses espaços?

"Sim. Eu gosto de ficar na sala de leitura. Gostei muito do livro Gato de Botas. Também já li sobre as drogas. Mas agora, eu estava era vendo um vídeo. A gente assiste muitos filmes"

Wendel Silva, 12 anos
Aluno da escola do Município Irmã Simas

"Mais ou menos. Vou à biblioteca para assistir vídeos ou para ficar em silêncio ouvindo músicas pelo celular. Não gosto de ler. Tenho preguiça de ler um livro todinho, até o final"

Israel Silva, 16 anos
Aluno da escola estadual João Nogueira Jucá

PL prevê turno suplementar
Conforme anúncio feito pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal - que aprovou o PL Nº 28/2012 no último dia 17 -, os alunos deverão utilizar as bibliotecas em turno suplementar. Além disso, o teor do PL será incluso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei Nº 9394/1996). A ideia do projeto já consta na Lei Nº 12.244/10, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas escolas públicas e privadas, até 2020, originada de proposta da Câmara dos Deputados.

Em âmbito nacional, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) apontou que o número de bibliotecários formados no Brasil e as características da profissão impediriam que o objetivo da proposta fosse alcançado plenamente. Por isso, apresentou substitutivo permitindo a contratação de "professores readaptados" e "técnicos em biblioteconomia e multimeios didáticos", profissionais com competência para orientar as leituras dos alunos. Outra mudança sugerida reduz o prazo para o cumprimento da norma de cinco para três anos.

MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER
 

 
Daniele L. S.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Como converter apresentações do PowerPoint 2013 em vídeo

Como converter apresentações do PowerPoint 2013 em vídeo


Helito BijoraPara o TechTudo
Converter apresentações de slides em vídeo no PowerPoint 2013 pode ser útil para professores, palestrantes e outros profissionais que pretendem criar vídeoaulas e compartilhá-las no YouTube, por exemplo. Para isso, o PowerPoint, software do Pacote Office daMicrosoft, conta com a opção de exportar os arquivos .PPT ou .PPTX como vídeo (MP4).
O TechTudo preparou um tutorial com o que você precisa saber para gerar um arquivo de vídeo com a última versão do software de edição de apresentações da Microsoft. Confira;

Passo 1. No Microsoft PowerPoint 2013, abra a apresentação que deseja converter. No canto superior esquerdo da tela, clique em “Arquivo”;
Interface principal do PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Interface principal do PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)

Passo 2. No menu que se abrirá, clique em “Exportar”;
Menu arquivo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Menu arquivo do PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 3. Entre as opções, clique em “Criar Vídeo”;
Opções de exportação (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Opções de exportação (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 4. Escolha o tipo de vídeo – para monitor, Internet ou celular. Na prática, o que muda é a resolução, que também influencia no tamanho do arquivo gerado pelo PowerPoint;
Configurando tamanho do vídeo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Configure o tamanho do vídeo no PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 5. Logo abaixo você pode escolher se deseja usar o tempo e gravação de áudio de cada slide;
Ativando narração dos slides (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Ative a narração dos slides no PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 6. Caso não possua ou tenha optado por não usar a gravação dos slides, defina o tempo de cada tela – por padrão, são cinco segundos;
Ajustando tempo dos slides (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Ajuste o tempo dos slides no PowerPoint 2013 (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 7. Depois de ajustar as configurações, clique em “Criar Vídeo”;
Exportando vídeo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Exporte o vídeo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 8. Escolha o nome e local que deseja salvar o arquivo. Por fim, clique em “Salvar”.
Salvando arquivo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)Salve o arquivo (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Pronto! Agora basta aguardar alguns segundos até que o vídeo seja gerado. O tempo de conversão varia de acordo com a quantidade de slides da sua apresentação em PPT.
É possível acompanhar o progresso de exportação na barra de status do PowerPoint 2013.

