quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Biblioteca Braile do Amazonas oferece mais de quatro mil títulos


Biblioteca Braile do Amazonas oferece mais de quatro mil títulos
Data de publicação: 28/01/2013
Por G1-Amazonas
Local possui estrutura para atender pessoas com deficiência visual ou auditiva (Foto: Roberto Carlos/Agecom)
Clássicos da literatura brasileira como livros de José de Alencar e Érico Veríssimo, além das populares sagas Harry Potter, Crepúsculo e até ’50 Tons de Cinza’ da autora inglesa Erika Leonard James podem ser encontrados no acervo de mais de quatro mil títulos da Biblioteca Braile do Amazonas, localizada no Bloco C do Centro de Convenções do Amazonas, Sambódromo, Zona Centro-Oeste de Manaus.
O espaço disponibiliza aos interessados livros em formado MP3 e braile, filmes com audiodescritos, além de aulas de violão, teclado e informática. O local possui estrutura para atender pessoas com deficiência visual ou auditiva. Um dos destaques da biblioteca são dois estúdios nos quais voluntários gravam e produzem livros.
Segundo o gerente do espaço, Gilson Oliveira, as portas estão abertas para os que desejam fazer audiodescrição. “Basta telefonar, marcar o dia e vir fazer o teste. Temos cerca de 120 pessoas que trabalham conosco, entre professores, acadêmicos e usuários”, afirmou.
Atualmente, a biblioteca conta com, aproximadamente, quatro mil livros falados, mil livros em braile, 38 filmes com audiodescrição e 12 canetas pentops (dispositivo com um sensor posicionado em sua ponta e um computador interno capaz de decodificar o material impresso e reproduzir sons previamente gravados). Além disso, estão disponíveis duas impressoras em braile, sendo uma delas interpontada (capaz de imprimir dos dois lado do papel).
Gilson Oliveira explicou ainda que, no início, o lugar era apenas um setor. “Estávamos localizados no Centro. Quando passamos para o Centro de Convenções, tivemos mais espaço e ganhamos os estúdios, tanto que antes não produzíamos, só emprestávamos livros”, relatou. A Biblioteca Braile do Amazonas funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h.

Você sabia? A partir de 2015, aluno de ensino médio pode ter livro digital


Você sabia? A partir de 2015, aluno de ensino médio pode ter livro digital
Reprodução
A partir de 2015, o aluno do ensino médio da rede pública poderá acessar seu livro didático em um tablet ou computador e, ao clicar em uma gravura ou trecho da obra, será direcionado para um gráfico interativo ou um vídeo sobre o tema em estudo.
Essa possibilidade está prevista em edital lançado pelo Ministério da Educação (MEC) para compra de 80 milhões de livros para alunos do ensino médio.
É a primeira vez que o livro digital está previsto na compra de obras didáticas feita pela pasta. Isso não substituirá o livro impresso.
“Estamos comprando a obra multimídia. Ela é formada por um livro impresso e um livro digital, que reúne o mesmo conteúdo do impresso mais os objetos digitais integrados na mesma tela”, disse Rafael Torino, diretor de ações educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A editora que não tiver em seu catálogo a obra digital poderá inscrever apenas a versão impressa, além do PDF da obra didática.
A versão digital deve aumentar o valor da compra – em média, um livro do ensino médio tem um custo de R$ 8 para o governo federal.
Nesse edital também foi incluída pela primeira vez a previsão de compra de livros de arte. Outra novidade é a maior interação entre as diferentes disciplinas.
“O que está sendo pedido é que cada livro de uma determinada disciplina faça referências a outras disciplinas da mesma área de conhecimento e a outras áreas do conhecimento”, disse Torino.
O ministro da Educação Aloizio Mercadante defendeu o novo perfil do edital.
“É uma linguagem que vai, do nosso ponto de vista, estimular cada vez mais essa nova geração que está buscando os caminhos digitais para se comunicar”, afirmou durante seminário com o norte-americano Salman Khan.O educador ganhou destaque internacional com os milhões de acessos ao seu site de videoaulas gratuitas.
Mercadante disse que a pasta estuda reproduzir a experiência no ensino superior, gravando aulas e seminários nas universidades federais e disponibilizando na internet gratuitamente.
Fonte: Folha de São Paulo. Editado pelo CRB-6.

