terça-feira, 25 de junho de 2013

Livro livre, um bem coletivo: leia, devolva ou passe adiante

Livro livre, um bem coletivo: leia, devolva ou passe adiante

Diário do Nordeste - 14/06/13

Biblioteca Popular Fortaleza

Parece utopia se falar em qualquer espécie de bem que possa ser compartilhado sem controle e por pessoas que não se conhecem. O projeto que será inaugurado hoje, em Fortaleza, ainda que pequeno, aposta nessa possibilidade, inserindo neste contexto um bem caro e imprescindível a qualquer cidadão: o livro.

Os livros de projeto, em Brasília, ficam à disposição do público em 37 paradas de ônibus

A Biblioteca Popular funcionará na Casa Vermelha, equipamento mantido por coletivos ligados ao Partido dos Trabalhadores, com inauguração agendada para 18 horas. Pelo sistema, os livros estarão dispostos em frente ao prédio, ao alcance de quem passar pela rua. Para o empréstimo, basta retirar o livro da prateleira, levar e ler.

O modelo é espelhado na experiência da Parada Cultural, projeto de Brasília mantido pelo Açougue Cultural, que disponibiliza os livros ao longo de 37 paradas de ônibus de uma mesma avenida, também sem necessidade de cadastro prévio ou qualquer outro mecanismo de controle. O leitor pode recolher o livro, ler durante o trajeto e devolver à frente, ou mesmo levar para casa, sem dia certo para a devolução. Também é possível adicionar títulos ao acervo, simplesmente deixando-os em uma das paradas. O mentor do projeto, Luiz Amorim, vem a Fortaleza para uma palestra sobre o assunto.
"Eu ouvi falar da experiência de Brasília e achei que era uma sacada simples de priorizar totalmente o acesso aos livros, abrindo mão até dos controles que são tão comuns nas bibliotecas", relata o vereador Guilherme Sampaio, que idealizou a Biblioteca Popular da Casa Vermelha. Ele aponta a facilitação do acesso ao livro como a principal sacada do projeto original. E sustenta que, assim como em Brasília, é possível fazê-lo funcionar na Capital cearense.

"Eu peguei um ônibus no corredor onde a biblioteca de Brasília está instalada, fui parando nas paradas, observando e conversando com as pessoas. Somente uma disse que não tinha devolvido o livro. O fato é que as estantes estavam sempre abarrotadas. Sobre esse controle. A resposta que me deu o idealizador do projeto, Luiz Amorim, resolve a questão: se uma pessoa levar e não devolver, é porque está precisando do livro".

Bookcrossing

O lema da versão de Fortaleza será "o prazo é seu, o livro é de todos", tarja que estará colada em cada título para estimular a ideia nos leitores. Ainda que em proporções bem menor que a de Brasília, com apenas um espaço no pátio de entrada da Casa Vermelha dispondo de mil livros, a Biblioteca Popular trabalha em torno de uma ideia de compartilhamento que ganha força no mundo. Uma experiência diferente mas seguindo princípios semelhantes é difundida através do site BookCrossing (www.bookcrossing.com). O portal possui um acervo difuso e volante, composto de forma colaborativa, organizado virtualmente e compartilhado por pessoas de diversos países.

"As vantagens em relação a uma biblioteca comum é que você não precisa de uma ´biblioteca em si´, a biblioteca é o mundo, a partir do momento que você liberta o livro, ele torna-se um livro viajante, e através do site você pode acompanhar por onde ela anda, quem o leu e etc", pontua o paulista Anderson Araújo, usuário do site e entusiasta da ideia.

Através do site, é possível pesquisar a relação de livros cadastrados e adicionar as leituras desejadas à sua lista de desejos. Quiçá, o livro pode lhe ser entregue em mãos, ou enviado pela pessoa com quem ele esteja. Pontos de troca também já começam a ser abertos para sistematizar o encontro entre os chamados "bookcrossers".

"Acho que não só em São Paulo, mas no Brasil o sistema ainda está engatinhando, pois existem poucos livros circulando, mas acompanhando pelo site, eu vejo que todo o dia acontece liberação de livros no Brasil, ou seja acho que teremos um resultado melhor a longo prazo, estamos apenas no inicio", avalia Anderson Araújo. Antes de conhecer o projeto, lembra, ele chegou a juntar acervo para montar uma biblioteca comunitária. Os livros foram cadastrados no site e, agora, são parte do acervo global.

Anderson diz que costuma recorrentemente "libertar" seus livros, como é nomeada a passagem do livro adiante, em espaços públicos ao acaso. Após cadastrar o título no site, deixa-o em locais como clínicas médicas, bancos de praça, para que outra pessoa o encontre e sinta-se estimulada a lê-lo. Uma etiqueta colada em uma das páginas ensina ao usuário que encontrar o livro a registrar-se no site e atualizar o status da obra, para que o dono anterior possa acompanhar por onde anda o livro liberto.

"Há um enorme descrédito das pessoas e também uma recusa a se desfazer de seus livros, por muitos motivos. Sabemos que quem é amante dos livros acaba criando um certo vínculo, que torna muitas vezes impossível da pessoa simplesmente deixar aquele livro que mudou a sua vida ao acaso num banco de praça", pondera. Ainda assim, garante Anderson, liberta pelo menos um livro por semana, e registra tudo no site diariodeumbookcrosser.blogspot.com.br). Atualmente, existem 28 pontos de bookcroosing no Brasil. O mais próximo de Fortaleza, fica na Universidade Federal do Semi-Árido, em Mossoró (RN).

Devoradores... de livros! Para eles, leitura não é bicho-papão

Devoradores... de livros! Para eles, leitura não é bicho-papão

A Crítica - 14/06/13

Todo mundo já ouviu dizer que os adolescentes não gostam dos livros e que não querem nada com a leitura. Mas talvez esteja na hora de reavaliar essa noção clichê que perdura há tempos no imaginário coletivo: é que nos últimos anos, em grande parte graças a fenômenos literários juvenis como “Harry Potter”, “Percy Jackson” e “Diário de um banana”, muitos jovens deixaram ou estão deixando de ver a leitura como um bicho-papão para se tornarem verdadeiros fãs dos livros.