Leitura cresce mas bibliotecas são fechadas em São Paulo

Leitura cresce mas bibliotecas são fechadas em São Paulo

Leitura no metrô (Foto: Reprodução)
Já virou rotina. Todos os dias, milhares de passageiros do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) aproveitam o tempo das viagens para colocar a leitura em dia. Apesar de ser cada vez mais comum a cena de passageiros lendo, o projeto Embarque na Leitura, parceria com o IBL (Instituto Brasil Leitor), praticamente foi extinto no ano passado por falta de patrocínio. Das quatro estações que tinham bibliotecas para emprestar, de graça, livros aos usuários do transportes sobre trilhos, apenas uma, a do Paraíso, mantém o serviço.
De acordo com o IBL, diversas empresas de médio e grande portes, principalmente do setor de serviços, apoiavam o Embarque na Leitura por meio de renúncia fiscal e deixaram de fazê-lo com a crise econômica. “Desde o início, o acordo com governo do estado não previa investimentos de caixa, mas sim a cessão do espaço”, explica o instituto, em nota.
A consolidação de projeto de leitura com o transporte coletivo é um caminho difícil. Desde quando o escritor Mário de Andrade foi secretário de Cultura de São Paulo, nos anos 1930, a capital tenta combinar incentivo à leitura com o transporte coletivo (veja ao lado), nem sempre com sucesso.
CPTM e Metrô descartam retomar as bibliotecas com recursos públicos. Segundo a companhia de trens, a empresa mantém o projeto Livro Livre, que anualmente distribui, durante três dias, livros nas estações mais movimentadas. “Nos últimos sete anos, mais de cem mil livros foram emprestados aos usuários”. “Em paralelo, a CPTM estuda outros projetos para intensificar o incentivo à leitura.”
Segundo o Metrô, a empresa aguarda o Instituto Brasil Leitor buscar novos patrocínios para dar continuidade ao programa e reativar as bibliotecas fechadas. Mesmo assim, os passageiros leem o que encontram pela frente. O conferente de estoque Jefferson Paixão, 25 anos, por exemplo, passa três horas por dia no transporte público lendo. No trajeto que faz de trem de sua casa ao trabalho, ele utiliza três linhas da CPTM: 11-Coral, 7-Rubi e 8-Diamante. Em quatro meses, leu sete livros. “É um passatempo produtivo. Consigo ler 20 páginas na ida e 20 páginas na volta. Em uma semana já li dois livros.”
Fonte: Diário de São Paulo

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação

Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Acaba de ser publicado o v. 11, n. 3, 2013, da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação (BDBCI).
Sumário deste número:

Editorial

Artigos

·         Linguagem e representação: considerações no universo da Ciência. Informação (1-14). Marilucy da Silva Ferreira.

·         Os benefícios das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no processo de Educação a Distância (EAD) (15-29). Suelen Conceição Farias.

·         Marketing aplicado em bibliotecas: análise de conteúdo dos artigos publicados em periódicos da Ciência da Informação (30-45). Adriana Stefani Cativelli.

·         Perfil tecnológico das bibliotecas no brasil e na europa: estudo sobre a democratização do acesso à informação e ao conhecimento em bibliotecas do Brasil, Espanha e Alemanha (46-71). Maria Cleide Rodrigues Bernardino, Eduardo da Silva Alentejo.

·         A folksonomia como modelo emergente da representação e organização da informação (72-92). Glessa Heryka Celestino de Santana.

·         Central de informações em organizações públicas: ferramenta de gestão informacional (93-119). Daniela do Amaral Oliveira Gardin, Marlete Beatriz Maçaneiro.

Relato de Experiência

·         Boletim eletrônico: um estudo de caso na biblioteca do instituto de física da universidade federal do rio de janeiro (IF/UFRJ) (120-132). Robson da Silva Teixeira.

 

Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação

http://bibliotecadobibliotecario.blogspot.com.br/2013/09/novo-numero-revista-digital-de.html

Biblioteca do Bibliotecário: Novo número: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação
bibliotecadobibliotecario.blogspot.com
Blog do Murilo Cunha que inclui notícias, resenhas e comentários relacionados à Biblioteconomia e Ciência da Informação

Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação

Detalhes no URLwww.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/issue/view/207www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/issue/view/207

http://bibliotecadobibliotecario.blogspot.com.br/2013/09/novo-numero-revista-digital-de.html

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

E-books na área de biblioteconomia, ciência da informação e documentação

E-books na área de biblioteconomia, ciência da informação e documentação
e-books
www.abgo.com.br
ABG - Associação dos Bibliotecários de Goiás
http://www.abgo.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=376&Itemid=75

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Saúde lança ''Biblioteca Virtual'' para incentivar pesquisa científica

Saúde lança ''Biblioteca Virtual'' para incentivar pesquisa científica

A Secretaria de Saúde do DF lançou uma biblioteca virtual para que a pesquisa para artigos científicos fique cada vez mais fácil.