A Natureza é linda, Margarida então nem se fala ...


Campanha para projeto de incentivo à leitura da Livraria da Vila e da Cesta Nobre - Iniciativa incluirá livros em cestas básicas


Campanha para projeto de incentivo à leitura da Livraria da Vila e da Cesta Nobre - Iniciativa incluirá livros em cestas básicas

Leo Burnett cria campanha para projeto de incentivo à leitura da Livraria da Vila e da Cesta Nobre
Eduardo Duarte Zanelato no Meio & Mensagem
Um dos anúncios pede, em tom bem humorado, doação de livros que você pegou emprestado de amigos
Um dos anúncios pede, em tom bem humorado, doação de livros que você pegou emprestado de amigos Crédito: Divulgação
A união da rede de livrarias Livraria da Vila e da distribuidora de cestas básicas Cesta Nobre permitirá que livros sejam incluídos em cestas e entregues junto dos alimentos como forma de incentivar a leitura, hábito pouco difundido entre brasileiros.
Intitulado “Leitura alimenta”, o projeto aceitará doações de livros usados, que serão recebidos em lojas da Livraria da Vila. Outra forma de contribuição será pela compra de um e-book (a ser disponibilizado em diferentes plataformas) sobre o projeto. A renda será revertida para a compra de livros novos para as cestas básicas, cuja distribuição atinge todo o País.
A Leo Burnett é responsável pela campanha do projeto, que ainda não tem data de início confirmada. Mais informações no site do Leitura Alimenta.
Acesse a matéria AQUI
Fonte: http://www.livrosepessoas.com/

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Bibliotecário – Regresso às Minas do Rei Salomão


http://www.cineteka.com/index.php?op=Movie&id=004239

Realização:
Jonathan Frakes
Ano: 2006
País:
EUA
Idade: M/12
Duração: 92 min
IMDB
Todos sabemos o quão irritado fica o bibliotecário quando nos atrasamos a devolver a Ilha do tesouro, agora imagine o que acontece quando um vilão rouba da biblioteca o mapa para as minas do Rei Salomão, o lugar onde se escondem fabulosos tesouros escondidos! Noah Wyle volta a vestir a pele do Bibliotecário Flynn Carson, o improvável guardião dos maiores segredos da humanidade.
Conseguirá o Bibliotecário escapar a uma tumba inundada, defender-se dos ataques de hipopótamos belicosos e atravessar um rio de fogo? Será que este rato de biblioteca vai conseguir salvar o mundo outra vez?

Como montar um biblioteca comunitária

Como montar um biblioteca comunitária

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_274170.shtml.

O artigo a seguir relata um método o qual podemos mostrar a importância de ter uma bilbioteca no bairro ou cidade onde moram.

Aprenda a criar uma biblioteca pública na sua comunidade

Por Yuri Vasconcelos
Revista Vida Simples - 04/2008
Daniel Almeida{txtalt}
O primeiro passo é definir o local: no condomínio onde você mora, no trabalho, na associação de bairro etc. Feito isso, é preciso uma infra-estrutura mínima, composta por prateleiras, mesa e cadeiras, um fichário e, de preferência, um computador para controle dos livros e dos usuários.

O passo seguinte é obter as obras que farão parte do acervo. Você pode solicitar doações a amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e também a órgãos municipais e estaduais ligados à cultura. Outra saída é negociar com editoras e revendedores de livros a compra com desconto, caso você tenha verba para isso.