Um exemplo da nova geração de “leitores vorazes” na fase da adolescência é Mateus Belota, de 13 anos. Ao mesmo tempo em que está lendo um dos livros da série “Os Heróis do Olimpo” – continuação da bem sucedida coleção “Percy Jackson e os Olimpianos”, de Rick Riordan –, ele já está de olho em vários outros títulos que espera ler em seguida. Entre eles, um novo título da série “Os legados de Lorien”, iniciada há pouco tempo com “Eu sou o Número Quatro”.

“Agora só estou lendo um livro. Quero comprar mais, mas é difícil encontrar nas livrarias”, reclama o jovem leitor.
Outra com o mesmo apetite de Mateus por livros é Ana Milena Gouvêa, 16. Apesar de já estar lendo dois livros solicitados pela escola – o ensaio filosófico “O Anticristo”, de Friedrich Nietzsche, e o romance “Memórias de um sargento de milícias”, de Joaquim Manuel de Almeida –, ainda decidiu ler por conta própria uma coletânea de contos de Edgar Allan Poe. E está curtindo.

“Estou gostando muito do Edgar, porque é uma literatura meio sombria, misturada com mistério. Ele é superlegal”, defende.

Mundo descoberto
A paixão pelos livros, tanto para Mateus quanto para Ana Milena, não veio automaticamente junto do aprendizado da leitura. Ela chegou mais tarde, com títulos que faziam mais a cabeça dos dois jovens. A série de Percy Jackson, por exemplo, foi a primeira que Mateus leu, por volta dos 9 anos. “Adoro a mitologia grega desde os 6 anos, quando li um livro sobre ela. Mas era um livrinho, pequeno”, recorda o garoto.

Já Ana Milena conta que não ligava lá muito para livros quando era criança – principalmente os da escola. “Achava chato, pois eram só coisas como Machado de Assis”, diz. As coisas mudaram, ela conta, quando teve contato com “Harry Potter”. “Comecei a gostar de ler, apesar de ter demorado bastante para conseguir os livros todos”.

E o interesse pela leitura só cresceu com o tempo: “Na pré-adolescência eu via filmes de livros, e o pessoal sempre dizia, ‘Os livros são melhores que os filmes’. Daí fui atrás dos livros. Hoje, ‘Jogos vorazes’ foi a primeira série que li antes de ver no cinema”.

Em casa e na rede

Além do cinema, outros estímulos para os jovens leitores vêm de diversos lugares. Ana Milena às vezes busca sugestões da professora de Redação. Mateus começou a ler “Harry Potter” por indicação de amigos. E a web – quem diria – é aliada de ambos.

“Alguns livros fui lendo porque eram de um mesmo autor, outros vi na Internet”, conta Mateus. “Nas redes sociais, quando vejo que uma pessoa leu um livro novo, pergunto como é a história, e peço para comprar ou emprestar”, diz Ana Milena.

A jovem de 16 anos, aliás, já mira mais à frente: seu próximo alvo é “Morte súbita”, livro adulto da autora de “Harry Potter”, J.K. Rowling. Ou seja: para jovens como ela e Mateus, essa paixão não acaba tão cedo!

De leitora a escritora

A paixão pela leitura estimulou a jovem Bruna Chíxaro, de 21 anos, a passar para o “outro lado” do universo dos livros. Encantada pelos livros que narravam a trajetória de Ana Bolena, rainha inglesa de fim trágico, ela decidiu também escrever a sua versão da história. O resultado é “Ana Bolena”, seu livro de estreia, que deve ser lançado pela Valer no próximo dia 22, às 10h, no Caesar Business Hotel.

A aventura de Bruna como autora começou meio que por acaso, com um blog sem pretensão nenhuma, quando a garota tinha 17 anos. “No início escrevi só para organizar minhas ideias”, conta ela. Mais tarde, quando a ideia evoluiu para a publicação, ela decidiu escrever algo que agradasse gente da sua idade e até os mais jovens.

“Resolvi escrever como se estivesse contando a história para a minha irmã, que é mais nova”, conta ela, que buscou fugir do estilo acadêmico. “Resolvi fazer assim também porque acho que livro de História às vezes é meio chato”, comenta.

A paixão por livros, Bruna credita à família. “Desde que aprendi a ler – ou até antes –, gosto de livros. Sempre tive livros na casa dos meus pais, e sempre fui muito incentivada”, relembra ela. Fora da família, outro estímulo veio de Tenório Telles, da Livraria Valer. “Ele foi o primeiro, além dos meus pais, a me dar um livro. Era ‘O senhor dos ladrões’, e eu gostei muito”.

Bruna nota que os adolescentes hoje estão lendo mais do que na sua época. “Acho que a mídia teve muito a ver. Hoje a divulgação de livros é bem maior”, opina a jovem autora. E, para ela, toda leitura vale a pena: “Já ouvi falar mal de Meg Cabot, dizendo que não é literatura”, diz. “Essas séries não são meu tipo de livro, mas ler sempre ajuda a gente a se expressar”.

E Bruna não vai parar com “Ana Bolena”: o próximo livro, em gestação, será sobre o Iluminismo na Rússia.

Best-sellers

Desde o fenômeno “Harry Potter” para cá, uma onda de livros voltados para o público juvenil invadiu as prateleiras. Além dos já citados na matéria, outras séries de sucesso são “Fala sério”, de Thalita Rebouças, e “Querido diário otário”, de Jim Benton, além dos gibis da Turma da Mônica Jovem.

O novo capítulo do livro didático

O novo capítulo do livro didático

Antonio Luiz Rios - Jornal do Brasil - 14/06/13

Em 9 de agosto de 2013, quando estiver plenamente concluído o processo de inscrição, no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), das obras para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para o ano letivo de 2015, o Brasil começará a escrever um novo e importante capítulo na história desse projeto e nas metas relativas à democratização do conhecimento e à melhoria da qualidade do ensino. 