"A "Biblioteca Virtual" vai ao encontro da perspectiva de ampliar o conceito operacional da vigilância e a busca de atuação desta prática articulada às intervenções de promoção, prevenção, integralização e fomento à pesquisa científica no SUS", afirmou a subsecretária de Vigilância à Saúde, Marília Cunha.

O site (www.bv-svs.org.br) contempla informações na área da Saúde, com destaque para base de dados de medicamentos, artigos, revisões sistemáticas, protocolos e diretrizes internacionais, Agências Regulatórias de Medicamentos, produtos para saúde e boletins independentes sobre medicamentos.
http://www.bv-svs.org.br/
www.bv-svs.org.br
http://www.bv-svs.org.br/

Projeto de Leitura 'Livro vai, livro vem. Eu leio e você também'

Projeto de Leitura 'Livro vai, livro vem. Eu leio e você também'
Easycoop - 10/09/13

A escola Núcleo de Ensino Fhttp://www.blogdogaleno.com.br/2013/09/12/projeto-de-leitura-livro-vai-livro-vem-eu-leio-e-voce-tambemundamental Prefeito Libório Romildo Kuhn, de Palma Sola (SC) está desenvolvendo o projeto “Livro vai, livro vem. Eu leio e você também”. O projeto tem por objetivo incentivar o hábito de leitura. Sequência didática denominada “A Menina que Odiava Livros”, Hora da Leitura, confecção de sacola da leitura, Feira do Livro, Dia da Família na Escola, são algumas das atividades presentes neste trabalho. O Núcleo de Ensino é uma das nove escolas apoiadas pelo Sicoob São Miguel no programa de educação continuada CooperJovem, mantido pelo Sescoop/SC.

A sequência didática está sendo desenvolvida com atividades na sala e extra classe, com visitas em propriedades agrícolas, empresas locais, parque florestal, apresentações como a dramatização do texto “A menina que odiava livros” no Dia da Conferência Municipal Conae.

Outra atividade dentro do projeto é a hora da leitura na escola. Esta é feita uma vez por semana, neste momento todos leem. Após a leitura é preenchida uma ficha com dados do livro e a compreensão da leitura, essa ficha vai para a sacola de leitura que fica exposta nas salas de aula. Ao final do bimestre uma comissão de professores vai avaliar qual foi o livro mais lido, quem leu mais livros e fará uma premiação por série.

Neste dia também foi organizada a Feira Livro na escola, que permaneceu aberta das 7h45 às 21h30, sem fechar para o almoço. Contou com apresentações do mágico Monsil que interagiu com os alunos e pais, apresentou números de mágicas que demonstraram a importância da leitura. Foram três dias de feira, em que alunos de outras escolas municipais e estaduais e professores de municípios da região prestigiaram o evento.

“A feira foi ótima iniciativa da escola, os preços eram variados para que todos os pais pudessem adquirir bons livros para seus filhos, incentivando o gosto pela leitura”, afirmou Juliana Calegari, mãe de um aluno da escola. Já o pai Volmir Coferri disse que se surpreendeu. “Achei fantástico passar a tarde com meu filho na escola, desenhamos juntos depois colamos no mural da sala, me senti realizado, acredito que mais do que meu filho”. E acrescentou: “O que mais me marcou foi ver meu filho feliz e ouvir, à noite, já em casa, ele me agradecer por ter participado. Ficamos até tarde da noite tentando fazer as mágicas e prometi a ele ler o livro que compramos”, ressaltou.

A mãe de um aluno do 4º ano, Marli Rigo, disse que visitou a feira e participou das atividades. “Achei muito interessante porque incentiva os alunos a ler e a família toda se diverte com as atrações”.

Para a aluna Bruna Carvalho Ribeiro, do 5º ano, “a feira me incentivou a ler mais, antes tinha muita preguiça”. Disse que a professora sempre incentiva e que “agora estou entendendo o que estou lendo, antes só entendia as letras, algumas palavras, e a hora da leitura é um momento em que a gente lê para ficar mais esperta”, afirmou.

Já o aluno Eric Nunes do 4º ano disse que “a feira do livro é muito importante porque incentiva as pessoas que têm dificuldade para ler”. Para a mãe, dona Irene Nunes, “o dia da família na escola é importante porque muitos pais não sabem o que se passa na escola e como estão os seus filhos, mesmo com esse dia, muitos pais não vão para a escola por não darem a devida importância ao que acontece com seus filhos”, afirmou. 