Com os livros em mãos, é preciso catalogá-los e organizá-los por temas (ficção, auto-ajuda, infantil, técnicos, enciclopédias etc.).

O empréstimo deve ser feito por meio do preenchimento de uma ficha, onde o usuário coloca seu nome, número de documento, endereço e telefone. A retirada de livros pode ser gratuita ou ter uma taxa simbólica.

"Para melhor controle dos empréstimos, o gestor da biblioteca pode estabelecer uma multa para quem atrasar a devolução", sugere João Gonçalves, gerente da ONG Leia Livros, que mantém um programa de caminhões bibliotecas em 50 escolas públicas do país. A finalidade da multa não é punir o usuário, mas desenvolver nele o sentido de responsabilidade.

Fonte: Disponível em http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_274170.shtml. Acessado 27/01/2013 às 21:00.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A LEITURA NA BIBLIOTECA: por que utilizamos parâmetros voltados para as editoras?

A LEITURA NA BIBLIOTECA: por que utilizamos parâmetros voltados para as editoras?[Setembro/2012]

A Biblioteconomia tem entre suas preocupações e interesses, a leitura. As bibliotecas, mesmo que em um primeiro momento as públicas e escolares, trabalham com a leitura. Isso nos parece óbvio. No entanto, com o que de fato lidamos no âmbito da leitura? Ensinamos as pessoas a ler, fomentamos a leitura, disponibilizamos livros para a população, facilitamos o contato das pessoas com os livros?

Essas questões estão sempre presentes - ou devem estar - nas nossas reflexões e nas nossas pesquisas. Mesmo sabendo que não faz parte de nossas atribuições o ensino da leitura, sem nos apercebermos criamos um confronto com as atribuições dos professores. É preciso que se torne claro o nosso fazer em relação à leitura, pois assim, conseguiremos distinguir as diferenças entre o fazer do professor e do bibliotecário.

Para mim, trabalhamos com o fomento à leitura. Buscamos facilitar a relação e o contato dos alunos - e do público em geral - com os suportes da leitura. Essa tarefa não é exclusiva dos bibliotecários, como também não é exclusividade dos professores. Muitos profissionais incluem em seu fazer o fomento à leitura. Aliás, fomento à leitura é uma ação que foi assimilada e assumida por muitos segmentos da sociedade. É evidente esta última afirmação quando, tanto na imprensa escrita como falada, ficamos sabendo de campanhas, coletivas ou individuais, interessadas no aumento da leitura. No entanto, cabe observar que boa parte dessas campanhas ou ações não estão preocupadas com o conteúdo dos livros divulgados ou doados, mas apenas com o acesso físico ao livro. A leitura é boa em si mesma. Essa postura carrega concepções que, mesmo não explicitadas, são facilmente entendidas.

Quantas pesquisas sobre leitura conhecemos que foram realizadas por bibliotecas ou bibliotecários? Quantas pesquisas sobre leitura abrangeram um universo maior do que o espaço de uma única biblioteca? Se essas pesquisas não existem ou são poucas, no que baseamos nossas ações?

Sem medo de errar, posso afirmar que seguimos resultados de pesquisas que têm como interesse o mercado livreiro. Tais pesquisas pretendem identificar como as pessoas se relacionam com o livro, mas para, ao final, desenvolver estratégias de vendas.

Tanto isso é verdade que a pesquisa Retratos da Pesquisa no Brasil - 3, entende como leitor aquele que leu um "livro" nos últimos 3 meses. Um livro e não outros suportes de leitura. Qual o motivo que levou o coordenador da pesquisa a determinar como leitor apenas aquele que lê livros?

Baseado no fato de que a pesquisa teve como interesse o livro, além de ter sido financiada por instituições e empresas ligadas ao comércio livreiro, buscou ela resgatar o interesse das pessoas por temas e assuntos, desejo e possibilidade de compra, etc. É importante descobrirmos esses dados? São eles relevantes para quem lida com o livro e a leitura? Claro, mas isso reforça o que estou afirmando. A pesquisa se preocupou e esteve voltada para a leitura do livro e não para a leitura.