Refiro-me ao fato de, pela primeira vez, as editoras poderem apresentar obras multimídia, que contemplem o livro impresso e o digital. Esse é um significativo avanço, pois também representa a inclusão digital de milhões de alunos das escolas públicas, muitos deles ainda distantes dos tablets e computadores, equipamentos nos quais podem ser lidos os e-books. A novidade beneficia igualmente os professores, considerando que eles também recebem as obras. 

Esse avanço editorial é um significativo avanço das obras de educação brasileira. Representa um desafio para o mercado que tem a responsabilidade de responder à altura às mudanças positivas introduzidas pelo poder público. A versão digital, segundo o Ministério da Educação, deverá ter o mesmo conteúdo do material impresso e incluir objetos educacionais digitais, como vídeos, animações, simuladores, imagens, jogos e textos, dentre outros recursos capazes de auxiliar na aprendizagem. 

Embora o regulamento do PNLD 2015 ainda permita a apresentação de obras somente na versão impressa, de maneira a viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias, é muito desejável que as empresas aproveitem da maneira mais ampla possível essa oportunidade de modernização e ampliação das mídias à disposição dos alunos brasileiros. Mais do que uma alternativa comercial, esse avanço deve ser visto sob a perspectiva de um novo patamar de qualidade do ensino nacional, objetivo a ser cada vez mais compartilhado pela sociedade. Afinal, estamos falando de uma previsão inicial de aquisição de aproximadamente 80 milhões de exemplares, para atender a mais de 7 milhões de alunos, de 20 mil escolas do ensino médio em todo o Brasil. 

É um contingente expressivo de jovens que poderão ganhar um novo e eficaz canal de aprendizado. É bom para eles e para o país! Acompanhando a introdução do e-book, há outra novidade interessante no PNLD 2015. Trata-se da inclusão dos livros de arte, além dos componentes curriculares já atendidos na última edição do programa relativo ao ensino médio: português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia. 

É pertinente iniciar a trajetória do e-book no ensino médio, cujos alunos, a maioria adolescentes, já têm mais familiaridade com as linguagens digitais, para, depois, irem se disseminando nas demais faixas de idade. O PNLD é executado em ciclos trienais alternados. Desse modo, a cada ano são adquiridos e distribuídos livros para todos os alunos de um segmento, que pode ser os anos iniciais ou finais do ensino fundamental ou o ensino médio. Paulatinamente, nosso país caminha no sentido de estabelecer novos referenciais de aprendizado para os estudantes das escolas públicas. 

*Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD.

Leitura: políticas públicas devem ter foco em docentes

Leitura: políticas públicas devem ter foco em docentes

Folha Dirigida - 11/06/13

Em um cenário de redução dos índices de leitura, escritores e profissionais do setor do livro destacam as iniciativas da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME) como modelo de políticas públicas de incentivo à leitura no país. Isso porque os estudos revelam que, hoje em dia, são os docentes as figuras mais influentes na formação dos novos leitores.

A temática foi debatida durante o Simpósio Retratos da Leitura no Brasil - 3ª edição, realizado no último dia 6, como um dos eventos paralelos do 15ª Salão FNLIJ do Livro Infantil e Juvenil. Na ocasião, a socióloga Zoara Failla apresentou os dados da 3ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura do Brasil”, divulgada em março de 2012. Encomendada ao Ibope pelo Instituto Pró-Livro (IPL), com apoio da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a pesquisa — coordenada pela própria Zoara Failla — revelou queda dos índices de leitura do país.
Dos mais de cinco mil brasileiros entrevistados em 315 municípios durante o ano de 2011, só 50% eram leitores. Em números brutos, os dados indicam a presença de 88,2 milhões de leitores no país. Eles leem quatro livros por ano, em média, sendo que apenas dois do começo ao fim. Na segunda edição da mesma pesquisa, realizada em 2007, 55% dos entrevistados eram leitores, totalizando um número de 95,6 milhões de leitores, que liam, em média, 4,7 livros por ano.

Zoara Failla chamou a atenção para a influência do professor na formação de novos leitores. “Em 2007, o professor aparecia com a pessoa mais influente no despertar do gosto pela leitura para 33% dos entrevistados e a mãe era apontada como com a figura mais relevante para 49%. Na versão mais recente, o professor foi apontado como a figura mais influente para 45% dos entrevistados, e as mães apareceram em segundo lugar, com 43%. O trabalho desenvolvido pelos docentes nas escolas é de suma importância”, explicou a coordenadora da 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura.

No entanto, segundo Zoara Failla, o levantamento também revelou que os interesses de leitura dos professores não diferem dos gostos da maioria da população. Os gêneros mais lidos pelos brasileiros são: livros didáticos, bíblia, livros religiosos, livros técnicos, livros infantis e livros de auto-ajuda. As duas publicações mais lidas no período da pesquisa foram “A Cabana” e “Ágape”. E os professores acompanharam essa tendência.

Presidente do Snel, Sonia Jardim assinala o papel estratégico do educador para cativar novos leitores, sugerindo políticas públicas com foco na formação docente. “A análise que se faz é que as políticas públicas não estão funcionando a contento. Os números não mentem. Considero interessante o fato de constatarmos que ele próprio, o professor, não tem o hábito da leitura. E que seus livros prediletos não tem um diferencial em relação ao restante da população.”

Neste aspecto, Sonia Jardim parabeniza a Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro por distribuir livros de literatura para os educadores da rede. “O programa ‘Rio, Cidade de Leitores’ apoia o professor, dando livros, inclusive, de literatura. Livros interessantes, gostosos de ler. Esperamos que os professores se apaixonem por essas obras. Já os programas do Governo Federal se restringem aos livros de formação”, completou a presidente do Snel.