Sandra Toigo Sartori, que também é mãe de aluno, parabenizou a iniciativa e disse que “é uma atividade diferente, alegre e importante na aprendizagem da nossa filha”.

Andréia Goergen também elogiou: “Nós, pais, ficamos conhecendo vários livros que nos auxiliam a ajudar nossos filhos a aprender cada dia mais. Gostaria de parabenizar os organizadores e esperar que logo aconteçam mais feiras assim”.

Segundo Richard Crestani, pai de um aluno do 3º ano, “é muito importante, interessante e útil. Gostaria que fosse ampliado trazendo alguns livros técnicos de interesse dos pais, como por exemplo, na minha área, de agronomia. É muito importante estender a feira do livro a toda a família”, sugeriu.

Dicas para o profissional não ficar obsoleto (Zero Hora)

Dicas para o profissional não ficar obsoleto (Zero Hora)
 em setembro 3, 2013
philosiraptor
No início de agosto, no caderno Empregos, a jornalista Maria Amelia Vargas (Zero Hora) publicou uma série de dicas para o profissional não ficar obsoleto – e o primeiro exemplo de profissional sob risco, claro, veio do mercado editorial:
“A linha que separa o sênior do ultrapassado não é nada tênue e pode ser vista a olho nu. Por isso, atenção e busca por atualização se fazem cada vez mais necessárias para quem pretende se manter ativo no mercado de trabalho.
Ao longo de 22 anos de atividade da sua editora, Luis Fernando Araújo, 54 anos, acompanhou o jubilamento do aparelho de fax e dos calhamaços impressos. Para que as mudanças se passassem de forma mais suave possível, o diretor da Artes e Ofícios abriu as portas da empresa ao pessoal com menos de 30 anos.
— Essa troca com os jovens ajudou na implementação das novas plataformas e na utilização das ferramentas digitais para agilizar o nosso trabalho. Com a influência deles, comprei um tablet e hoje posso ler os originais dos autores em qualquer lugar em que eu esteja, sem precisar carregar aquelas pilhas de papéis — destaca Araújo.”
Veja as dicas da matéria, para não perder o bonde da história:
Você pode estar se tornando um profissional ultrapassado quando…
  • Acredita que o seu jeito de fazer as coisas é o único e o melhor.
  • Passa o dia reclamando do trabalho e prefere terceirizar as atividades mais complexas.
  • Não ousa em suas funções por medo de perder o emprego.
  • Faz o seu trabalho da mesma forma sempre e não busca inovar nos processos.
  • Esquece de acompanhar o trabalho da concorrência, diminuindo o seu potencial de empregabilidade.
  • Resiste à ideia de interagir com os colegas mais jovens e de aprender com eles.
  • Você não é mais requerido para participar de algumas decisões importantes para a empresa ou quando não está envolvido nos novos projetos.
  • Está há mais de cinco anos sem nenhuma promoção.
  • Não se abre para novas tecnologias e, por isso, leva o dobro de tempo do que os seus pares para realizar as mesmas atividades.
O que fazer para não virar um profissional ultrapassado
  • Abra-se para o convívio com os mais jovens, seja na empresa ou na família.
  • Procure aprender mais sobre as novas tecnologias. Comece trocando seu celular antigo por um mais moderno a aprenda suas funcionalidades.
  • Tente falar com a sua família por Skype quando estiver em viagem (assim será mais fácil introduzir essa ferramenta no seu dia a dia profissional)
  • Tente fazer um curso online, busque aprender coisas novas e de forma diferente da convencional.
  • Procure participar de uma rede social sobre assuntos que lhe interessem.
  • Abra mão das convicções e permita-se conhecer coisas novas.
  • Aceite que alguém mais jovem pode saber mais do que você em determinados assuntos.
  • Não se acomode. Reveja as suas expectativas de carreira.
  • Questione-se sobre quanto de resultado do seu trabalho está trazendo para a empresa e busque sempre aumentar esse resultado.