A biblioteca trabalha apenas com a leitura do livro? Não. Ela direciona, ou deveria direcionar, suas atenções para a leitura de outros suportes.

Nossa relação com o livro, tanto da biblioteca como do bibliotecário, tem uma explicação bastante coerente, no entendimento de Ortega y Gasset, quando afirma ele que a atual concepção surge com a invenção do tipo móvel e da imprensa no século XV. Desde então, temos essa relação estreita com o livro. No entanto, nosso fazer não está vinculado ao livro, mas à informação. E disso não podemos nos esquecer sob pena de nortearmos nossas ações para um objetivo destoante de nosso objeto de estudo, preocupação e interesse.

Para lidarmos de fato com a leitura, apesar de enfocar nossa ação no fomento dela, precisamos de embasamento teórico e de pesquisas que estejam voltadas para a leitura e não apenas para o livro. Para nós, bibliotecários, o conceito de leitura deve ser amplo, não se atendo apenas ao texto escrito.


 Sobre Oswaldo Francisco de Almeida Júnior

PLANEJAMENTO DE BIBLIOTECAS DIGITAIS: DEFINIÇÃO DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS

PLANEJAMENTO DE BIBLIOTECAS DIGITAIS: DEFINIÇÃO DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS[Dezembro/2012]

Liliana Giusti Serra


Ao iniciar um projeto de biblioteca digital é necessário definir uma série de estratégias, deixando muito claro os objetivos desejados e os serviços que serão oferecidos. Este artigo visa discorrer sobre a definição de políticas institucionais e o impacto destas decisões na biblioteca digital. Fazem parte destas políticas as questões sobre padrões e formatos, aspectos legais e formas de acesso aos conteúdos disponibilizados pela biblioteca digital.

 

Políticas institucionais: acesso aos documentos


Existem diversas questões que devem ser abordadas nas políticas de acesso dos documentos constantes do acervo digital. Que tipo de material será disponibilizado? Quem poderá acessá-lo? Será aplicada alguma ferramenta para controlar o acesso ou limitar o uso/distribuição da fonte de informação? Serão aplicadas ferramentas de certificação ou assinatura digital? Estas e outras questões devem ser consideradas no momento da implantação do projeto.

Na etapa de planejamento foi definido como os documentos seriam digitalizados, que formatos seriam adotados e a forma de digitalização empregada. Com os documentos digitalizados devem ser definidos os níveis de acesso que serão dados aos usuários do sistema. Dependendo da natureza da instituição e seu público deve-se definir que tipos de suportes serão oferecidos: apenas material textual, vídeos, áudios, links, imagens etc. Para cada tipo de material é possível aplicar uma ferramenta para visualização das mídias, controlando e impedindo a distribuição ilegal do conteúdo. Arquivos de vídeo e áudio, por exemplo, podem ser disponibilizados nos OPACs através de streaming, que é uma forma para distribuição de conteúdos pela internet. O usuário consegue acessar o conteúdo, porém ele não consegue grava-lo no computador. Desta forma não ocorre violação dos direitos autorais, pois o arquivo consegue reproduzir a mídia, mas não copiá-la. O exemplo mais comum de acesso por streaming é o Youtube.

Uma biblioteca digital pode ser composta por materiais éditos e inéditos. Nem todos os documentos do acervo estarão disponíveis a todos os usuários. Existem conjuntos que podem ficar restritos a grupos de pessoas (professores, coordenadores, diretores etc.), outros que serão franqueados ao público geral (sem necessidade de identificação do usuário), outros ainda que podem ter seu acesso restrito, principalmente quando não existe segurança em relação a autorizações por parte dos autores ou quando são materiais inéditos. Cabe ao bibliotecário definir com a instituição qual será a política de acesso adotada e quais tipos de informações e suportes serão disponibilizados para quais usuários. Não atentar-se a estes detalhes pode significar a veiculação de documentos sem prévia autorização dos autores, deixando a instituição vulnerável para sofrer questionamentos legais.