Quem também participou do encontro foi Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Na mesa “Reflexões sobre os artigos publicados no livro Retratos da Leitura no Brasil”, que também aconteceu no dia 6, a escritora apresentou seu texto “Sangue nas Veias”. O trabalho integra a publicação Retratos da Leitura no Brasil 3, lançada na bienal de São Paulo no ano passado, que traz uma coletânea de artigos que analisam aspectos variados dos hábitos de leitura dos brasileiros, pautados nos resultados da série de pesquisas Retratos da Leitura no Brasil (2000, 2007, 2011).

Para a presidente da ABL, uma das alternativas para melhorar os índices de leitura do país é justamente estimular professores a lerem literatura. Tal medida, segundo a escritora, ajudará a potencializar o papel estratégico dos docentes no despertar do interesse de crianças e jovens pela leitura.

“Podemos estimular os professores criando uma biblioteca de professores na escola ou um clube de leitura de docentes. Devemos dar oportunidades de os professores terem acesso a livros de leitura, mas sem nenhuma cobrança. O livro precisa ter uma presença maior na formação docente. A maioria das escolas de Pedagogia não tem Literatura Infantil”, avaliou a Ana Maria Machado.

Diante do cenário revelado pelo levantamento, a presidente da ABL destacou as ações desenvolvidas pela SME/RJ voltadas para a formação do professor-leitor. “A SME/RJ desenvolve ações contínuas de incentivo à leitura há oito anos. Em muitos aspectos, os indicadores do Rio de Janeiro são melhores. É o projeto de incentivo à leitura do professor, feito em parceria com FNLIJ, é muito importante. São cursos sobre Literatura Infantil e Literatura Juvenil para os educadores. Eu tenho certeza de que esses números positivos do Rio se devem a esse programa, pois há uma continuidade. Os professores fazem debates sobre os livros que recebem”, explicou a presidente da ABL.

Rio, uma cidade de leitores - O projeto visa a incentivar e fortalecer o hábito da leitura por prazer de alunos e professores da rede municipal de ensino. Dentre suas ações estão a compra de livros de literatura para os professores da rede e criação da comissão Carioca de Leitura, que acompanha e discute as ações de leitura do projeto.

A participação no 15° Salão do Livro integra o programa. Segundo a SME, foram investidos um total de R$1.017.572,50 no evento, sendo R$894 mil destinados ao reforço e atualização dos acervos de 1.440 unidades de ensino e bibliotecas escolares da rede municipal.

Salão do Livro até dia 16 - “A arte de ilustrar livros para crianças e jovens” é o tema do Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós que se estende até a quinta, dia 13. A atividade integra a programação do “15º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens” que, neste ano, tem como temática central a “Ilustração”.

Em sua 15ª edição, o Salão do Livro homenageia a Colômbia, que enviou personalidades do setor literário para debater os desafios do incentivo à leitura no continente com especialistas e gestores do Brasil. O encontro abrange 71 editoras distribuídas em 85 estandes. As atividades se estendem até o domingo, 16.

A programação inclui uma série de encontros paralelos, como o “Panorama da literatura infantil e juvenil latino-americana — seções latino-americanas do Ibby”, que reunirá representantes de México, Cuba, Bolívia, Peru, Equador, Guatemala, Argentina, Uruguai, Venezuela, entre outros. 

A visitação é aberta ao público, das 8h30 às 18h, de segunda a sexta-feira, e de 10h às 20h, aos sábados e domingos. O ingresso custa R$5. Além de professores da rede municipal do Rio de Janeiro, a gratuidade é concedida a maiores de 60 anos, portadores de deficiência e instituições que trabalham com crianças e jovens de comunidades de baixa renda, pré-agendadas com a FNLIJ.

A internet e o mercado editorial

A internet e o mercado editorial

internet e mercado editorial


O mercado livreiro começou a utilizar a web-marketing para comunicar ao leitor o que acontecia no mundo dos livros, então, a Internet virou um aliado e é nela que é possível construir novas relações. A web-marketing é a maneira de fazer negócios via Internet; é através desse meio que o mercado não só divulga ou vende os livros, mas constrói uma relação com o cliente-leitor: "A Internet não é um meio de vendas; é um meio de comunicação, de educação e de suporte" (VASSOS, 1997, p.XXVI).

A Internet é mais uma ferramenta que o mercado livreiro encontrou para facilitar a venda dos livros, existem vários exemplos de como o mercado construiu através da Internet uma relação com o leitor, garantindo assim novos clientes, mas não se pode esquecer as dificuldades iniciais que o mercado teve para conseguir fazer com que o livro chegasse, evidentemente, às mãos dos leitores.

O ponto de partida

O mercado de distribuição de livros começou de forma bem complicada; era uma mercadoria delicada, que poderia ser danificada com muita facilidade. Para retirar os livros da Europa e poder distribuí-los para o resto do mundo, era necessário que fossem transportados por navio ou carro. A grande preocupação é que a mercadoria fosse molhada ou danificada durante um momento do percurso.

Outra preocupação é que eram necessários correspondentes alfabetizados, que soubessem localizar os pontos de entrega do livro, o que muitas vezes era um problema, já que algumas mercadorias acabavam se perdendo. Outro empecilho era a forma de pagamento; na época, era quase impossível pagar a vista, pois a mercadoria ganhava diversos encargos, então os livreiros trocavam os livros, o que não era muito proveitoso, pois muitas vezes alguns livros acabavam encalhados no fundo de suas lojas.

Estratégias

Na tentativa de facilitar a venda dos livros, os livreiros começaram a criar uma rede comercial que pudesse abranger longas distâncias. Agentes com catálogos com os títulos dos livros começaram a percorrer diversas cidades prospectando novos clientes, normalmente tais agentes escolhiam cidades que estivessem em período de festas ou tivesse grandes feiras, pois era certeza de um grande público.