Inclusão de E-books em bibliotecas: uma discussão necessária

Inclusão de E-books em bibliotecas: uma discussão necessária


biblioteca
As bibliotecas são consideradas como um organismo vivo, onde serviços e a guarda de informações, tradicionalmente caracterizadas por documentos impressos textuais, são reunidos e armazenados fisicamente. Com o advento das tecnologias, novas formas de propagar informações e conteúdos foram lançadas, representando um desafio aos atores envolvidos no mercado editorial, que começa com o autor e segue pelo editor, livreiro, bibliotecário e, finalmente o usuário final. Os livros eletrônicos estão mudando radicalmente a realidade das bibliotecas e sua inclusão nos acervos deve ser pensada na forma de somar forças com o mercado editorial, garantindo a permanência dos negócios e cumprindo com sua função original de preservação de publicações e acesso ao público. As dificuldades encontradas são marcadas em parte pela indefinição de um modelo de gestão bibliotecário, que por sua vez, é impactado por uma grande diversidade de modelos de negócios estabelecidos pelo mercado editorial, comprometendo a aquisição e empréstimo digital. As bibliotecas tem enfrentado um grande desafio na transição entre o tradicional e o digital e isso acarreta em alterações e adaptações na gestão das unidades de informação. Com as mudanças nas relações de aquisição de conteúdo e sua disponibilização ao usuário é necessário repensar o desenvolvimento da coleção, de forma a garantir a continuidade de títulos nos acervos, mensurar o uso que é feito das obras adquiridas, aferir o controle de acesso aos conteúdos para evitar utilizações não autorizadas, além de oferecer novas possibilidades de consultas e serviços. O objetivo deste texto é apresentar uma reflexão sobre o advento do livro eletrônico (e-book) e a sua oferta nas bibliotecas, apresentando as dificuldades encontradas. Com o conhecimento deste cenário será possível aos agentes envolvidos estabelecer um modelo de negócios que satisfaça às necessidades e anseios, proporcionando a manutenção e crescimento dos envolvidos, construindo uma estratégia de atuação que favoreça todas as partes.
O mercado de venda de e-books não está completamente alinhado com as demandas das bibliotecas. Apesar da variedade de modelos de negócios que estão em prática e discussão atualmente, o impacto destas mudanças não foi avaliado plenamente. Ao analisar as possibilidades de aquisição e acesso, observamos que algumas editoras impõem os modelos existentes, oferecendo pouco ou nenhum espaço para negociação. Apesar de serviços oferecidos por distribuidores, observa-se certa relutância em fornecer obras em formato digital. Esta motivação deriva do temor que as bibliotecas permitam o download indiscriminado dos arquivos e estes, uma vez em poder dos usuários, possam ser distribuídos livremente, caracterizando a pirataria. A posição de grupos de editores de recusarem-se a vender e-books para bibliotecas mediante o argumento que por ter a publicação acessível por um clique de forma gratuita, o leitor não comprará mais livros, é tão irreal quanto a afirmação que, por ter o livro impresso na biblioteca os consumidores não irão adquirir seus próprios exemplares. A prática demonstra que as bibliotecas sempre representaram bons clientes aos livreiros e editores exatamente por realizarem compras em larga escala com frequência, além do fato de ser um local de descoberta de publicações, ao permitir o conhecimento e contato das obras pertencentes aos acervos, o que favorece o aumento nas vendas.
Dentre as restrições sugeridas consta o estabelecimento de uma quantidade máxima de acessos que um e-book poderia ter na biblioteca e, depois de atingida esta marca, a instituição deveria comprar um novo exemplar ou renovar a licença de uso. O número de acessos de empréstimos digitais possíveis seria um valor alcançado através de cálculo de média de empréstimos realizados em livros impressos atrelados a durabilidade do papel e a expectativa de vida útil de um livro tradicional. Este argumento não tem aderência nas bibliotecas, pois o consumo e a durabilidade de um exemplar físico são determinados por diversos fatores como qualidade do papel, manipulação correta e frequência de utilização dos usuários, não sendo possível definir um número específico de empréstimos para determinar a durabilidade do exemplar. Num primeiro momento, apenas os títulos com maior vendagem são oferecidos no formato digital, uma vez que estas obras atingem marcas expressivas de comercialização. As publicações nascidas no ambiente digital são oferecidas com maior frequência, porém o mesmo não é visto com regularidade nos títulos antigos. Observa-se também uma grande variação de preços, seguido de restrições de uso ou até mesmo a política de não vender e-books para bibliotecas.
Enquanto cada fornecedor oferece um modelo de negócios, as bibliotecas, por outro lado, vem negociando para obter condições favoráveis e flexíveis. Os modelos de negócios apresentam restrições, a saber: o acesso individual ou múltiplo, ou seja, sem ou com simultaneidade, impactando profundamente os valores dos contratos estabelecidos; número limitado de empréstimos eletrônicos, obrigando a instituição a adquirir nova licença de uso quando este número de empréstimos for alcançado; variação dos preços, com situações onde o exemplar impresso é mais barato que o digital; restrição de venda de lançamentos; obrigatoriedade que o empréstimo (check in / check out) seja realizado no espaço da biblioteca; acesso somente através de plataformas proprietárias e restrições de vendas para consórcios ou empréstimo entre bibliotecas. O mercado apresenta possibilidades de aquisição de conteúdos digitais para bibliotecas, porém observa-se que não existe uma regra para a comercialização. Com a diversidade de modalidades de aquisição (aquisição perpétua, assinatura, patron driven acquisition e short term loan – os dois últimos com pouca ou nenhuma aplicação no Brasil até o momento) e as variações inerentes a cada modalidade, as bibliotecas deverão ter um controle sobre como ofertar as obras a seus usuários de acordo com os processos aquisitivos definidos com cada fornecedor.
Os e-books apresentam vantagens e desvantagens. Se por um lado eles permitem outras formas de ocupação do espaço antes destinado a guarda de volumes impressos, eles introduzem novos problemas, como a utilização de plataformas proprietárias para acessar as publicações adquiridas, limitações de números de downloads ou impressões e o próprio custo, visto que, analisando a aquisição individual de títulos, eles são comparativamente mais caros que as versões impressas. Pacotes de títulos oferecidos por assinatura são mais acessíveis, porém a quantidade de obras disponíveis nem sempre será proporcional à qualidade dos produtos ofertados. Nos próximos textos serão apresentados os modelos de negócios praticados e as restrições que eles representam às bibliotecas. Os desafios e demandas do mercado bibliotecário também serão apresentados visando conscientizar os editores sobre as necessidades da área e a demanda por adequação dos modelos, visando a construção de uma estratégia em conjunto.
http://revolucaoebook.com.br/inclusao-ebooks-bibliotecas/