Ferramentas e padrões

Além da seleção das obras e políticas de acesso, também é fundamental definir algumas questões técnicas: quais serão os padrões de metadados adotados, qual repositório e protocolo serão utilizados.

Segundo a NISO os metadados são informações estruturadas que descrevem e permitem a localização de um recurso informacional (NISO, 2004b, p.1). Existem basicamente três tipos de metadados (SAYÃO 2007):

a)  Descritivos: descrevem o recurso de forma a permitir sua descoberta. Incluem os elementos básicos como autoria, título, data etc.;
b)  Estruturais: informam como os recursos são compostos, como quais páginas de um livro digitalizado formam um capítulo, por exemplo;
c)   Administrativos: fornecem informações para permitir o gerenciamento do recurso. Dados sobre data de criação, informações técnicas do recurso, direito de acesso, dados sobre preservação digital etc.

A maioria das bibliotecas brasileiras utiliza-se do formato MARC para seus registros bibliográficos. Em projetos de bibliotecas digitais, contudo, observa-se a predominância do formato Dublin core. Composto por 15 elementos (opcionais e repetitivos), este formato permite maior flexibilidade para representação de recursos eletrônicos, além de viabilizar interoperabilidade entre vários sistemas. Segundo Sayão (2007), interoperabilidade é um processo contínuo que assegura que sistemas, procedimentos e a cultura de uma organização sejam gerenciados de forma a ampliar as possibilidades de intercâmbio e reuso de informações. Não depende apenas de hardware e software, mas é estabelecida pela adoção de padrões e protocolos de comunicação, transporte, armazenamento e codificação de informações. Os protocolos usualmente utilizados em bibliotecas são: Z39.50, XML e OAI-PMH.

Segundo Garcia & Sunye (2003) o protocolo OAI-PMH (Open Archives Protocol for Metadata Harvesting) vem sendo utilizado com maior frequência entre bibliotecas e repositórios digitais, tanto acadêmicos quanto científicos. Este protocolo permite que os participantes possam compartilhar seus metadados através de Provedores de Dados (Data Providers) e Provedores de Serviços (Service Providers). Os provedores de dados mantém os repositórios com objetos digitais permitindo a exposição dos metadados aos provedores de serviços, que colhem os dados sob a forma de consultas realizadas pelos usuários.

A escolha do software para construção do repositório digital também deve ser considerado. Existem diversos softwares (livres e proprietários). Segundo Sayão et al. (2009), os softwares livres mais utilizados para construção de repositórios institucionais são:

a)  DSpace: projeto cooperativo desenvolvido pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e pela HP (Hewlett-Packard). Um dos repositórios mais utilizado no Brasil.
Padrões: Interoperabilidade: OAI-PMH, Esquema de metadados: Dublin core; Demais características: interface customizável, workflow para submissão de conteúdo.
b)  EPrints: desenvolvido pela Universidade de Southampton, Inglaterra, tem a maior base instalada nos sistemas de repositórios digitais em operação.
Padrões: Interoperabilidade: OAI-PMH, Esquema de metadados: Dublin core; Demais características: workflow e alerta para duplicatas.
c)   Greenstone: desenvolvido no projeto New Zeland Digital Library, da Universidade de Wikato, distribuído pela UNESCO e pela ONG Humanitarian Information for All, da Bélgica.
Padrões: Interoperabilidade: OAI-PMH, Z39.50, Esquema de metadados: Dublin core; Demais características:  multilíngue;
d)  Fedora: sigla para Flexible Extensible Digital Object and Digital Repository Architecture, desenvolvido pela Cornell University e pela University of Virginia.
Padrões: Interoperabilidade: OAI-PMH, Esquema de metadados: Dublin core; Demais características: realiza gerenciamento de versões dos objetos digitais;
e)  Nou-Rau: desenvolvido pelo Centro de Computação da Unicamp. Recebe documentos digitais em diversos formatos e os converte em texto.
Padrões: Interoperabilidade: OAI-PMH com captura de dados através de Z39.50, Esquema de metadados: diversos; Demais características: indexa os conteúdos dos documentos nos formatos ASCII, HTML, RTF, SGML, MS Word, Power Point, PDF, Post Script, TeX, Látex e DVI.