Os agentes espalhavam pelas cidades cartazes com local, dia e hora para quem tivesse interesse poder fazer suas encomendas e ver os catálogos, muitas vezes era espalhado pela cidade também o local que o agente estava hospedado, facilitando assim as negociações. Alguns agentes sempre retornavam para as cidades que tinham se destacado na quantidade de vendas, às vezes até chegavam a morar lá para vender pequenos estoques de livros.

Por volta de 1490, a rede de comércio do livro já estava organizada em toda a Europa, o transporte dos livros não era mais um problema, no decorrer dos séculos outros países começaram a fabricar seus próprios livros e o mercado livreiro passou a ficar presente no mundo todo.

A outra face

Hoje a maior preocupação não está mais na logística do livro, mas na tentativa de atrair o maior número de leitores possível, para isso o mercado livreiro disponibiliza um variado acervo que pode agradar leitores dos mais variados estilos, evitando assim qualquer tipo de segmentação. O mercado aproveitou a chegada da Internet para tentar chegar ao leitor de forma mais rápida e mais direta, utilizando assim as estratégias de web-marketing.

No início, a Internet era apontada como um vilão do mercado editorial, já que sempre que nascia uma nova tecnologia uma tradicional era ameaçada de extinção aos poucos o mercado conseguiu fazer com que esse vilão trabalhasse a seu favor, pois a Internet é um meio que todos podem ter acesso, independente de sua localidade ou tempo Agora o mercado tem que conciliar o on-line20 com o off-line, fazer com que as pessoas se interessassem de forma on-line por algo que era tradicionalmente off-line. Por conta disso, as estratégias, em especial as de web-marketing estão sendo utilizadaslo mercado livreiro com a finalidade de fidelizar e conquistar novos leitores, o que se tornou mais importante e lucrativo do que somente vender, mesclando, assim, o on-line com o off-line, em suas infinitas combinações. O desafio é gerenciar todo o conteúdo que passa por esses pontos de acesso até o cliente-leitor, sendo indispensável um plano para que a informação chegue de forma rápida e clara aos consumidores. A quantidade de informações na rede é tão grande que é necessário um seletor de conteúdo. As editoras agora utilizam a rede para conhecer um pouco mais do leitor e assim poder oferecer a esse público o que eles buscam de modo mastigado e bem pontual, muitas vezes com a ajuda dos próprios leitores que possuem um poder de voz na web, ajudando na divulgação eficiente dessas informações.

A ação

O mercado divulga características detalhadas do livro, críticas e até entrevistas com o autor e o capista, tudo fabricado pela própria editora, que é repassado para todos os meios que queiram ajudar na divulgação, assim estariam falando sobre a mesma coisa, ao mesmo tempo. A "Modo Editora" se utilizou desse mecanismo para divulgar suas obras; o que ela não percebeu é que o leitor estava cansado de ver as mesmas informações em diversos lugares e ao mesmo tempo. Em vez de divulgar, a forma que estava sendo utilizada estava criando uma imagem negativa da empresa.

O elemento-chave

Mas não era a única que usava esse mecanismo. São inúmeros autores e editoras que não percebem que tal divulgação não prende a atenção do leitor.

A chave do sucesso na web é usar o "Principio Yoda", dar e depois receber; quanto mais pessoas leem um livro, mais valioso e importante ele se torna, a atenção do usuário vale dinheiro. As editoras e os autores passaram a distribuir seus livros para blogs literários, e possíveis divulgadores do mercado literário; agora, em vez de divulgarem a mesma resenha, cada blogueiro passou a criar sua própria resenha, a fazer sua própria entrevista com o autor, a criar um material de divulgação próprio, talvez um material até mais valioso que os releases fabricados pelas editoras; o blogueiro passou a opinar quais leituras valiam a pena, e a influenciar na compra dos leitores.

FIQUE POR DENTRO

Os múltiplos caminhos de um processo

O segredo do sucesso é saber o que motiva o cliente, saber quais seus interesses, respeitando a individualidade de cada um. Uma das grandes necessidades do usuário é a informação, e, nesse vasto depósito de informações que é a web, os blogs literários fazem o papel de selecionar o conteúdo, fazendo uma clippagen e separando as notícias por interesses. Apesar de todos os blogs falarem sobre livros e sobre o mercado livreiro, alguns se especializam em determinados gêneros e títulos, fazendo com que seja mais fácil achar algumas informações. Outra necessidade do usuário é a questão do entretenimento. As pessoas são tão interessadas nisso que elas chegam a pagar por entretenimento, mas a diversão deve está sempre aliada ao conteúdo. As editoras estão lançando jogos on-line para entreter o público. Desse modo, na tentativa de conquistar, definitivamente, o leitor, a Editora Novo Conceito lançou diversos aplicativos em sua fanpage22 inspirados nos lançamentos da editora para incentivar a compra dos livros. Um exemplo é o aplicativo Starters - O jogo23 inspirado no livro Starters de Lissa Price.


NEYARA FURTADO LOPES*
COLABORADORA
Do Curso de Publicidade e Propaganda da Unifor

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Editora especializada em suspense oferece livros digitais gratuitos!

Editora especializada em suspense oferece livros digitais gratuitos!

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http://catracalivre.com.br/geral/livro/indicacao/editora-especializada-em-horror-oferece-livros-digitais-gratuitos/http://catracalivre.com.br/geral/livro/indicacao/editora-especializada-em-horror-oferece-livros-digitais-gratuitos

terça-feira, 18 de junho de 2013

Biblioteca: ambiente de lazer

Biblioteca: ambiente de lazer

É considerado “leitor”, segundo critério internacional, a pessoa que tenha lido pelo menos um livro inteiro nos últimos três meses. O Ibope divulgou no dia 05 de abril de 2013 os resultados da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Dentre os dados obtidos, foi constatado que para a maioria dos entrevistados biblioteca é “um lugar para estudar”.