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Pelo Facebook, bibliotecária arrecada 400 livros em 4 meses

Modelos de negócios para bibliotecas: aquisição perpétua & ebooks

Modelos de negócios para bibliotecas: aquisição perpétua & ebooks

2nd Ave Library 03
Que as bibliotecas desejam – e precisam – incluir ebooks em seus acervos não é novidade. O que tem causado muitas duvidas é como fazer isso, com as mudanças que estamos enxergando no cenário, desde as formas de aquisição até a variedade de modelos de negócios existentes, muitas vezes com cada fornecedor definindo como disponibilizará os ebooks.
Os documentos digitais não são novidade nos acervos – outros materiais já estão presentes há bastante tempo -, mas com os ebooks observamos mudanças significativas, principalmente na forma de aquisição e as possibilidades de disponibilização do acesso ao conteúdo aos usuários. Em decorrência do ocorrido com o mercado fonográfico que precisou se reinventar em decorrência da transformação sofrida com a digitalização e distribuição dos arquivos sonoros pelos consumidores, o mercado editorial mostra-se reticente e conservador, tentando resguardar sua atividade numa atitude sensata de autopreservação. Com isto nos deparamos com grande diversidade de modelos de negócios para a inclusão dos ebooks nas bibliotecas, com os fornecedores experimentando possibilidades comerciais, empregando tecnologia e plataformas proprietárias, ofertando obras e serviços de acordo com seus interesses, sua tradição ou força no mercado. Estas questões estão alterando profundamente a gestão das unidades de informação, uma vez que elas precisam se sujeitar ao que é ofertado, com pouca ou nenhuma possibilidade de negociação. É compreensível o conservadorismo, com os fornecedores estudando as possibilidades existentes, tateando para experimentar o modelo de negócios que seja interessante ao seu mercado e produto, que preserve seu lucro e se resguarde em relação à ampla distribuição de arquivos caracterizada pela pirataria, porém é chegada a hora de definir os modelos de negócios que sejam atraentes a todos os agentes envolvidos, construindo com as bibliotecas as formas de inclusão e emprego das mídias. Existem atualmente diversos modelos de negócios, muitos deles com variações que por si só poderiam ser considerados novas modalidades. Nem todos estão presentes no Brasil. Trataremos neste espaço dos modelos de negócios existentes, suas vantagens e desafios. Os principais modelos de negócios são: aquisição perpétua, assinaturas, Patron Driven Acquisition (aquisição orientada ao usuário ou PDA), Short Term Loan (aluguel por período curto ou STL), pay per view entre outros. Neste texto será apresentada a modalidade de aquisição perpétua e, no decorrer das semanas outros modelos serão abordados.