Além dos softwares relacionados acima, outras ferramentas podem ser utilizadas para gerenciamento de repositórios institucionais, tanto livres quanto proprietários.

 

Aspectos legais


Um dos maiores entraves para o desenvolvimento e ampliação de projetos de bibliotecas digitais está relacionado a questões legais, principalmente com direitos autorais. Segundo Cunha (1999), as bibliotecas digitais demandarão mais autorizações e pagamentos de direitos autorais para acesso e transmissão das informações. Esta realidade não era presente nas bibliotecas e os custos inerentes a estes desafios devem ser incorporados aos orçamentos.

Dentre as questões sobre direitos autorais, destacam-se:

a)  Material protegido: as autorizações de uso devem ser solicitadas aos autores ou seus representantes legais. Cerca de 75% das obras dos acervos são protegidas;
b)  Domínio público: uma obra passa a ser considerada de domínio público quando se passam 70 anos da morte do autor ou de seu parceiro. Após este período – que varia de acordo com a legislação de cada país – pode ser utilizada livremente, sem recolher direitos autorais;
c)   Obras órfãs: não possuem registro do titular do direito autoral, ou o titular vendeu os direitos, porém não registrou a transferência, ou o titular faleceu e os herdeiros não existem ou não foram localizados. Também fazem parte deste conjunto as obras oriundas de massas falidas, cujo espólio não pertence mais ao proprietário original;
d)  Obras esgotadas: publicações fora do mercado editorial. Os motivos podem ser diversos como: detentores não têm interesse comercial, os contratos entre autores e editores foram encerrados e não existe interesse em renová-los, ou os custos para novas edições ou reimpressões não são comercialmente interessantes.

Existem diversas normas discorrendo sobre o direito autoral, porém a maioria foi pensada e publicada com vistas a um mundo analógico, antes da explosão da oferta de informações em meio digital. Esta discussão é presente em vários países, não sendo um entrave da legislação brasileira.

A Lei de Direitos Autorais é a nº 9.610, de 19/02/1998. Ela está em discussão para ser atualizada. Segundo o Ministério da Cultura, um anteprojeto para modernização da lei encontra-se atualmente na Casa Civil da Presidência da República aguardando análise. Além desta norma existem diversas outras como a Constituição da República Federativa do Brasil, nos artigos 5º, 170º, 215º e 216º, com alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nº 1/92 e 4/93, além de diversas outras normas relacionadas ao tema (BRASIL, 2012). O Brasil também é signatário de diversos atos multilaterais como:

a)  Convenção de Roma: Convenção Internacional para Proteção aos Artistas Intérpretes ou Executantes, aos Produtores de Fonogramas e aos Organismos de Radiodifusão de 26/10/1961 Incorporada pelo Decreto nº 57.125, de 19/10/1965.
b)  Convenção de Berna: Convenção Internacional para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas, revista em Paris em 24/07/1971-Incorporada pelo Decreto nº 75.699 de 06/05/1975.
c)   Convenção Universal: Convenção Universal sobre o Direito do Autor, revista em 24/07/1971 e incorporada pelo Decreto nº 76.905, de 24/12/1975.
d)  Acordo TRIPS/ADPIC: Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (ADPIC), mais conhecidos pela sigla em Inglês, TRIPS. Incorporada pelo Decreto nº 1.355, de 30/12/1994.