Biblioteca Central da UFMG (Foto: Marcos Maurilio)
Com o objetivo de ampliar essa classificação e fazer com que a biblioteca também seja vista como ambiente de lazer, existe na Biblioteca Central (BC) da UFMG o projeto de extensão "Ler o mundo: práticas de leitura", no Espaço de Leitura.
Localizado na entrada da Biblioteca Central da UFMG, Campus Pampulha, o Espaço é "colorido, descontraído e confortável, composto por poltronas, diferenciado do ambiente das bibliotecas convencionais", descreve Cleide Vieira de Faria, bibliotecária-chefe da Biblioteca Central e responsável pela iniciativa.
Inaugurado em 2009, disponibiliza aos usuários cerca de três mil exemplares em um acervo "formado por publicações informativas como jornais e revistas e por obras de variados gêneros literários como poesia, romances, literatura clássica, biografia, literatura infanto-juvenil, best-sellers, história, culinária, autoajuda e artes." Além de obras que "visam atender as diferentes necessidades dos usuários, como livros em braille e em áudio", informa Cleide.
Paula Serelle Macedo, estudante do oitavo período de Ciências Biológicas da UFMG, faz parte dos 75% de brasileiros que leem por prazer.  “Visito o Espaço quase todo dia, umas quatro vezes por semana.” A leitura para ela não é uma obrigação. “É o que faço no meu tempo livre.”, conta.
Acontecem no Espaço diversas outras ações culturais (oficinas, debates, lançamentos de livros) entre as quais está o "Cinema para ler" que promove, na última sexta-feira de cada mês, a exibição de filmes baseados em histórias originalmente contadas em livros, como "O pagador de promessas", "O perfume", "Xangô de Baker Street", entre outros.
"Visando estimular a formação de leitores e oferecer diferentes suportes culturais e informacionais, através da arte, da música, da contação de histórias, do teatro e exposições, resultando na interação entre a Universidade e a sociedade", destaca Cleide. O cronograma para 2013 ainda será fechado, mas visitas de escolas ao Espaço podem ser agendadas na Biblioteca Central.
O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 22h. Segundo a coordenadora o espaço é aberto à comunidade interna e externa à UFMG. As obras disponíveis podem ser consultadas no Catálogo on-line do Sistema de Bibliotecas no site www.bu.ufmg.br.
Redação: Thaís Leocádio, bolsista de Jornalismo na Assessoria de Comunicação da Pró-reitoria de Extensão da UFMG 

Marcadores de livros é tema de exposição na UFMG

Marcadores de livros é tema de exposição na UFMG

Em princípio, eles têm uma função pontual que é a de facilitar a leitura. Entretanto, muitas vezes os marcadores vão além desta função e despertam afeto e lembrança nos leitores. Inclusive, muitos se tornam colecionadores deste nobre objeto.
A história dos marcadores, sua finalidade e os diferentes modelos podem ser vistos na exposição Marcadores de livros marcando a história. O intuito da mostra é incentivar o uso destes objetos como forma de preservação dos exemplares. O evento acontece até 15 de julho, no Espaço de Leitura da Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A exposição faz parte do projeto Ler o mundo: práticas de leitura, que é apoiado pela Biblioteca Universitária. O evento também possui um espaço com marcadores de diversos formatos onde os visitantes poderão apreciá-los e escolher um para levar para casa.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (31)3409-4613.
Fonte: UFMG. Editado pelo CRB-6.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Novas soluções para o velho mercado editorial

Novas soluções para o velho mercado editorial

Eber Freitas - Revolução Ebook - 04/06/13

Como competir com as jovens empresas de base tecnológica que estão invadindo o mercado de conteúdo? Juntando-se a elas. Essa é a tese defendida por Javier Celaya, fundador do portal cultural Dosdoce.com e consultor especialista em mercado editorial. Todas as empresas envolvidas na cadeia produtiva do livro digital – incluindo as livrarias digitais, que estão com os dias contados – podem utilizar o conhecimento gerado por pequenas empresas de base tecnológica para dar uma nova dinâmica ao negócio e se tornarem competitivas novamente.

“Para sobreviver na era digital, tudo o que as entidades da cadeia do livro devem compreender é que tecnologia irá se transformar no centro dos seus modelos de negócios. As pequenas e médias livrarias que não abraçarem a tecnologia irão desaparecer na próxima década”, afirma Celaya. Ele irá ministrar uma palestra sobre Desafios para as pequenas e médias livrarias num mundo digital, durante o 4º Congresso Internacional do Livro Digital.

Para ele, abraçar a tecnologia vai além de simplesmente criar uma loja virtual. Significa desenvolver ferramentas tecnológicas de ponta para atender a todas as necessidades dos consumidores contemporâneos – incluindo mobile apps com funções sociais, dentre outras. “Não é fácil competir na internet, mas também não é impossível”, declara.

A falta de competitividade, segundo o consultor, deriva de uma distância que existe entre empresas da cadeia produtiva do livro e empresas de base tecnológica (startups), muitas das quais estão desenvolvendo a cada momento novos produtos e serviços que poderiam solucionar vários gargalos do mercado atualmente. O fato foi comprovado por um estudo publicado recentemente, mostra que apenas 9% dos editores mant?m uma relação “fluida” com startups.

“Se os conglomerados de mídia, telecomunicações, finanças e companhias hospitalares, dentre outros setores, estão trabalhando com startups relacionadas aos seus setores para, juntos, identificarem oportunidades de negócios, por que as companhais editoriais não poderiam fazer o mesmo?”, questiona. “Na era digital, os editores precisam criar serviços com valores agregados em torno do seu conteúdo, e tais serviços seriam fornecidos por startups”, conclui.