Aquisição perpétua

Este modelo é o mais tradicional, similar com a aquisição de volumes físicos. Nesta modalidade a biblioteca adquire as obras como se fossem em papel, porém são digitais. É um modelo confortável aos bibliotecários por sua similaridade às formas de aquisição tradicionais, porém existem questões que precisam ser avaliadas. A aquisição é realizada por título ou por conjunto de obras – modelo típico das assinaturas – com a biblioteca adquirindo os títulos que efetivamente deseja incluir no acervo. Alguns fornecedores permitem que sejam adquiridas obras por área do conhecimento, formando pacotes, o que pode baratear a aquisição de acordo com a quantidade de títulos presentes no conjunto.
A modalidade de aquisição perpetua já rendeu algumas controvérsias entre fornecedores e bibliotecas. Uma delas foi o estabelecimento de uma quantidade de acessos que um ebook poderia ter e, uma vez alcançado este número, a biblioteca precisaria comprar um nova licença. A editora HarperCollins definiu este modelo para bibliotecas públicas ao impor que, ao vender ebooks, quando uma obra fosse acessada 26 vezes – numero estimado de empréstimos que um livro físico suportaria – a biblioteca deveria adquirir uma nova licença. Felizmente este modelo não persistiu. Outra controvérsia foi liderada pela Random House ao fixar valores excessivos ao comercializar ebooks para bibliotecas, alcançando variações em até 300% em comparação com as versões impressas. Ainda hoje a política de preços apresenta valores altos para esta modalidade, nem sempre sendo atraente às bibliotecas. Existem casos de fornecedores que recusavam-se a vender ebooks para bibliotecas ou então que ofereciam a versão digital de best sellers apenas após atingir uma quantidade estipulada de exemplares físicos vendidos ou quando finalizasse um período semelhante a uma quarentena, após o qual os livros poderiam ser oferecidos em seu formato digital às bibliotecas.
Ao adquirir um título por aquisição perpétua a mídia pode ser baixada no servidor da instituição ou ficar acessível através de plataforma proprietária do fornecedor. Caso seja baixada no servidor da instituição, a biblioteca passa a contar com novos desafios como espaço de armazenamento (storage), backup, preservação digital, segurança e, com o passar do tempo, conversão dos arquivos na medida em que os formatos vão sendo atualizados. Na maioria dos casos a biblioteca não terá autonomia para realizar uma conversão de formato e deverá adquirir uma nova licença ou adquirir uma atualização das mídias licenciadas afinal ela não tem autonomia para modificar os arquivos adquiridos. Se as mídias forem armazenadas no fornecedor, é necessário preocupar-se com a garantia que o acesso estará sempre disponível, assegurando a permanência de longo prazo daquele título em servidor, com as atualizações de versões de softwares de leitura.
Independente se o arquivo estará no servidor da instituição, com o fornecedor ou nas nuvens, o software da plataforma deverá ser utilizado para acessar o conteúdo. Alguns fornecedores realizam cobrança para utilização de plataformas proprietárias, sendo demandado às bibliotecas a aquisição ou renovação de uso do software de leitura dos ebooks.
Caso a instituição opte por não utilizar a plataforma de leitura dos ebooks, normalmente é estipulado por contrato que o fornecedor deve entregar o conteúdo adquirido em meio digital como o CD, por exemplo.
Algumas plataformas condicionam a abertura dos arquivos em um único dispositivo, impedindo que o mesmo livro seja aberto ora no computador, ora no tablet, e-reader ou smartphone. Estas restrições são observadas, inclusive, pelos leitores que adquirem seus ebooks nas livrarias, o que resulta em muitas reclamações e iniciativas para “quebrar” o DRM.
Ao adquirir livros eletrônicos, a biblioteca precisa ter ciência que existem restrições, com os arquivos através de aplicação de DRM (Digital Rights Management ou gestão de direitos digitais). O DRM determinará como será o acesso, possibilidade de cópia ou reprodução do conteúdo, distribuição a terceiros, impressão (total ou parcial) e modificação do conteúdo. O DRM controla o uso que será feito do arquivo podendo, inclusive, não permitir que o mesmo seja acessado. O DRM roda no servidor do provedor do ebook e não nos dispositivos de leitura, que se não possuir o software não permitirá o acesso ao arquivo. A aplicação ocorre com a utilização de software compatível com o esquema de DRM utilizado no ebook. Analisando sob a ótica do fornecedor, o DRM representa um custo para implementação e não representa segurança robusta quanto a má utilização que pode ser feita de um ebook, principalmente no que tange a distribuição não autorizada.