Além dos direitos autorais, outras questões legais podem impactar um projeto de biblioteca digital:

a)  Direitos conexos: principalmente quando relacionados a intérpretes, produtores fonográficos, empresas de radiodifusão etc. Não basta solicitar a autorização ao autor de uma obra, mas aos demais envolvidos na obra artística, como os coautores, orientadores, intérpretes etc.
b)  Direito de personalidade e terceiros: situação presente em casos de acervos de correspondências, fotografias e imagens.
c)   Direito de imagem: estáticas ou em movimento. Resguarda as pessoas retratadas em fotografias ou gravações de vídeo.

Ao definir algumas políticas institucionais para a efetivação de uma biblioteca digital a complexidade do serviço oferecido vai aumentando. Questões que até então não costumavam assombrar o bibliotecário passam a fazer parte de sua rotina, como aspectos legais, escolha de software (e customização) de repositórios institucionais, padrões e formatos de metadados e demais assuntos que serão discutidos em artigos futuros.

Cabe ao bibliotecário atentar-se a estas questões e prevê-las em seu projeto, evitando questionamentos futuros. Ao definir pelo padrão de metadados e ferramenta de repositório deve ser contatado profissional que tenha competência para realizar este desenvolvimento em conjunto com o bibliotecário, adotando os padrões de metadados de forma a otimizar os trabalhos oferecidos além de permitir o intercâmbio com outras instituições. Quanto às questões legais, é prudente que as bibliotecas solicitem autorização por escrito dos autores que submetem artigos aos repositórios, formalizando a possibilidade de dispor destes documentos aos usuários.

Referências
BRASIL. Ministério da Cultura. Direitos Autorais do Ministério da Cultura. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2012.

CUNHA, Murilo Bastos. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p.257-268, set./dez. 1999.

ECAD (Org.). ECAD direitos autorais. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2012.

GARCIA, Patrícia de Andrade Bueno; SUNYE, Marcos Sfair. O Protocolo OAI-PMH para Interoperabilidade em Bibliotecas Digitais. I Congresso de Tecnologias para Gestão de Dados e Metadados do Cone Sul. Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa – Paraná. 2003. Disponível em http://conged.deinfo.uepg.br/~iiconged/2003/Artigos/artigo_09.pdf. Acessado em 27 nov. 2012

NISO. Understanding Metadata. Bethesda, MD: NISO Press, 2004b. Disponível em <http://www.niso.org/publications/press/UnderstandingMetadata.pdf>. Acessado em 24 nov. 2012.

SAYÃO, Luis Fernando. Padrões para bibliotecas digitais abertas e interoperáveis. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, Florianópolis, n. esp., p.18-47, jan.-jun. 2007.

SAYÃO, Luis Fernando; MARCONDES, Carlos Henrique. Softwares livres para repositórios institucionais: alguns subsídios para a seleção. In: SAYÃO, Luis et al. Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e preservação. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 23-54.


Liliana Giusti Serra - Bibliotecária com especialização em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Formação em ECM (Enterprise Content Management). Profissional de Informação da Prima (SophiA Biblioteca). Professora de Representação Descritiva e Tópicos modernos em Biblioteconomia do Centro Universitário Assunção (UNIFAI).
E-mail para contato: giustii@yahoo.com

BRINCANDO DE BIBLIOTECAS: UMA FORMA DE SER FELIZ

BRINCANDO DE BIBLIOTECAS: UMA FORMA DE SER FELIZ[Dezembro/2012]

Alguém me envia um questionário de pesquisa sobre a atuação do profissional bibliotecário em projetos sociais. Nossas respostas às múltiplas perguntas se resumem numa só: a participação de bibliotecas e bibliotecários em projetos sociais é a face mais visível da biblioteca – instituição eminentemente social – e do bibliotecário como agente social. Mesmo assim, salvo honrosas exceções, nos cursos acadêmicos de Biblioteconomia, o tecnicismo ainda persiste – há distanciamento da prática social, há descompasso entre o que se diz e o que se faz. Salvo honrosas exceções, falta aos professores formação pedagógico-didática. Falta aos professores sensibilidade de uma ação conjunta entre docentes, discentes e sociedade. E a deficiência na academia se reflete na atuação “capenga” do profissional jogado no mercado de trabalho.