Professor usa próprio 3G para conectar tablet do governo em aula

Professor usa próprio 3G para conectar tablet do governo em aula
Terra - 04/06/13
Até o fim do semestre, 600 mil professores de ensino médio da rede pública devem estar com seu tablet em mãos, treinados e capacitados para usar a ferramenta em sala de aula, segundo previsão do Ministério da Educação (MEC). A entrega dos dispositivos e a formação dos docentes ainda estão no início e são realizadas em parceria com as secretarias estaduais de educação. No Rio Grande do Sul, cerca de 10 mil tablets foram distribuídos e, até junho, devem ser 22 mil. Algumas escolas, no entanto, ainda não conseguiram usar seus equipamentos pela falta de internet ou de cabos para conectá-los a outros dispositivos.
No Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama, no bairro Partenon, em Porto Alegre, os professores do ensino médio passaram pela formação em maio e já estão com os tablets. Em uma das salas que o professor Guy Barcellos leciona biologia às turmas de ensino médio, o wi-fi não tem alcance. A vontade de colocar o equipamento em prática é tanta que o docente tem usado o próprio 3G para conectar a internet e usar o aparelho com os alunos.
O interesse de Barcellos pela tecnologia não é de hoje, e antes de receber o tablet da secretaria, o professor já utilizava o próprio equipamento para levar outros conteúdos aos estudantes. Para o docente, um dos principais usos do dispositivo será para a apresentação multimídia de materiais em sala de aula - quando a instituição puder comprar o cabo para conectar o aparelho ao projetor. "Ainda são necessárias adaptações, como acontece na implementação de qualquer novidade. Certamente, já é uma etapa vencida, pois conecta o professor e oferece muitos recursos", avalia.
"A secretaria entregou o tablet, agora, a forma como ele será usado fica sob responsabilidade da escola", diz Ricardo Agliardi, vice-diretor do Paulo da Gama. Ele ressalta que a pasta estadual deixou os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs), que realizam as formações de docentes, à disposição para qualquer consulta necessária. Para Agliardi, ainda não é possível avaliar o uso dos tablets em sala de aula, mas prospecta que, em um ano, eles já estejam sendo utilizados em seu potencial máximo. Como não existe um recurso específico para essa infraestrutura, a escola vai investir aos poucos para suprir as novas demandas com o uso dos tablets. Ele relata que a aceitação entre os professores foi grande, mas que ainda falta familiaridade com o dispositivo.

Evelyn Rios, 17 anos, é estudante do 2º ano do instituto. Ela acredita que o uso de tablet pode envolver alunos na aula e tornar os conteúdos mais práticos. "É legal para vermos projetos de fora de escola, termos acesso a informações que normalmente não teríamos", acrescenta. Agliardi idealiza que, em um futuro distante, cada aluno terá o próprio aparelho para acompanhar as aulas.

A Secretaria da Educação do Estado afirma que uma das providências em andamento na rede estadual de ensino é a realização de obras nas escolas para qualificar a infraestrutura de rede, uma ação do RS Mais Digital - Projeto Província de São Pedro. "É claro que o ideal seria termos esta rede já em funcionamento, mas estamos em processo, incluindo a possibilidade de instalação de antenas em locais de maior dificuldade de recebimento do sinal", indica comunicado da pasta.

Segundo a secretaria, "as mudanças tecnológicas ocorrem em uma velocidade muito grande e que a caminhada para a qualificação dos espaços não tem como acompanhar esta velocidade", mas o processo já foi iniciado em 1 mil escolas para disponibilizar reestruturação da rede elétrica e internet, além de outras melhorias.

Iniciativa é apoiada por docentes

No Rio Grande do Sul, os professores só podem utilizar o equipamento após passarem pela formação de oito horas que ensina como utilizar o tablet tecnicamente. De acordo com Maria Lúcia Pinto, coordenadora pedagógica do projeto Província de São Pedro, a qualificação será continuada, inclusive no que diz respeito à aplicação pedagógica. As formações tiveram início no dia 1º de abril.

Na Escola Estadual de Ensino Médio Almirante Barroso, também na capital gaúcha, os professores já foram capacitados, mas os tablets ainda não estão conectados, pois o wi-fi não tem capacidade para todos os dispositivos. Maria Eloísa Nunes, professora de literatura e português na instituição, elogia a formação realizada. Segundo ela, além da parte tecnológica, surgiram discussões e ideias de como e quando usar o dispositivo em sala de aula. Para a professora, a iniciativa é essencial para atualizar o professor e aproximá-lo do contexto em que os alunos se inserem. "Os estudantes estão conectados e ficaram muito curiosos com a novidade na escola. Quadro e giz estão desatualizados", acrescenta.

Professor da Escola Estadual de Ensino Médio Agrônomo Pedro Pereira, Tiaraju Guerra também aprova a iniciativa, mas ressalta que o treinamento deve ser permanente e constante. "Tenho dificuldade em mexer no aparelho, meu filho me ajuda. Tenho 50 anos e na minha idade há limite de aprendizagem. Mas, sem dúvidas, será ótimo, porque vai servir de impulso para os professores que não estão nesse universo aprenderem", diz.

Distribuição e capacitação

Em Minas Gerais, os professores também devem receber capacitação contínua, de acordo com a Secretaria de Educação do Estado. Equipes regionais da pasta estão participando de formações para repassar os conhecimentos para os docentes de cada região. Até o final do ano, professores de ensino médio de 2.189 escolas estaduais estarão com seus tablets e capacitados para utilizar o dispositivo em sala de aula. Os aparelhos começam a ser distribuídos em junho.

No Distrito Federal, os 5 mil professores do ensino médio devem ter acesso ao aparelho até o final do ano, e 3 mil já estão com o tablet em mãos desde o dia 21 de maio. Os docentes passarão por uma capacitação de 90 horas, sendo 12 horas presenciais. Na ocasião da entrega dos dispositivos, o governador, Agnelo Queiroz, indicou que, em uma etapa futura, pretende estender o material também aos estudantes. A rede pública do DF conta com 86 escolas de ensino médio, que atendem 83 mil alunos.