Caso a biblioteca queira proporcionar acesso simultâneo de um ebook a seus usuários ela deverá comprar “exemplares” do livro eletrônico. Ao adquirir um ebook, imagina-se que o arquivo eletrônico poderá ser aberto de forma simultânea, fazer download diretamente no site da biblioteca, imprimir, encaminhar etc., mas nem sempre isso é possível. Na maioria das vezes a aquisição perpétua funciona no padrão monousuário: uma mídia, um acesso, simulando o livro físico. Se a biblioteca quer ter mais acessos, precisará comprar mais mídias, passando a ter exemplares digitais em seus servidores, o que acarreta em uso excessivo de armazenamento, ocupando espaço para guardar arquivos iguais caso a mídia esteja sob a responsabilidade da instituição que adquiriu o ebook. Também deve ser observado que alguns fornecedores permitem o acesso aos arquivos em aplicações on line, obrigando o usuário a ter uma conexão com a internet para consultar e realizar a leitura. Opções mais atraentes permitem que o usuário da biblioteca faça o checkout do ebook e realize a leitura em ambiente off line.
As bibliotecas públicas tem sido mais afetadas pelas restrições do mercado editorial referente a aquisição de ebooks enquanto a situação apresenta-se mais estabelecida nas bibliotecas universitárias. Este fator é decorrente do emprego de recursos digitais há mais tempo nas bibliotecas universitárias, primeiramente com os periódicos, depois com a produção acadêmica e, finalmente com os ebooks. As bibliotecas universitárias sempre representaram vendas volumosas aos editores, impelidas pela necessidade de atualização dos acervos e projetos de pesquisa. A demanda por informação e fontes de referencia impulsionam a inclusão dos livros eletrônicos nos acervos, atendendo à necessidade de informação de estudantes e professores. Aqui no Brasil também foram observados avanços com o INEP (Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) passando a admitir a existência de livros eletrônicos nos acervos das instituições de ensino avaliadas, a partir de normativa de 2012.
De acordo com pesquisa publicada na Library Journal de 2012, 93% das bibliotecas universitárias norte-americanas optam pela aquisição perpétua, com a modalidade de assinatura respondendo por 79% das aquisições. Isto pode ser explicado pela necessidade da biblioteca universitária em realizar a curadoria de seu acervo digital, garantindo que determinados títulos façam parte do acervo, independente de renovações de licenças ou assinaturas. Nas bibliotecas públicas, mesmo com as restrições existentes, a aquisição perpétua responde por 80% das compras enquanto o modelo de assinatura representa 63% das aquisições. Quando a biblioteca é responsável pela guarda dos arquivos (self hosting), os números caem para 18% para universitárias e 13% nas bibliotecas públicas, ou seja, uma diferença significativa. Este fato é explicado pela dificuldade da biblioteca em realizar a guarda e controle dos objetos digitais ou devido ao fato que nem todos os fornecedores permitem que a biblioteca tenha a guarda do arquivo. Nem sempre as bibliotecas possuem servidores para armazenamento de ebooks, sem contar que a manutenção e, principalmente, a obsolescência de mídias e softwares, demandam alto investimento de aquisição e manutenção. Delegar ao fornecedor que ele seja responsável pela guarda do arquivo é confortável às bibliotecas, cabendo apenas a atenção de incluir a garantia de acesso a longo prazo nos contratos, resguardando a biblioteca de limitações de acesso às obras adquiridas.
O modelo de negócios de aquisição perpétua é oferecido no Brasil, porém a inclusão de ebooks aos acervos brasileiros tem ocorrido – a exemplo do que ocorreu com os Estados Unidos e a Europa – prioritariamente nas bibliotecas universitárias.