Resgatar o direito à informação para todos é a missão mor do bibliotecário. Mas não é imprescindível ter formação específica para exercitar a prática cidadã. Há casos, entre milhares de outros, que encantam. Por exemplo, um gaúcho de Alegrete, Robson Mendonça, com a morte trágica da mulher e dos filhos num acidente, se vê nas ruas, onde permanece por seis anos, até 2003. Em meio à desilusão extrema, um hábito não lhe abandona: o gosto pela leitura. Mas, na condição de morador de rua, enfrenta a burocracia. Não consegue usar o material das bibliotecas por falta de endereço fixo.

Decidido a retomar o rumo da vida, se apoia na leitura para resgatar a dignidade. O “ponto de arranque” é o contato com a célebre obra “A revolução dos bichos” de George Orwell. Decide criar a bicicloteca (institutomobilidadeverde. wordpress.com/bicicloteca), a partir da premissa de que a leitura é um instrumento de inclusão social por excelência. Com o apoio da ONG Mobilidade Verde (http://institutomobilidadeverde.wordpress.com) e de voluntários, sem nenhuma ajuda governamental, consegue uma bicicleta equipada com um baú contendo centenas de títulos.

Assim, desde 2003, o sessentão Robson faz circular livros variados e sonhos nas ruas de São Paulo capital. Graciliano Ramos e Jorge Amado convivem em harmonia com autores estrangeiros, a exemplo do norte-americano Truman Capote. O leitor pode devolver o livro quando quiser. Pode propor trocas. Pode passar adiante para quem se interessar. Pode fazer doações à bicicloteca. Com sua perseverança, esse cidadão brasileiro já conseguiu expandir sua ideia para bibliotáxis, que colocam livros à disposição dos clientes. Sonha em atingir os metrôs. E segue em frente apesar de já ter sido roubado – um dia, levaram sua bicicleta, posteriormente recuperada, numa evidência da violência urbana de nossas cidades.

Na Colômbia, outro exemplo de superação. Trata-se de uma biblioteca itinerante montada em dois burros, Alfa e Beto. Nesse caso, circula nas zonas rurais mais afastadas e mais empobrecidas do país, exatamente em La Gloria. Idealizada pelo professor do ensino fundamental Luis Soriano, 36 anos e habilitação em Literatura Espanhola, circula aos finais de semana. São dicionários, obras literárias, muitos livros infanto-juvenis, alguns livros didáticos. Há um pouco de tudo. São quase 5.000 títulos. Para El Profesor, mais do que novidade, é um dever social. De novo, alguém acredita no poder transformador da leitura para o ser humano e para as coletividades. De novo, os governantes se fazem ausentes.

Há muito mais. O “Projeto lê pra mim” (lepramim2010.blogspot.com) consiste em fazer com que famosos dediquem minutos de sua vida contando histórias para crianças. De autoria da atriz Sônia de Paula tem percorrido capitais brasileiras, com destaque para Belém e a capital Brasília. Todas estas são iniciativas que alertam a bibliotecários e aos cidadãos em geral sobre o poder da leitura e, quiçá, da alegria que pode haver na produção de textos. É o lado luminoso de um Brasil coalhado de analfabetos à espera de uma chance de desvendar letras e mundos!

 Sobre Maria das Graças Targino
Doutora em Ciência da Informação e jornalista, finalizou pós-doutorado junto ao Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca. Amante da literatura, publicou crônicas reunidas em Palavra de honra: palavra de graça, 2008. Destaque para o último livro Jornalismo cidadão..., lançado em 2009, pela Unesco. Colunista semanal do diário O Dia, Teresina – PI.