A vida começa na biblioteca

A vida começa na biblioteca
Tribuna do Norte - 01/06/13

Quando Monteiro Lobato (1882-1948) cunhou a célebre frase “um país se faz de homens e livros”, crítica contextualizada com o Brasil da primeira metade do século 20, ele não imaginaria que mesmo após 65 anos de sua morte o país ainda registraria índices alarmantes quanto a necessidade básica de se ter uma biblioteca em cada escola. Segundo levantamento realizado em 2011 pelo Ministério da Educação, cerca de 72,5% das escolas públicas brasileiras não possuem biblioteca; por outro lado, desde 2010 há uma lei federal determinando que em uma década todas as escolas tenham sua própria. “Para cumprir essa meta, seria preciso construir 34 bibliotecas por dia até 2020”, contabiliza a professora Cláudia Santa Rosa, coordenadora da sétima edição do Seminário Potiguar Prazer em Ler. O déficit atual é de 130 mil bibliotecas.

A atividade faz parte das ações desenvolvidas pela Rede Potiguar de Escolas Leitoras, e acontece nesta próxima segunda (3) e terça-feira (4) no auditório do Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves-Cemure, na Cidade da Esperança. O tema deste ano é “Literatura e Biblioteca, na escola e na vida”. Durante o encontro, voltado para professores e gestores da área educacional, educadores de todo o Estado terão oportunidade de entrar em contato com o programa de incentivo à leitura no Estado; e participar de debates, relatos de experiências, lançamentos de livros e diálogos com autores e especialistas de outras partes do país como a escritora e poeta carioca Roseane Murray.

“Roseane esteve aqui em 2012, e fomos praticamente intimados pelos participantes a convidá-la novamenteeste ano”, lembra Cláudia Santa Rosa, que integra o Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), entidade responsável pela articulação da Rede. Cláudia explicou que dessa vez a escritora vem acompanhada do filho, Guga Murray, músico, com quem trabalha em projeto que envolve literatura e música. “Nosso objetivo é estimular, criar um comportamento leitor entre professores e alunos. Nas escolas que participam do programa desde o começo, já temos excelentes resultados”, avaliou. “E o Seminário é o momento certo para expandir a Rede”.

Apesar da Rede Potiguar de Escolas Leitoras abranger formalmente escolas de Natal e Parnamirim, Cláudia informa que “praticamente os 167 municípios do RN estarão representados” durante os encontros do Fórum Potiguar de Escolas Leitoras (escolasleitoras.org.br).

“Oferecemos oficinas de formação e realizamos visitas periódicas de acompanhamento técnico nas escolas. É dessa maneira que constatamos avanços, avaliamos os resultados, propomos ajustes e fortalecemos a formação continuada de quem atua nas unidades de ensino”. Ela explicou que toda a ação está embasada em três eixos: espaço para leitura, acervo com qualidade literária e presença de professor para dinamizar o trabalho. “Nas escolas onde o programa atua, há uma mudança na dinâmica da comunidade escolar, no comportamento dos pais, gestores, professores e alunos, e isso repercute nas demais áreas do conhecimento”.

O Seminário conta com apoio do Instituto C&A, da Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME), a Secretaria de Educação e Cultura de Parnamirim, e a União dos Dirigentes Municipais de Educação do RN (Undime/RN).

quinta-feira, 6 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Brincadeiras com texto acima dos 3 anos melhoram capacidade de leitura

Brincadeiras com texto acima dos 3 anos melhoram capacidade de leitura

Incluir exercícios com letras e números na educação de crianças a partir dos três anos melhora o desenvolvimento na alfabetização, afirmam especialistas. A prática, conhecida como letramento, não é novidade em escolas particulares. No entanto, na rede pública, a educação infantil ainda se resume ao cuidado e a brincadeiras sem intenção didática.

A proposta não é a de transformar creches em escolas, mas a de colocar as crianças em contato com textos, letras e conceitos como preparação para a alfabetização, explica a psicóloga Tarciana de Almeida, especialista em psicologia cognitiva.

"Assim as crianças podem chegar ao final do 3º ano [do ensino fundamental] como leitoras, escritoras e falantes de sua língua cada vez mais competentes", afirma a pedagoga Patrícia Moura Pinho, professora da Universidade Federal do Pampa.

"É a escola pública que não faz isso com a alegação de que se está 'escolarizando' a educação infantil. Isso só aumenta a desigualdade, estamos reduzindo as chances dos alunos de escola pública", pontua Angela Dannemann, diretora executiva da Fundação Victor Civita. 

Para as especialistas, as críticas ao letramento infantil não são pertinentes. "Desde sempre a criança está inserida no mundo da escrita. Tudo depende de como a questão for trabalhada, podemos, por exemplo, trabalhar textos de forma muito rica, sem que a criança seja necessariamente alfabetizada", considera Tarciana.

Ampliando horizontes

De maneira lúdica, os professores podem tornar familiar as letras, diferentes formas de apresentação de texto ou conceitos. "A comparação entre tamanhos de sapatos ou alturas pode ajudá-las a entender o sistema métrico e até mesmo a compreender dezenas e centenas", exemplifica Angela.

A leitura de diferentes tipos de textos, como livros, cartas e jornais, apresenta a diversidade de registros possíveis para a escrita. "Esta é uma forma de trabalhar linguagem em uso real e não descontextualizada e sem sentido, como a escola costuma fazer" acrescenta Tarciana. 

Os pais têm importante papel na introdução das crianças ao mundo das letras, lendo histórias e apresentando os diferentes mundos da escrita. No entanto, é também aí que mora o problema. "As crianças que moram em casas em que os pais têm o hábito de leitura já saem na vantagem e a escola pública não ajuda a mudar esse quadro", critica Angela. 
Educação infantil no país

Em 2012, a educação infantil reunia 7,3 milhões de crianças matriculadas no Brasil, segundo o Censo da Educação Básica. Dessas, 4,7 milhões estavam na pré-escola e os outros 2,5 milhões em creches.

Para inserir o letramento nesse período escolar, no entanto, é necessária a capacitação dos professores, que "não têm conhecimento didático", afirma Angela. Segundo o Censo Escolar de 2012, 35% dos professores da educação infantil têm apenas o ensino médio.

Publicação de trabalhos, artigos

Publique-se!
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